Harry (Matías Del Pozo) tem 10 anos e tem uma vida normal para qualquer criança de sua idade na década de 70. Porém, quando seus pais começam a ser perseguidos pela ditadura argentina ele e sua família são obrigados a largar todos os seus bens e fugir para uma fazenda.
Confesso que já faz uns anos que não dou mais bola para o cinema argentino e o próprio alvoroço que existia sobre ele especialmente nas últimas duas décadas me incomodava. É com todo orgulho do mundo e uma dose grande de bairrismo que afirmo que os argentinos poderiam aprender muito com o Carlão Reichenbach em como fazer um filme sobre exílio na ditadura já que este Kamchatcka é um filme pobre, raso e modorrento sobre esta condição. Não há envolvimento com os personagens e nem com o dilema , sei lá , chocho que dói, com um texto piegas e confesso que a narração em off deste menino me irritou.
Lindo, simplesmente lido!
Triste, simplesmente triste para quem ainda vê a repressão como alguma coisa positiva.
Ricardo Darín, o melhor.
A ditadura fica como plano de fundo para um drama familiar, como a história tica, mais pela unidade família, aqui vemos o amor entre todos.
E esse e o trunfo dramático, esperava mais do contexto da ditadura, mas apenas uma passagem vemos os militares, no geral o enredo se constrói no medo e na proteção.
O final e bem melancólico, aliado a narrativa do pequeno Harry. Filme bonito apesar da tristeza nas entrelinhas, toda ditadura e estúpida, seja qual for.
Se por um lado peca ao não explicar muita coisa, por outro lado isto é uma ferramenta interessante pois vemos o filme através da ótica da criança que não tem o conhecimento de tudo. E por mais incrível que possa parecer Ricardo Darín e Cecilia Roth são coadjuvantes de luxo, pois quem leva o filme nas costas é o garoto. Nota 7,5.
Não temos aqui uma carga dramática como aquela vista em A História Oficial, tampouco era essa a pretensão do diretor - o primeiro foi feito ainda pisando nas brasas da ditadura argentina. Kamchatka é íntimo. Somos levados a participar de uma fuga a esmo, ao mesmo tempo que testemunhamos o esforço de um casal para evitar que sua família se desintegre, o que é feito com muito talento por Darín e Cecilia Roth - com assentos reservados no 'voo da morte', procuram, na nova e temeária rotina, preparar os pequenos para o inevitável. Ainda sobre as atuações, o destaque cabe ao menino Matias Del Pozo, (seu El Enano não fica muito atrás), e certamente para Piñeyro, pois é preciso muita habilidade para dirigir crianças e obter espontaneidade nas atuações. Que luz tem a Argentina, que fotografia espetacular - a cena final é um quadro de exposição que permanece quando a tela escurece. Kamchatka encerra com um presente musical, já nos créditos, que nos hipnotiza até a subir a última linha. 7,85