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Data de lançamento
8 Maio 1959Duração
Durante sua participação num filme sobre a paz, rodado em Hiroshima, uma atriz francesa tem uma aventura amorosa com um japonês, o que reaviva nela lembranças de uma trágica paixão durante a Ocupação.
Entre o passado de guerra e o presente de incertezas, ele e ela tentam tornar imortal este encontro fortuito, através da mistura de tempos, recordações e corpos.
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Metafórico até a medula, e extremamente inteligente. Só conseguia pensar em tantos outros filmes influenciados por esse que nasceu do acaso. A tríade de camadas - personagens francesa e japonês + atores da França e do Japão + as relações entre França e Japão em contexto de guerra - torna o filme um tanto quanto profundo.
Hiroshima Mon Amor se lastra em sua memória enquanto explora o esquecer.
O diálogo afetadamente poético escancara que as dores do passado são implacáveis e nossas cicatrizes, janelas através do tempo.
Como toda janela, elas podem nos dar vistas para fora, mas aos outros a vista para dentro, se levantarmos as cortinas.
Mas e quando alguém entra pela janela?
É com essa ideia que o filme lírica e simbolicamente passeia com duas pessoas que exploram um ao outro, se entendendo e aceitando de dentro pra fora. Uma enxurrada sentimental por vezes até exagerada.
“Você me dá um tremendo desejo de amar.”
O que se vê e ouve em Hiroshima faz pensar sobre o quanto incorporamos nossas alegrias e sofrimentos, o quanto de nós está significado no passado e o vão exercício de tentar esquecer o inesquecível.
O filme já começa em uma intensidade absurda e segue assim até o seu último minuto.
A própria narrativa do filme é um poema visual, muito além do romance entre os personagens, cada aspecto do filme é pura poesia.
O roteiro e a direção são absolutamente impecáveis e conduzidos com excelência.
As cenas iniciais do filme são a memória viva dos retalhos das consequências de uma guerra, ainda latentes por todos que vivenciaram aquela experiência.
Tudo aqui é retratado com muita profundidade: trauma, reconstrução, dor, amor, sobrevivência, esquecimento, paz, e a busca incessante pelo reencontro de si mesmos e de um país tentando reencontrar resquícios de humanidade no mundo.
Em meio a esse cenário, Elle (Emmanuelle Riva) encontra o amor em Lui (Eiji Okada) e tudo se desenvolve com a mesma profundidade que envolve o filme, em cada cena, toque, palavra, diálogos, tudo muito intenso entre eles.
É a retratação de um amor quase impossível, ela encontrou o amor em Hiroshima, contra todas as chances no lugar mais improvável, com a partida iminente, e como é doloroso para ambos essa partida.
É identificável a forma como ela tem que partir mas quer ficar, e a cada momento em que se despede é querendo permanecer, e da mesma forma é desesperador ver a agonia dele pedindo para ela ficar, desejando mais tempo com ela, seja uma vida, um dia ou uma hora.
A curiosidade dele com a vida dela, querendo sempre mais e mais dela, como se quisesse conhecer cada aspecto de quem ela era, de quem ela foi e conhece-lá por completo, é tudo muito envolvente.
O desejo de um com o outro, a conexão forte entre eles desde o primeiro momento, a forma como ele a enxergou melhor que qualquer outra pessoa, tudo aumenta a intensidade do drama.
Em dois momentos Elle diz: “é como se o seu corpo tivesse sido feito sob medida pra mim”, e como deve ser realmente intenso viver um amor feito sob medida para si. Dramático e profundo.
Assistido novamente em 20 de agosto de 2026.
Nota: 10/10
O primeiro longa da carreira de Resnais e já vem chutando a porta. O filme é um emaranhado de sentimentos,situações,pensamentos e decisões. Fica difícil ao longo dos noventa minutos observar tudo e não ficar paralisado com tanta poesia romântica passando na tela. A tragédia da guerra mostrada de forma extremamente crua no início já mostra a dureza que vai ser acompanhar o resto da jornada do casal. Tudo mostrado simboliza os vários momentos que irão ter ao longo. O filme é cheio desses simbolismos que une uma cena aqui,outra cena ali.
A narrativa é repleta de detalhes importantes e fica visível em certos momentos o rumo que os personagens irão tomar,principalmente em relação a ficarem juntos. Os diálogos deles sempre soa perfeito demais aos ouvidos e dificilmente não suspiramos quando sai da boca dele um: "Você me dar muita vontade de amar" ou "eu acho que te amo"... A tal da indecisão toma de conta da vida deles,principalmente dela. Elle é inquieta,indecisa e muito neurótica as vezes,quer ficar,mas ao mesmo tempo deseja partir. Inúmeras cenas dentro do filme faz ela se arrepender de ir sem ele,chega no quarto de hotel,volta correndo para encontrá-lo. Chega numa mesa de bar,quer ele ao lado,tenta voltar para seu país,mas fala que não irá conseguir partir sem ele...e por aí vai.
O filme foca pouco na vida pessoal de cada um,principalmente na questão do casamento. Mas é aquele pouco,mas muito intenso. Ambos começam a elogiar os parceiros,mas justamente por aquele velho orgulho de não ficar por baixo,em certo momento um pergunta ao outro se realmente é feliz casado...
O que mais impressiona é a forma em que Lui insiste para Elle ficar. A melhor alternativa que ele consegue ver para toda a situação é o ficar. E mesmo ela não querendo,em todo momento em que ela tenta partir,acaba ficando e as coisas se arrumam por algum tempo. Daí onde os encontros acontecem,se amam,se desejam,declarações de amor pra lá,pra cá e enxergam que um não pode mais viver sem o outro.
Elle é uma mulher de personalidade fortíssima,quando coloca uma coisa na cabeça,já era. Pra fazer ela mudar de opinião tem que ser com muita conversa,muita tentativa. Ao observar todo o trajeto dos dois,principalmente a vontade dela de ir embora,lembrei em vários momentos das frases ditas em "Vidas Passadas",como: "A verdade que aprendi aqui é que você teve que partir porque você é assim. E eu gosto de você como você é. E você é alguém que vai embora..."
>Revisto em 20 de Agosto de 2026
É a segunda vez que assisto a esse em pouco tempo, e tem uma coisa que acho que até comentei da outra vez:
Um amor proibido é tratado de maneira muito criativa, como a Duras sempre faz: Uma guerra impediu que um relacionamento se desenvolvesse. Este amor foi destruído por esta guerra. Ele foi punido com morte e humilhação. Transformou a sobrevivente em uma mulher apática.
Então o que temos com a guerra: destruição, enclausuramento, morte, fim de um amor, castigos.
Quem viveu este amor vai para onde esta guerra acabou. E o que existe lá? Destruição. Apenas revivem-se a guerra e o amor proibido.
Sobre romances de guerra, recomendo Transit, do Petzold.