King Kong en Asunción

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King Kong en Asunción (2020)
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Média do filme: 3.4 de 5 — baseado em 58 votos
MÉDIAFILMOW
3.4
58 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Camilo Cavalcante
País de origem Brasil 🇧🇷
Duração 90 min (1h30)
Classificação indicativa de King Kong en Asunción: 16 - Não recomendado para menores de 16 anos
Status Streaming

Dirigido por

Duração

90 minutos Classificação indicativa de King Kong en Asunción: 16 - Não recomendado para menores de 16 anos
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Sinopse

Um velho matador de aluguel está escondido no interior da Bolívia, na região desértica do Salar de Uyuni. Acabou de cometer o seu último assassinato. Após meses isolado, ele viaja para o interior do Paraguay onde recebe uma boa recompensa e segue para Asunción com o objetivo de conhecer sua filha.

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Comentários 2
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Co-produção do Brasil, Bolívia e Paraguai que é um drama vencedor de 4 Kikitos de Ouro no Festival de Cinema de Gramado: melhor filme, melhor ator, Andrade Júnior (1945-2019), melhor trilha sonora e melhor longa-metragem em 35mm no Prêmio do Público; no Prêmio Guarani, foi nomeado a melhor fotografia.

O ator cearense que fez o papel principal do "Velho", Andrade Júnior, faleceu antes do filme ter sido lançado. Este foi o 2° longa-metragem do diretor pernambucano Camilo Cavalcante. A atriz paraguaia Ana Ivanova (1973-2025), que interpretou a "Morte" com sua voz, também morreu precocemente. este ano.

A bela cinematografia, infelizmente, faz parte de um filme pouco desenvolvido e lento, cujos inúmeros prêmios são difíceis de entender. O enredo geral é interessante, mas não foi convertido em um bom roteiro. A narração em guarani não compensa a falta de representação de uma cadeia de eventos.

thiago-rossoni
Thiago Rossoni
2 anos atrás

O poder imagético King Kong possui é gigantesco e perpassa por várias camadas alegóricas, sendo atribuído, adjetivamente, à ferocidade e a força física e simbólica do famoso gorila imortalizado no filme homônimo de 1933, de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack. E é através dessa força imagética que Camilo Cavalcante, que parte já do próprio título do filme, canaliza esse poder e feracidade e constrói por intermédio de seu protagonista, um bucólico filme de jornada interior. “King Kong en Asunción” é um road movie doloroso, que convida o espectador a testemunhar feridas que nunca cicatrizam.

Na trama de “King Kong en Asunción” acompanhamos o já velho matador de aluguel (Andrade Júnior), que após realizar um último serviço em terras bolivianas parte para o Paraguai para encontrar com sua filha, na qual nunca conhecera. No caminho ele reencontra velhos amigos e se depara com medos interiores e violentas lembranças de seu passado. Em busca de se encontrar num mundo familiar, porém distante emocionalmente, o Matador se mistura meio a um povo sofrido, que carrega o pesado fardo do apagamento histórico e social.

Partindo de uma região desértica da Bolívia, o filme de Camilo vai construindo, lentamente, o caráter geográfico e apático dos locais em que o protagonista percorre. O caminhar e as andanças do protagonista absorvem completamente o sentido de uma viagem solitária e angustiante, fato que o longa realiza com bastante consciência, abstraindo o tempo e praticamente o congelando. Não é só a viagem que é arrastada, mas as relações também se materializam em uma outra lógica. Desprendida de um mundo supostamente afetuoso e com falsas esperanças, os personagens parecem viver num eterno ciclo de existência onde o presente é o que mais importa. Embora o protagonista possua um objetivo tangível, o futuro nunca parece ser algo efetivo e concreto, os desencontros do agora possuem mais forma e mais textura do que o porvir.

