É inverno e as pessoas estão congelando. É assim na Ucrânia. O leste parece o oeste, o oeste parece o leste. Nessa atmosfera, duas histórias emergem de forma que, num primeiro relance, não parece relacioná-las. A primeira apresenta Olga (Ekateryna Rak), uma jovem enfermeira e mãe. Ela quer mais da vida, quer sair da cidade e do país. Decide ir para a Áustria, onde consegue emprego como governanta e termina como faxineira num hospital geriátrico. A outra história é sobre Pauli (Paul Hofmann), um jovem austríaco. Ele, finalmente, consegue um emprego como segurança, mas é demitido quase que imediatamente. Seu padrasto leva-o à Ucrânia para trabalhar na instalação de máquinas de apostas.
O filme lida com sexo e morte, viver e morrer, vencedores e perdedores, poder e impotência.
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Bem cru e realista, gosto dos filmes do Ulrich Seidi a trilogia Paraíso, foi sensacional aqui mais introspetivo e dramático mas tb interessante, moldura a precariedade urbana e social, as incertezas da vida, e os corações solitários e sedentos... filme forte e apesar de triste, tem algo reconfortante nas entrelinhas.
O com mais contexto
O diretor Ulrich Seidel é um diretor peculiar cujas obras mesmo que às vezes não agradem por completo nunca nos deixam indiferentes com aquilo que presenciamos nela. Esse foi o melhor trabalho dele dos que eu já vi e que chegou a competir em Cannes. Traz duas histórias que parecem confusas de início, mas que vão despertando maior interesse à medida que avançam. Não há no filme grandes acontecimentos ou reviravoltas, mas isso é compensado pelo bom ritmo imposto pela direção.
Só me decepcionei pelo fato dos protagonistas não cruzarem os seus caminhos no final. Algo que eu esperava que acontecesse no decorrer do filme.
Como dito aqui abaixo, uma grande ideia mal executada. Abordagem superficial, personagens que não geram empatia, lentidão desnecessária no decorrer da história, enfim em pouco coisa agrada. Nota 3,0.
Leste e oeste europeus. Trânsito de pessoas, valores morais, ausência de valores. A vida como desagregação e crueza. Muito frio. Intensamente frio. O desajustamento entre mundos possíveis e a dureza suja e fria da realidade. Exasperante. A felicidade é um erro, um engano, uma ilusão. Apenas a dor e a merda. Vida e morte nem sempre são opostos. Fede a mijo, a decomposição. Uma porrada no crânio. Contundente feito um soco. Duro e áspero feito a vida.