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Sinopse
Grávida e já tendo uma filha, Kika enfrenta a morte repentina do parceiro. Totalmente desolada e sem dinheiro, ela define suas prioridades: manter-se forte e ganhar dinheiro rápido.
Nossa, como serviço público na França paga mal. A coitada não paga escola, anda de bike, se veste feito uma mulamba, não gasta nem com gilete e não consegue pagar o aluguel. Macron, Macron... que coisa. Não é muito o meu estilo, mas gostei. Gostei do carisma meio desjeitada da Kika, gostei de conhecer um pouco desses personagens que buscam/prestam serviços, digamos, pouco ortodoxos, gostei das colegas, até da mamãe doida. É um pequeno diário da vida de uma europeia da classe operária se virando para tocar a vida.
Com uma escrita fluida e perspicaz, o filme é uma releitura envolvente que funciona como um espelho. Ele nos força a olhar para as nossas próprias "vidas secretas" e a questionar o quanto realmente conhecemos as pessoas que estão ao nosso lado.
Muito bom, gosto desses filmes que pulsa ambiguidade, e mescla situações comuns com nuances complexas e universos polêmicos, a atriz é ótima. filmão!!!
Chegou na semana passada na plataforma de streaming Filmelier+ esse filme novíssimo, de 2025, exibido na Semana da Crítica do Festival de Cannes e que é primeiro longa de ficção da diretora francesa Alexe Poukine (que atua como documentarista). É um drama feminino visceral sobre sobrevivência, protagonizada por Manon Clavel, de “A verdade” (2019), num esplêndido e complexo papel, o de uma jovem mãe grávida, que ficou viúva há pouco e precisa enfrentar escolhas inesperadas para sustentar a família em formação. Ela se chama Kika, uma assistente social ainda aturdida com a morte prematura do marido, com quem teve um relacionamento intenso. Ela cuida da primeira filha, ainda pequena, e agora, com um filho para chegar, decide vender roupas íntimas usadas por ela pela internet, um fetichismo que existe aos montes por aí. Devido à urgência financeira, entra aos poucos no mundo do mercado sexual digital. Poukine constrói o retrato de uma mulher vulnerável, dividida entre o trabalho formal e um outro ganha-pão que é novidade para ela, mas malvisto e feito às escondidas. Ela é testada todo dia pela sociedade, portanto é tomada por um dilema moral. Há elementos de outros filmes de temática semelhante, da mulher que tem papel duplo envolvendo sexo para sobreviver, como “Jeanne Dielman” (1975) e “Irina Palm” (2007), e todos os três trazem figuras femininas poderosas na tela, de mulheres que não sucumbem nem ao machismo nem a hipocrisia dos valores pregados pela sociedade. Sem estereótipos ou melodrama, o filme (que tem uma ótima fotografia que evoca a pessoalidade da protagonista) amplia a discussão sobre como mulheres em situação de fragilidade (tanto emocional quanto financeira) são forçadas a recorrer a alternativas inesperadas para sobreviver. Um filme que gostei de conhecer e que recomendo. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom
Nossa, como serviço público na França paga mal. A coitada não paga escola, anda de bike, se veste feito uma mulamba, não gasta nem com gilete e não consegue pagar o aluguel. Macron, Macron... que coisa.
Não é muito o meu estilo, mas gostei. Gostei do carisma meio desjeitada da Kika, gostei de conhecer um pouco desses personagens que buscam/prestam serviços, digamos, pouco ortodoxos, gostei das colegas, até da mamãe doida.
É um pequeno diário da vida de uma europeia da classe operária se virando para tocar a vida.
Com uma escrita fluida e perspicaz, o filme é uma releitura envolvente que funciona como um espelho. Ele nos força a olhar para as nossas próprias "vidas secretas" e a questionar o quanto realmente conhecemos as pessoas que estão ao nosso lado.
Muito bom, gosto desses filmes que pulsa ambiguidade, e mescla situações comuns com nuances complexas e universos polêmicos, a atriz é ótima. filmão!!!
Chegou na semana passada na plataforma de streaming Filmelier+ esse filme novíssimo, de 2025, exibido na Semana da Crítica do Festival de Cannes e que é primeiro longa de ficção da diretora francesa Alexe Poukine (que atua como documentarista). É um drama feminino visceral sobre sobrevivência, protagonizada por Manon Clavel, de “A verdade” (2019), num esplêndido e complexo papel, o de uma jovem mãe grávida, que ficou viúva há pouco e precisa enfrentar escolhas inesperadas para sustentar a família em formação. Ela se chama Kika, uma assistente social ainda aturdida com a morte prematura do marido, com quem teve um relacionamento intenso. Ela cuida da primeira filha, ainda pequena, e agora, com um filho para chegar, decide vender roupas íntimas usadas por ela pela internet, um fetichismo que existe aos montes por aí. Devido à urgência financeira, entra aos poucos no mundo do mercado sexual digital. Poukine constrói o retrato de uma mulher vulnerável, dividida entre o trabalho formal e um outro ganha-pão que é novidade para ela, mas malvisto e feito às escondidas. Ela é testada todo dia pela sociedade, portanto é tomada por um dilema moral. Há elementos de outros filmes de temática semelhante, da mulher que tem papel duplo envolvendo sexo para sobreviver, como “Jeanne Dielman” (1975) e “Irina Palm” (2007), e todos os três trazem figuras femininas poderosas na tela, de mulheres que não sucumbem nem ao machismo nem a hipocrisia dos valores pregados pela sociedade. Sem estereótipos ou melodrama, o filme (que tem uma ótima fotografia que evoca a pessoalidade da protagonista) amplia a discussão sobre como mulheres em situação de fragilidade (tanto emocional quanto financeira) são forçadas a recorrer a alternativas inesperadas para sobreviver. Um filme que gostei de conhecer e que recomendo. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom