A cidade costeira de Kaitan não é um lugar feliz: o estaleiro está cortando despesas devido às péssimas condições econômicas e os moradores estão prestes a enfrentar outro inverno rigoroso. O filme oferece cinco das muitas histórias que ocorrem simultaneamente na cidade: um trabalhador do estaleiro e sua irmã mais nova perdem o emprego; uma velha mulher recusa-se a desistir de sua casa, único imóvel antigo numa área reconstruída, enfrentando o risco de despejo; o dono de um planetário vê a relação com sua família se deteriorar rapidamente; jovem herdeiro de uma empresa de gás vive seu cotidiano frustrante; e um motorista de bonde vê seu único filho, residente em Tóquio e que está em Kaitan a negócios, recusar-se a visitá-lo.
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monte de história rasa
Simplesmente maravilhoso como disseram abaixo...
As cinco estórias são baseadas em contos, retirados do livro inacabado de Yasushi Satō. O autor não chegou a concluí-lo antes de cometer suicídio, ainda assim “Kaitanshi Jokei” foi publicado postumamente. Partindo do mesmo título do livro, Kazuyoshi Kumakiri cria uma obra-prima do cinema japonês contemporâneo. Os personagens são todos marginalizados, e a violência intrínseca às relações humanas fora de equilíbrio é pungente nas situações sociais. O sistema econômico que se alimenta das próprias crises elimina sem dó os elos mais fracos, privando-os da subsistência. As imagens do filme compõem a melancolia de não saber viver, o ato de culpar-se pelo próprio sofrimento, a dor maior que é estar sozinho. Os temas compostos por Jim O'Rourke parecem emissões musicais do gélido ar de Kaitan, tão integrados que estão ao ambiente da cidade. Todos esses elementos convergem para uma experiência crua de imersão no interior humano - a canção triste e perene do existir, do resistir.