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Data de lançamento
13 Nov. 2019Duração
Paris, final do século 19. O capitão francês Alfred Dreyfus (Louis Garrel) é um dos poucos judeus que faz parte do exército. No dia 22 de dezembro de 1884, seus inimigos alcançam seu objetivo: conseguem fazer com que Dreyfus seja acusado de alta traição. Pelo crime, julgado à portas fechadas, o capitão é sentenciado à prisão perpétua no exílio. Intrigado com a evolução do caso, o investigador Picquart (Jean Dujardin) decide seguir as pistas para desvendar o mistério por trás da condenação de Dreyfus.
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Tem seu valor histórico certamente por retratar um capítulo importante sobre a justiça(injustiça) mas no geral é um filme apenas correto, sem grande novidade narrativa ou mesmo um roteiro que fuja muito do clássico filme biográfico. Eu esperava mais vindo do Polanski ou pelo menos algo mais perturbador. Polanski passando o pano em si mesmo mas como o próprio filme faz questão de lembrar existem três lados da verdade: a de um lado, a do outro e a verdade .
Assistido em 13/07/2025
O caso Dreyfus não é apenas sobre injustiça. É sobre o poder das instituições na modernidade, sobre preconceito, sobre reformular o aparato jurídico em busca da verdade. Sabe-se que as narrativas podem ter diversos vieses e que, muitas vezes, a verdade é apenas questão de ponto de vista. Milimetricamente construído (ambientação soberba), o fato não comporta interpretações: não se trata de afirmar a inocência categoricamente, mas de fazer o sistema aceitar (sem ruir) a fragilidade das provas.
Este drama conta muito bem a interessante história do escandaloso “Caso Dreyfus”, que envolveu a cúpula das Forças Armadas da França, a qual, no ano de 1894, condenou um capitão do exército à prisão perpétua, num processo judicial militar eivado de erros, fraudes e más intenções, sem que ao acusado fosse dado chances de uma defesa legal.
O capitão era inocente e foi escolhido aleatoriamente por oficiais (ou também por ser judeu e de personalidade indesejável na elite aristocrática das F.A.), que plantaram prova grafoscópia falsa contra o acusado, visando dar roupagem de uma suposta traição por espionagem em favor da Alemanha, com o objetivo de despistar esta sobre a montagem de um moderno e possante canhão – arma estratégica da França, desenvolvida para enfrentar os alemães num iminente novo conflito entre as nações.
Dreyfus cumpriu severa pena de prisão por vários anos na Guiana Francesa, sendo inocentado somente em 1906, após dificílimas revisões processuais, que mobilizaram a opinião pública da França (inicialmente apoiadora das F.A.), atraindo a atenção da imprensa e de intelectuais como Émile Zola.
A narrativa do filme é repleta de detalhes (tipo documentário), o que requer atenção e paciência do expectador, mas me parece necessária tal forma, para boa compreensão do caso, e no final vale a pena o tempo despendido.
A propósito, o desfecho do processo judicial (quando se dá a segunda revisão, e o acusado é declarado inocente), foi um tanto atropelado, pois poderia ter sido feito com mais riqueza de informações.
Vale menos como entretenimento, mas vale muito como conhecimento histórico.
Nota 8.
Ele tem uma meia hora inicial bem complicada, mas necessária para expor quem são aqueles personagens e sua ligação com o caso Dreyfus. No entanto, somente quando Picquart entra na investigação que a história começa a funcionar: quando ele passa a se interessar pelo caso é que nós passamos a nos interessar pelo filme.
Apesar de grande parte da crítica acreditar que Polanski realizou o filme de maneira autobiográfica em razão de seu processo, não acredito que em nenhum momento ele tenha se comparado a Dreyfus ou Picquart, sendo visível o cuidado que ele tem para permanecer neutro nessa questão e tratar os acontecimentos com precisão histórica, até mesmo em prejuízo ao ritmo. No entanto, me pareceu que ele se compara à Zola, artista, o sujeito que sabe que cometeu um crime mas, mesmo assim, denuncia cada um que cometeu as regularidades, razão pelo qual ele dá especial atenção à carta J'accuse.
Impecável na caracterização do período, algo que Polanski já havia demonstrado talento desde os anos 70 com Macbeth e Tess, passando por O Pianista e Oliver Twist mas aqui, de uma maneira mais econômica, fazendo uso de efeitos especiais (e de uma forma bem mais eficaz do que em trabalhos anteriores, como O último portal).