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Duração
Hôtel Terminus é um documentário realizado em 1988 dirigido por Marcel Ophüls. Com 267 minutos de duração, apresenta a vida completa do crimonoso de guerra nazista Klaus Barbie, agente da Gestapo em Lyon.
Venceu o Oscar de melhor documentário.
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Esse vencedor do Oscar de melhor documentário é daquelas produções que exigem algum conhecimento prévio para entender bem os fatos apresentados nela. A primeira metade, principalmente, é confusa e traz depoimentos na sua maior parte que parecem intermináveis. Na segunda metade o ritmo melhora um pouco e o filme entrega os seus melhores trechos. A sua importância histórica é grande. Infelizmente, faltou uma maior habilidade da direção para tratar melhor o seu tema.
INVESTIGAÇÃO PROLIXA
Cheio de grandes prós e contras igualmente contundentes, HOTEL TERMINUS - que chegou a faturar um Oscar - é mais um loooongo documentário do cineasta Marcel Ophlus acerca do que parece a obsessão pessoal em sua filmografia: expor os nazistas ao esculacho público, décadas após seus crimes de guerra, evitando que se dissimulem na sociedade burguesa dita "mais civilizada".
Em que pese as boas intenções, acaba sendo aquele engodo ideológico meio Hannah Arendt, com direito a frases do tipo "ain extrema esquerda e extrema direita são igualmente contra judeus" (dita por um dos entrevistados), o que além de mentira historicamente comprovada (um bocado de judeus em campos de concentração foi libertado justamente pelo Exército Vermelho da União Soviética) acaba evidenciando a tendência ao sionismo típica de tantas produções que ganham o Oscar
Narrativamente é um filme meio disperso e por vezes (felizmente nem sempre) bastante prolixo em suas quatro horas e meia de duração. Esse problema também está presente num longa anterior de Ophlus, o bonzinho LE CHAGRIN ET LA PITIÉ, no entanto neste o escopo mais amplo do filme, abarcando o colaboracionismo francês de modo mais geral, preenche ligeiramente melhor a extensa duração.
Como HOTEL TERMINUS tem um escopo mais específico, focado na figura do oficial da SS Klaus Barbie, Ophlus acaba perdendo o fio da meada e se dispersando várias vezes em entrevistas redundantes, sobretudo em julgamentos de tipo moral, quando podia ter chutado logo o balde seguindo uma linha mais cronológica e declaradamente intimista sobre a personalidade oculta daquele fascista e sua dissimulação covarde a posteriori, como por exemplo vimos no ótimo documentário brasileiro CIDADÃO BOILESEN.
Ao tentar emular a estrutura de LE CHAGRIN ET LA PITIÉ, mas agora com um recorte mais focado que o longa de 1969, o diretor acaba tornando sua investigação pessoal sem dúvida nenhuma louvável e relevante, todavia também prolixa e cheia de "mais do mesmo". E não é porque o tema é sério e o gênero é documentário que a edição precisa ser tão tacanha e convencional. Basta ver a narrativa bem mais inteligente, ousada e contagiante do recente O.J.: MADE IN AMERICA (outro vencedor do Oscar), que com quase oito horas de duração passa voando e nos prende atentos a cada detalhe, graças a uma montagem inteligente e uso intercalado de reflexões dos produtores com imagens de arquivo e entrevistas.
Feitas essas ressalvas todas e saindo do muro num filme de saldo razoável, apesar dos defeitos todos supra descritos acaba valendo (por pouco) pra um espectador brasileiro a conferida na sessão de HOTEL TERMINUS por um motivo bastante específico e, aí sim, surpreendente por ser menos abordado do que deveria no cinema documental: a fuga de nazistas "arrependidos" para a América do Sul.
Depois que deu ruim pra turma dele na Segunda Guerra, Barbie correu justamente pra se refugiar na Bolívia e no Peru - e ele não é caso isolado entre outros fachos que vieram pra essas bandas, na fase de ditaduras de direita, assumidamente militarizadas, apoiadas pelos "democráticos" imperialistas dos Estados Unidos (que só de fachada eram contra o fascismo). Ophlus vai a campo na Bolívia pra investigar a passagem de Barbie por lá em coisa de uma hora de filme, sem dúvidas o ponto mais alto e original de sua travessia. Pena que, fora isso, seja chuva no molhado e HOTEL TERMINUS pouco tenha a acrescentar além de um esculacho bem intencionado, mas que pesa a mão na execução (e na duração) do produto final.
Absolutamente obrigatório, genial, dilacerante...
Admito: fiquei extenuado ao longo das quatro horas e meia de projeção, mas o diretor faz cada minuto fazer sentido. Admito que talvez pudesse ser reduzido em meia-hora, e que o desfecho parece abrupto diante da pesquisa minuciosa e do sobejo de entrevistas fundamentais, mas estas opções demonstram a recusa do diretor em ser espetaculoso e/ou sensacionalista, conforme foi acusado por uma transeunte que se recusa a conceder seu depoimento para a câmera.
Partindo de um pressuposto documental similar ao prévio A TRISTEZA E A PIEDADE, o filme se deixa confundir com as denúncias de traição interna e exortação do heroísmo nas lembranças da Resistência francesa ao Nazismo, mas o que interessa aqui é uma perspectiva mais aguda: em que medida apenas um homem, "seguidor de ordens", pode merecer o rótulo deletério de perpetrador de crimes contra a Humanidade? Ao reconstituir elementos da infância e juventude do personagem biografado - sem nunca exibi-lo para o espectador - ficamos intrigados com o que há de simultaneamente individualizado e coletivo no comportamento daquele soldado, tão comprometido com o ideário destrutivo teutônico como a maioria dos que viveram em seu País durante a II Guerra Mundial...
Porém, quando o filme se desloca para a América Latina e demonstra a participação do nazista fugitivo em situações de golpes militares na Bolívia - num contexto que já não é mais o das "obrigações de guerra", o filme não apenas escancara a sua genialidade supra-julgamental como dota o seu discurso de uma abordagem muito mais geral que o repúdio ao anti-semitismo ou ao contexto específico da Europa ocupada: o que parece atroz para o diretor, em relação à biografia de Klaus Altmann Barbie, é a sua malevolência transnacional, o que se sobressai esplêndida e dolorosamente quando o cineasta Claude Lanzmann comenta a postura chocante do advogado eurasiano Vergés, que ousa defender o personagem-título, apesar de ter participado de movimentos contrários à invasão francesa na Argélia...
É um filme que cansa e nos estraçalha, mas é absolutamente necessário, tanto cinematográfica quanto histórica, judicial e jornalisticamente. Extraordinário! (WPC>)
Um documento histórico importante mas para o espectador exige muita paciência.
Cade legendas?