Este site usa cookies para oferecer a melhor experiência possível. Ao navegar em nosso site, você concorda com o uso de cookies.

Se você precisar de mais informações e / ou não quiser que os cookies sejam colocados ao usar o site, visite a página da Política de Privacidade.

    Você está em
  1. > Home
  2. > Artistas
  3. > Kazuyoshi Kumakiri

Kazuyoshi Kumakiri

Nomes Alternativos: 熊切和嘉

5Número de Fãs

Nascimento: 1 de Setembro de 1974 (43 years)

Obihiro, Hokkaido - Japão

Quando, com apenas 23 anos, o estudante de cinema, Kazuyoshi Kumakiri, apresentou, como trabalho de fim de curso de graduação na Universidade de Artes de Osaka, Kichiku: Banquete das Bestas (1997), foi um choque. O filme, uma obra política e extremamente violenta, uma espécie de gore politizado, foi sucesso imediato de público em inúmeros festivais internacionais, sendo aclamado especialmente na Berlinale em 1998. Até hoje é uma obra de referência que mescla terror à vanguarda política.

“De certo modo, Kichiku é um filme muito pessoal. Liberei meus próprios desejos de violência e tentei abrir o interior de minha mente para deixar sair todo o veneno. E está tudo lá, no filme. Senti vergonha de mim mesmo, como se o fato de ser capaz de pensar essas coisas me tornasse a pior pessoa do mundo.”

Kumakiri demorou quatro anos para lançar seu segundo filme Buraco no Céu (2001) aparentemente antagônico à Kichiku. Uma suave história de amor entre dois desajustados que se encontram numa beira de estrada e revivem memórias do passado e anseios. Muitos críticos chegaram a dizer que a obra de Kumakiri pós Kichiku não teria nada a ver com o terror sanguinolento do primeiro filme.

“As pessoas que foram assisitir Kichiku simplesmente porque se tratava de um filme violento, poderão ficar surpresos com Buraco no Céu e pensar que mudei muito entre os dois filmes. Não é verdade e eu realmente não me importo com isso. Mas, é claro, que aprecio quando pessoas como você percebem as semelhanças entre ambos.”

Mas em parte, isso não é verdade. Hoje, 9 filmes depois, com uma obra consistente, fica claro que Kumakiri, já apresentava traços que marcariam seu estilo:

● Os personagens estão sempre à margem de uma sociedade regrada e sufocante. Buscando, numa espécie de revolução silenciosa, romper com este mundo. Observe a paixão de Kinoshita Ichio em Buraco no Céu, o desespero de Honami Igawa em Esboços da Cidade de Kaitan ou a perversão de Yuichiro Ogiwara em Antena.

● O universo dos seus filmes expira uma atmosfera de mistério e fantasia (no sentido fantasmagórico do termo) e camadas de uma realidade fora do comum se sobrepõem sutilmente. É necessário que o espectador construa o sentido, deixe absorver seu tom ficcional, dê um tempo para o decorrer do filme. Ficar em suspenso para refazer a trama. Elementos sobrenaturais são comuns, talvez, na mesma escola de Kiyoshi Kurosawa. Observe: Antena, Casa Devastada: A Doença de Zoroku, Esboços da Cidade de Kaitan.

● A politização de Kichicku, inspirada nos movimentos estudantis de guerrilha e revolucionários de esquerda dos anos 70, está diluída numa outra espécie de sagacidade. A revolução não aconteceu de fato, o Japão está hoje cada vez mais distante de caminhos socialistas ou de movimentos coletivos. Mas sobrevive uma inquietação, uma crítica aos costumes ou até a construção de outros mundos (sci-fi inspirados em mangá) onde podemos atirar, matar e morrer com liberdade. Observe: Freesia: Balas e Lágrimas e Mente Verde, Bastões de Metal, este último, com a presença ilustre do diretor Koji Wakamatsu, ícone do cinema político-sexual japonês.

● As mulheres de Kumakiri são um capítulo à parte. Em Kichiku escolhe como protagonista a jovem líder extremista Masami, uma mulher violenta e revolucionária. Reposiciona a voz feminina em seus filmes - para uma sociedade na qual as mulheres estão um degrau abaixo dos homens que desconsideram sua opinião. As personagens femininas são o elemento revolucionário e definitivo na ficção de Kumakiri. Observe: a viúva Masuda Etsuko em Mulher Volátil, a ex-atriz pornô Nobuko em Nonko, a prostituta S&M em Antena.

Os filmes de Kazuyoshi Kumakiri fogem ao que chamaria de mainstream japonês (filmes extremamente melosos, com personagens infantilizados, muitas vezes incompreensíveis para nossa cultura). Sua obra nos transporta para um universo estético além daquilo que já conhecemos no cinema japonês.