A mãe está morrendo e o pai nunca se importou com isso. As duas irmãs Ana (Maria Galant) e Ju (Anaïs Wagner), no entanto, permanecem fortes e solidárias entre si, mesmo que o mundo ao seu redor desmorone e asteroides caiam do céu.
Indicado para dois prêmios fora da competição principal no Festival de Berlim. O filme é simples, mas eu gostei bastante pelo clima underground e até meio anos 90 que ele tem. As duas atrizes estão muito bem e o ritmo meio bucólico de como as coisas vão acontecendo me conquistaram bastante, gosto de filme assim, que não tentam ser mais do que é, mas que conseguem ter ideias inventivas para prender a atenção do espectador e amarrar a narrativa. O final foi arriscado e corajoso, do tipo que não agrada uma multidão, mas que para mim caiu como uma luva. Uma grata surpresa.
A diretora Luciana Mazeto neste longa constrói uma narrativa simples que a princípio apresenta ao telespectador o conflito da tradicional família brasileira: pais separados e em meio aos conflitos naturais de fim de um relacionamento duas filhas: uma adolescente com toda a vontade de explorar e viver e a outra uma criança de aproximadamente 11 anos. Elas viajam juntas para uma pacata cidade do interior do Rio Grande do Sul onde reside o pai, para resolver algumas pendências jurídicas.
Ainda no caminho para a cidade a irmã mais nova se destaca pela sensibilidade de se conectar com a natureza. Isso se confirma, logo quando elas chegam à cidade e vão tomar banho de cachoeira, por vezes, algumas coisas curiosas acontecem:
passagem de um meteoro pela órbita brasileira e ao estranho acontecimento de mulheres que passam a andar nuas pelas ruas de várias cidades do Brasil. O que parece ser deslocado da história, mas que a todo momento prenuncia que as mulheres estão se "rebelando" e saindo das amarras patriarcais.
Senti que cineasta Mazeto diluiu a sua mensagem em pequenos fragmentos muito sutis, sendo revelada com mais evidência as cenas que precedem o final. Sobretudo, quando
Ana é confrontada pelo pai quanto a sua forma de ser: livre e independente evidenciando o quão é retrógado e moralista a figura representada pelo pai que, logo, contrasta com as críticas feitas por Ju ao modo de vida da madrasta.
Neste momento, fica claro o viés feminista do filme e revela que esta cidade, não é apenas um sítio arqueológico de fósseis de dinossauros, ela representa o atraso à respeito do poder feminino e as questões de gênero. Aqui o pai é representa todo o falso moralismo, a misoginia e o ataque que as mulheres desde a tenra idade sofrem.
quando uma mulher beija um homem será que é dele que a cidade fala?
Por fim, é um filme simples que discute com delicadeza sobre essas diferenças que impactam de sobremaneira a vida de meninas, adolescentes, jovens e mulheres do país.
Um novo meteoro prestes a dizimar os dinossauros atuais da Terra. Mas nesse interessante longa de Luciana Mazeto e Vinicius Lopes, os dinossauros atuais são a mentalidade tacanha machista patriarcal e o meteoro a libertação feminina profissional e sexual. O poder de uma nova geração é concentrado nas duas irmãs protagonistas do longa, mas principalmente na mais jovem, dotada de capacidades espetaculares que as gerações mais velhas podem não conseguir compreender (em contrapartida, no entanto, a cumplicidade entre as duas irmãs mostram que não é necessário palavras quando duas mulheres querem trocar confidências). Luciana Mazeto faz um filme poético e sensível, sabendo utilizar muito bem os simbolismos de sua trama para a mensagem que quer passar.
Indicado para dois prêmios fora da competição principal no Festival de Berlim. O filme é simples, mas eu gostei bastante pelo clima underground e até meio anos 90 que ele tem. As duas atrizes estão muito bem e o ritmo meio bucólico de como as coisas vão acontecendo me conquistaram bastante, gosto de filme assim, que não tentam ser mais do que é, mas que conseguem ter ideias inventivas para prender a atenção do espectador e amarrar a narrativa. O final foi arriscado e corajoso, do tipo que não agrada uma multidão, mas que para mim caiu como uma luva. Uma grata surpresa.
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A diretora Luciana Mazeto neste longa constrói uma narrativa simples que a princípio apresenta ao telespectador o conflito da tradicional família brasileira: pais separados e em meio aos conflitos naturais de fim de um relacionamento duas filhas: uma adolescente com toda a vontade de explorar e viver e a outra uma criança de aproximadamente 11 anos. Elas viajam juntas para uma pacata cidade do interior do Rio Grande do Sul onde reside o pai, para resolver algumas pendências jurídicas.
Ainda no caminho para a cidade a irmã mais nova se destaca pela sensibilidade de se conectar com a natureza. Isso se confirma, logo quando elas chegam à cidade e vão tomar banho de cachoeira, por vezes, algumas coisas curiosas acontecem:
como o diálogo silencioso entre as irmãs apenas pelo olhar uma da outra
A chegada das irmãs ao pequeno vilarejo soma-se a
passagem de um meteoro pela órbita brasileira e ao estranho acontecimento de mulheres que passam a andar nuas pelas ruas de várias cidades do Brasil. O que parece ser deslocado da história, mas que a todo momento prenuncia que as mulheres estão se "rebelando" e saindo das amarras patriarcais.
Senti que cineasta Mazeto diluiu a sua mensagem em pequenos fragmentos muito sutis, sendo revelada com mais evidência as cenas que precedem o final. Sobretudo, quando
Ana é confrontada pelo pai quanto a sua forma de ser: livre e independente evidenciando o quão é retrógado e moralista a figura representada pelo pai que, logo, contrasta com as críticas feitas por Ju ao modo de vida da madrasta.
Nas palavras da personagem Ana:
quando uma mulher beija um homem será que é dele que a cidade fala?
Por fim, é um filme simples que discute com delicadeza sobre essas diferenças que impactam de sobremaneira a vida de meninas, adolescentes, jovens e mulheres do país.
Um novo meteoro prestes a dizimar os dinossauros atuais da Terra. Mas nesse interessante longa de Luciana Mazeto e Vinicius Lopes, os dinossauros atuais são a mentalidade tacanha machista patriarcal e o meteoro a libertação feminina profissional e sexual. O poder de uma nova geração é concentrado nas duas irmãs protagonistas do longa, mas principalmente na mais jovem, dotada de capacidades espetaculares que as gerações mais velhas podem não conseguir compreender (em contrapartida, no entanto, a cumplicidade entre as duas irmãs mostram que não é necessário palavras quando duas mulheres querem trocar confidências). Luciana Mazeto faz um filme poético e sensível, sabendo utilizar muito bem os simbolismos de sua trama para a mensagem que quer passar.