O filme é um retrato-cinematográfico, no qual descobre-se Jane Birkin sob várias facetas, em todos seus estados e em diferentes estações, como ela mesma ou como outras Jane: d’Arc, Calamity Jane, a Jane do Tarzan e a Jane do Gainsbourg. Mulher de mil reflexos, ela muda de cara e de papel para divertir-se com Agnès, que a rodeia, disfarçando-a ao propor ficções ou homenagens: Marilyn, Laurel. Um retrato semeado de mini-ficções, uma ficção semeada de mini-confidências de Jane B., no melhor de sua forma, em livre diálogo com quem a filma, Agnès V.
(Retirado do site Cineplayers)
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- que sensacional! é genial a forma que a varda conduz esse documentário
- uma entrevista que vai ao âmago da entrevistada e da a ela a chance de se abrir, ser tudo o que quer e dar vida a suas várias facetas
- diálogo que da lugar a mini ficções magistralmente levadas a tela
- a arte ganhando vida, a vida virando arte, se confundindo uma com a outra, porque no fundo são a mesma coisa
Cá entre nós, sem exageros, Agnès Varda foi genial, que mulher sensata, profunda, sensível, coesa, criativa e tantas outras coisas mais. Aqui ela vai muito além do documentário, a obra a respeito da Jane Birkin ultrapassa qualquer rotulo, é grande, e é lindo. Quem conhece ao menos alguma parcela da trajetória da Jane vai saber separar o ficcional do não ficcional mas quem não conhece nada ou quase nada vai ficar intrigado, tem pra todo mundo. Para além do formato que é único por si só, que linda fotografia, figurino, composição, enquadramento, tudo tudo...
Mais um projeto único e brilhante da diretora que só ela conseguia ter a ótica que teve por detrás das câmeras.
A peculiaridade de Agnes enxergar seus atores vai tão além que ela mesma não se contém de deixar de participar de suas alegorias.
Neste filme-homenagem sobre Jane Birkin, um ícone do cinema franco-saxão, a diretora explora as inúmeras faces dessa atriz sendo que em poucos momentos de fato se debruça sobre sua arte, e sim traduz os meandros de sua vida por meio de planos-sequências fragmentadas que as mesmas expõem suas dúvidas do que se tornará a junção daquilo tudo.
Achei linda sobretudo a franqueza da metalinguagem que as duas se propuseram nesta empreitada.
Duas queridas <3
“É como se eu filmasse o seu autorretrato. Mas você não estará sempre sozinha no espelho. Haverá a câmera, que é um pouco eu. E tanto faz se eu às vezes aparecer no espelho ou no espaço.”