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Data de lançamento
17 Ago. 2007Duração
A colisão de um ônibus espacial faz com que um vírus penetre em seus destroços, mudando todos que entram em contato. A psiquiatra Carol Bennell e seu colega Ben Driscoll descobrem que a epidemia ataca quando as vítimas dormem, fazendo com que fiquem insensíveis. À medida que a epidemia se
espalha, fica cada vez mais difícil saber quem está infectado e, para sobreviver, Carol precisa ficar acordada o maior tempo possível para poder encontrar seu filho.
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⚠️ Aviso de Spoilers: Se você ainda não viu esse filme, corra daqui.
Em 2007, a expectativa para "Invasores" estava nas alturas. Era a quarta versão no cinema do clássico livro The Body Snatchers, de Jack Finney (a primeira e melhor é a de 1956, e a de 1978, com o Donald Sutherland, é um clássico do terror). Tinha tudo pra ser um puta filme de ficção científica. Nicole Kidman no auge da carreira, exalando aquela beleza hipnotizante e uma capacidade única de transmitir medo e suspense, ao lado do recém-consagrado Daniel Craig como o novo 007. O diretor alemão Oliver Hirschbiegel assumiu a direção, fazendo uma ficção científica psicológica, tensa, lenta, focada na paranoia e na perda da individualidade humana. Quando o estúdio viu a versão dele, achou chata e sem ação. O que eles fizeram? Demitiram o diretor, contrataram os Irmãos Wachowski pra reescrever o roteiro e chamaram o diretor James McTeigue (V de Vingança) pra gravar um monte de cena de ação genérica, perseguição de carro e tiros no meio da noite. O resultado foi um Frankenstein cinematográfico. O filme tem duas cabeças tentando ir pra lados opostos!
A trama até tenta construir um clima de paranoia, mas desmorona na bizarrice pura. A epidemia alienígena que se espalha pela Terra chega através de um ônibus espacial destruído. E como esse vírus cósmico passa de uma pessoa para a outra? Da forma mais nojenta e constrangedora possível: vômito e catarrada alienígena direto na cara ou na comida das vítimas! A cena da Nicole Kidman tentando disfarçar no meio de uma reunião pra não tomar um café batizado no espaço chega a dar vergonha.
A única regra pra não ser dominado pelo parasita é não dormir: se você fechar o olho, acorda virado num zumbi engomado e sem emoções. A partir daí, a Nicole Kidman passa o filme inteiro à base de Red Bull, anfetamina e café tentando não cochilar, parecendo uma estudante desesperada em semana de prova final de faculdade. Só que o elenco inteiro já atua de forma tão engessada desde o primeiro minuto que fica impossível diferenciar quem foi infectado e quem tá normal. O Daniel Craig atravessa o filme inteiro com a mesma cara de paisagem de quem tá lendo um panfleto de supermercado.
Pra piorar, a tal reescrita do estúdio meteu uma perseguição de carro no final que não combina em nada com o resto do filme. A Nicole Kidman dirige um carro pegando fogo enquanto alienígenas pulam no capô parecendo zumbis de filme genérico. E o final feliz é absurdo! A preguiça foi total. A cura veio através do sangue do filho da protagonista, distribuem vacinas e o filme simplesmente decreta que todo mundo sarou e ninguém lembra de nada! As pessoas que mataram os vizinhos e vomitaram no café dos outros voltam a trabalhar na segunda-feira como se nada tivesse acontecido. Cê é louco.
"Invasores" pegou dois astros gigantescos do cinema, um conceito clássico de paranoia sci-fi e transformou num caça-níquel retalhado na sala de edição. É um filme fraco, picotado e infinitamente inferior aos originais, que desperdiçou o talento da Nicole Kidman e do Daniel Craig numa salada mista temperada de vômito alienígena, sono, Red Bull e correria sem sentido.
Um filme tão fraco que me deu até fraqueza.
Não tive qualquer contato com o livro mas, no quesito filme, Invasores de Corpos (1978) é 1000x maior&melhor.
Até remakes que fazem de si mesmos são ruins, impressionante isso.
rapaz, que filme ruim kkkkk. não me pegou não.
Não é essa coca-cola toda, mas também não chega a ser um Dolly. Assistível.
É raro encontrar uma obra literária que, não sendo muito conhecida e nem aclamada universalmente, tenha sido adaptada tantas vezes, ao cinema, quanto "The Body Snatchers", de Jack Finney. E impressionante o fato da quarta adaptação ser, não obstante o fato de possuir a maior quantidade de material para se inspirar, a mais fraca.
E isso se deve, sobretudo, ao fraco roteiro. O filme até começa de maneira interessante, construindo um suspense acerca da misteriosa doença que está se espalhando e dos efeitos dela nas pessoas. No entanto, dos primeiros quarenta minutos pra frente, a história vai, gradativamente, apagando o lado da ficção-científica e acentuando o lado da ação, o que prejudica bastante a trama.
Não à toa, é a partir daí que o enredo torna-se cada vez mais confuso e, por consequência, desinteressante ao espectador. Além disso, acompanhamos uma série de furos no roteiro, acontecimentos mal explicados e uma história que não sabe no que focar. Mesmo com o filme até possuindo algumas cenas que, fora do contexto, poderiam ser interpretadas como boas, elas se perdem em meio a inúmeros outros momentos que tiveram execução ruim e que parecem ter sido escritos à pressa por algum roteirista.
Por exemplo, a mãe que está desesperada em encontrar o filho, mas esquece de simplesmente ligar ao celular dele. O técnico de laboratório que mal descobre a doença e, dois depois, aparentemente já sabe tudo sobre ela. O fato dos pesquisadores não procurarem outras pessoas imunes e focarem somente na criança. E, claro, a cena em que a doutora tem uma injeção de adrenalina no bolso e, por algum motivo, prefere arriscar cair no sono ao invés de usá-la.
Também não é bem desenvolvido o que esses seres alienígenas realmente querem. Em dado instante, fica parecendo até que essa invasão pode ser benéfica, pois, após o seu início, vemos notícias de fins de guerras, medicamentos gratuitos sendo distribuídos e assim por diante. Se eles possuem alguma má intenção por trás, em momento algum é mostrado.
Sendo assim, o filme, perdido nas próprias incoerências do roteiro e sem saber ao certo se quer ser ficção-científica, ação ou suspense, acaba, no final das contas, não sendo nada disso. Nicole Kidman está deslumbrante na película, mas ela e o restante do elenco apenas podem fazer o que é possível com o script que lhes foi entregue e, convenhamos, não é suficiente para salvar isso aqui. Um desperdício de tempo para o espectador, e um desperdício ainda maior de uma proposta que possuía potencial.