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A história se passa na era Tokugawa (fim do século XVIII), no subúrbio de Tóquio, onde samurais pobres vivem em iguais condições que as pessoas das demais classes. Um deles, Matajuro, passa o dia procurando emprego enquanto Otaki, sua esposa, faz balões em casa. Num dia de chuva, Shinza, o barbeiro, rapta a filha de um rico comerciante e a esconde na casa de Matajuro. Tal situação trará graves consequências aos dois.
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Humanidade e Balões de Papel é uma obra delicada que revela a essência da condição humana com uma simplicidade devastadora. Ambientado em um bairro pobre do Japão feudal, a trama não se apoia em grandes eventos, mas sim no cotidiano de pessoas humildes que vivem ali, nas relações silenciosas e nas tensões entre dignidade e desespero.
Os balões de papel do título são uma forte metáfora para a humanidade: frágeis, sujeitos às ações do tempo e do ambiente ao redor, esteticamente belos mas vazios em seu interior. Os balões podem simbolizar essa dissonância entre o que se mostra e o que se sente.
Dirigido por Sadao Yamanaka, que faleceu muito jovem (28 anos), este filme é um dos três que sobreviveram entre os 24 que ele realizou. Em Humanidade e Balões de Papel, ele constrói um retrato poético da vida comum, onde a beleza não está na grandiosidade, mas na resistência silenciosa dos que vivem à margem. Uma poesia que se entrelaça a uma profunda reflexão sobre a condição humana.
Este filme é considerado uma joia do cinema japonês clássico, um gesto de ternura para com a vida, com os defeitos, amarguras, fraquezas e sonhos do ser humano.
Filme de samurai com um esboço de cinema de Renoir. Uma espécie de filme de denúncia social com realismo poético . Infelizmente os variados núcleos me distanciaram levemente da projeção.
Mesmo gostando muito de filmes de samurai, estava com um pouco de receio sobre como seria ver um filme japonês de 1937.
Mas Humanidade e Balões de Papel é, sem dúvidas, uma obra magnífica! Bem a frente de seu tempo, tanto em questão de crítica social quanto, acredito, do cinema em si. Facilmente entra em qualquer lista de melhores jidaigeki. E pela abordagem crítica que tem dos samurais, me admira que o filme tenha sobrevivido ao nacionalismo do Japão fascista.
25 anos antes de “Seppuku” (Kobayashi) Yamanaka destila sua crítica aos valores tradicionais e às classes superiores. O rico comerciante e o nobre samurai Sr. Mori, ambos não têm misericórdia. Matajuro, um rōnin como o Hanshirō de Nakadai, degrada-se enquanto busca algum resquício de humanidade fora de si. A nobreza não tem mais lugar ali, como bem percebe Otaki.
A morte de Sadao Yamanaka foi resultado de críticas como essa. Filiado ao PC japonês e ligado a grupos teatrais de esquerda, desagradou de tal forma o governo nipônico que mandaram-no para morrer na Manchúria aos 28 anos. O desprezo com que sua obra foi tratada fez com que apenas 3 de 22 filmes sobrevivessem à guerra.
Por sorte, “Ninjō Kami Fūsen” permanece como testemunho das ideias do diretor: Matajuro Unno esconde em seus sorrisos e pretensa dignidade a revolta perante a dor do ostracismo social.
Humanidade e Balões de Papel é um ótimo filme do diretor Sadako Yamanaka.
Um dos maiores clássicos do cinema japonês dos anos 1930 e é um filme desconhecidíssimo, em parte devido à morte prematura do diretor, que faleceu antes mesmo dos 30 anos, embora tenha sido um dos nomes mais prestigiados da época. Curiosamente, lembra um pouco o estilo de outro diretor badalado da época, Mizoguchi.
Um olhar bem desconfiado e frio para a pobreza e a miséria no Japão do começo do Séc. XX em uma bela estória.