Data de lançamento
13 Nov. 2010Duração
Herb and Dorothy Vogel redefine what it means to be an art collector.
Herb e Dorothy Vogel redefinem aquilo que significaria ser colecionador de arte.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Estive assistindo Herb and Dorothy – os colecionadores de arte e fiquei pensando, talvez eu seja uma apreciadora da arte – alguém com a sensibilidade pra entender grandes e pequenas obras com todas suas camadas e intensidade (ainda que nem sempre, mas sempre usando todas as fibras tenras do material que fui feita pra tentar) e não pra produzir elas.
Ver o pessoal circulando pelas galerias de arte no filme me lembrou também esse universinho tacanha lá em POA, ajudei o C. A fazer uma exposição dessas – quase ninguém vendia nada, mas era o tipo de coisa que servia de ‘currículo’ pra ficar conhecido pelas pessoas que realmente talvez consumissem arte – elas existiam. Mais tarde, trabalhando com A. Que era artista plástica – descobri que o mercado de arte rentável mesmo, ali na província, eram as lojas de sofá. Porque não era como se algum deles pudesse ambicionar o MoMa ou coisa parecida – mesmo o pessoal que foi na ideia dela, uma mostra em Miami por algo em torno de 1.5 doláres, na época uns 5 mil. Mas quem ia era gente já grande – todos com mais de 40, 50, 60 anos, gente que não precisava vender aqueles quadros de 4 algumas vezes até 5 dígitos, mas que se vendesse, legal. Era assim nas lojas de sofá, A. Vendia quadros abstratos de um, dois, três mil. Existia, é claro, aquele outro mundo com artes de cinco a sete dígitos, um outro mundo, onde estavam os Pollacks e Picassos e eu penso que sentiria ainda mais ódio no coração se fosse das artes plásticas porque sem entender muito desse mundo já passo raiva de ver o que faz sucesso e o que eu acho mesmo bonito estarem separados as vezes por milhares de reais, que fico quase grata por não ser um desses artistas de rua que pintam retratos perfeitos que as pessoas perguntam, mas por que não tirar uma foto (!) e eu já fui uma dessas pessoas – também achava a fotografia a coisa mais simples do mundo, ué, é só apertar um botão – ah a juventude é um desastre, por isso quando vejo a Greta militando pelo meio ambiente com 17 anos, a Malala ganhando o Nobel da Paz com 15 e a Billie Eillish com 8 grammys aos 18 penso que deve ter algo de super dotado nessas meninas da geração Z, devem ter vindo dum material cármico mais aperfeiçoado que nós millenials, que nos perdemos na internet, não nos fez bem receber toda informação do mundo aos 13 anos. Decerto é mais saudável ter desde os 3 meses, sei lá. Enfim.
Ahhh minha outra observação sobre Herb and Dorothy cheguei me emocionar – bem, como eles eram um casal incrível e como eles moldaram suas vidas em uma paixão comum – será isso ainda possível no século XXI
P.S: esse texto estava no meu arquivo de pandemia e achei que ele não merecia morrer na gaveta. Vai que alguém lê.
Um documentário que é na verdade uma história de amor. Não do amor bem-comportado do casal, mas do amor grandiloquente e obsessivo pela arte, maior que a própria vida!