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Data de lançamento
21 Dez. 2007Duração
Início dos anos 80. A União Soviética invade o Afeganistão, o que chama a atenção de políticos norte-americanos. Um deles é Charlie Wilson (Tom Hanks), um homem mulherengo e polêmico que não tem grande relevância política, apesar de ter sido eleito 6 vezes para o cargo. Com o apoio de Joanne Herring (Julia Roberts), uma das mulheres mais ricas do estado que o elege, e do agente da CIA Gust Avrakotos (Philip Seymour Hoffman), Wilson passa a negociar uma aliança entre paquistaneses, egípcios, israelenses e o governo norte-americano, de forma que os Estados Unidos financiem uma resistência que possa impedir o avanço soviético no local.
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“Charlie Wilson's War” narra de maneira cativante a trajetória de um político, uma influente socialite e um agente da CIA que, juntos, desempenham um papel crucial na conclusão da Guerra Fria. Embora não tenha recebido muitos elogios por parte da crítica nos Estados Unidos, o filme compensa essa recepção com uma narrativa real e um elenco excepcional.
Classificação: 7/10
No ano de 1979, a invasão soviética ao Afeganistão desencadeou uma forte resistência entre os habitantes locais, especialmente os mujahideen, os "guerreiros sagrados" das montanhas. Naquele contexto, os Estados Unidos destinavam apenas US$ 5 milhões por ano a operações secretas contra os soviéticos. Essa quantia se mostrava insignificante diante da brutalidade do conflito e, para que os afegãos tivessem chances reais de sobrevivência, era imprescindível reunir mais recursos e armamentos.
É nesse cenário que entra em cena Charlie Wilson, um congressista texano interpretado por Tom Hanks. Encorajado (ou quase coagido) por sua amiga Joanne Herring, vivida por Julia Roberts, junto de sua assistente Bonnie Bach (Amy Adams), Charlie decide visitar o Afeganistão. Ao se encontrar com o presidente Mohammed Zia ul-Haq, e ao testemunhar a realidade dos refugiados, ele se compromete a usar sua influência no Subcomitê do Orçamento para Defesa a favor dos afegãos.
Durante essa jornada, ele se une a Gust Avrakotos (Philip Seymour Hoffman), um agente da CIA que busca auxiliar os afegãos na luta contra os invasores. Juntos, ao longo de nove anos, eles conseguem aumentar o orçamento destinado ao Afeganistão de US$ 5 milhões para impressionantes US$ 1 bilhão, formando uma colaboração sem precedentes entre diversas potências do Oriente Médio. A saga culminaria com a retirada das tropas soviéticas, marcando o fim da guerra em 1989.
Embora essa narrativa real seja pouco reconhecida, o mérito por encerrar a Guerra Fria geralmente é atribuído ao presidente Ronald Reagan. O filme, no entanto, aborda questões políticas e até religiosas de maneira envolvente, graças à direção de Mike Nichols e ao roteiro de Aaron Sorkin, que inserem elementos de humor ao longo da trama.
O sucesso do filme é, em grande parte, atribuído ao elenco estelar. Tom Hanks, no papel principal, traz um carisma único à sua atuação. Julia Roberts se destaca como Joanne Herring, enquanto Philip Seymour Hoffman, que já possui reconhecimento por sua grande capacidade dramática, brilha como o espião da CIA. Sua performance neste filme lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante, mesmo que não tenha saído vitorioso.
Além dos protagonistas, o elenco conta com outros talentos, como Amy Adams como a assistente Bonnie, Ned Beatty como Doc Long, o chefe do Subcomitê de Defesa, e Om Puri, famoso ator indiano, no papel do presidente Zia, além de participações de Emily Blunt e John Slattery.
A responsabilidade pelo figurino ficou a cargo de Albert Wolsky, vencedor do Oscar, que enfrentou o árduo desafio de vestir não apenas os protagonistas, mas também 900 figurantes, recriando vestimentas de uma época recente que ainda é bem lembrada pelo público.
O filme retrata Charlie Wilson como um herói, um ponto que gerou controvérsia, uma vez que ele era conhecido por seu estilo de vida hedonista, frequentemente visto com um copo de uísque e usando drogas recreativas. A ironia final reside no fato de que os mujahideen, que inicialmente lutaram com as armas fornecidas, mais tarde se tornariam o grupo radical conhecido como Talibã, utilizando esse arsenal contra os próprios Estados Unidos. No geral, “Charlie Wilson's War” é um filme intrigante, bem produzido e que conta com um elenco notável, embora não se encaixe exatamente na lista de filmes indispensáveis.
Curiosidades: O filme foi dirigido por Mike Nichols (seu último filme) e escrito por Aaron Sorkin , que adaptou o livro de George Crile III , de 2003, " Charlie Wilson's War: The Extraordinary Story of the Largest Covert Operation in History" (A Guerra de Charlie Wilson: A História Extraordinária da Maior Operação Secreta da História ) .
Filme com um grande elenco. O mais bizarro, que anos depois os homens ainda continuam fazendo guerra.
Tom Hanks faz um ótimo picareta, domina o filme e serve de exemplo de como era tudo em sua volta. 13/09/2026
Mike Nichols sempre foi muito bom em contar sobre bastidores, nessa história que retrata bem, "Os EUA são excelentes em vencer guerras, mas absolutamente terríveis em administrar as suas vitórias"; o humanismo do poder para os americanos (e infelizmente para quase todo o mundo) é apenas um bom lobby.
1 bilhão para a guerra: sem problemas! 1 milhão para educação: impossível!