Como dito anteriormente, a geografia é força motriz na composição narrativa do filme. É ela que vai traduzir, em vários momentos, a grandeza dimensional dos lugares, evidenciando, consequentemente, a sua força híbrida passivo-agressiva, ao confrontar as pequenezes das personagens. É à partir de longos planos gerais que a obra insere a desafeição do deserto, da cidade e do centro urbano. Em contrapartida, são os primeiríssimos planos que vão investigar a trajetória do protagonista. Se nesses planos abertos o personagem se transforma em uma pessoa quase insignificante, é por meio dos planos fechados que o passado vem à tona, como uma espécie de cine-rosto, onde as marcas, as rugas e as expressões do tempo esculpem uma trajetória amarga e conflituosa. O cuidado, dentre essas expressões estilísticas citadas, é crucial para que o Matador chame o filme para si. E é nesse encontro de forças visuais que Andrade Júnior externaliza todo a sua potência em cena, numa atuação corporal vigorosa traduzida em sentimentos.

O Matador é esse ser, praticamente um arquétipo, de um sujeito inserido numa sociedade violenta, onde se desumaniza, reprimindo sentimentos e gerando assim mais violência. E é então, nessa clara apatia contraditória do protagonista, que ele se vê num obscuro mundo imperceptível de mercadorias fetichizadas. O dinheiro adquirido através do trabalho realizado permite ao Matador que compre um carro, bebidas, cigarros, que se hospede em luxosos hotéis, mas não permite que se liberte da violência de seu passado e, sendo assim, de suas angústias. Angústias essas que não são verbalizadas, mas que são externalizadas de forma física e sensorial através de pesadelos.

A não verbalização de um passado tão longínquo, porém tão pulsante, é quebrada na narrativa através de uma narração em guarani, interpretada por Ana Ivanova, à partir de um belíssimo texto da escritora Natália Borges Polesso, que rompe com as fronteiras visíveis e invisíveis, corpóreas e espirituais. Os saltos na temporalidade narrativa fazem com que a narração em off seja mais do que um guia, mas também um ser onipresente, que por meio de uma sabedoria ancestral, constrói e desconstrói caminhos trágicos para os personagens que vem e vão ao longo do filme. O saber onírico da narração pode parecer, por tantas vezes, tentar redimir o protagonista, mas não é esse o seu propósito, deixando assim que o personagem siga vagando pelos lugares, alheio ao seu próprio destino.

É com seus encontros e desencontros que o Matador percorre um árduo caminho de auto redenção e, por fim, como já demonstrava simbolicamente ao longo de toda a sua trajetória, materializando o King Kong na cena final. O não-lugar é latente, a latinoamericanidade é clara e é, só assim, na figura de um ser mitológico, que a redenção parece tomar forma. “King Kong en Asunción” é encontro, é o caminho penoso da reconfiguração de um violento passado, é a vultosa aglomeração de pessoas-personagem que possuem identidade, tradição e história. É sorte, destino, sina, castigo e, finalmente, o desejo da liberdade almejada.

moreirajuliarego
júlia moreira
5 anos atrás

nos encontraremos em outro plano. talvez, no cinema

barbarcost
Bárbara Resplandes
5 anos atrás

Me surprendi apesar de já ir não esperando nada acho que esse é sempre o ''segredo'' pra uma obra de arte tocar a gente. Nada fica congelado, estigmatizado ou esterotipado em excesso, tudo se transforma é genérico e especifico, até mesmo a solidão. A ausencia de um nome próprio para o personagem só enriquece mais ainda o longa, ele é apenas ''Velho'' e ''Menino''.. a camera soa muito documental mts vezes e achei isso super acertado com a jornada dele

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

uma pessoa muito real, com seus podres e contradições, afetos, vazio cabuloso, um pai ausente, dá dó e não.. um matador que não se importa com a grana, pareceu que o destino carimbou isso a ele, não fazia por ambição, não viveu um grande amor, não o tinha a ele próprio...''achava as vezes que era bicho, e era...''

a narrativa poética no decurso do filme é maravilhosa, só no final entendi que era a voz

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

da morte

:'(

Filme perfeito pra uma imersão no cinema!

editado

King Kong en Assunción, o longa do diretor Camilo Cavalcante, apresenta alguns dias (os últimos?) na vida de um matador brasileiro foragido no interior da Bolívia. Entre uma execução final e uma aposentadoria; mas afinal, matador se aposenta?, o velho matador viaja até o Paraguai no intuito de ver sua filha, reencontrando dois amigos no caminho, sendo pago pelo seu último serviço. Existe um fio condutor inovador, mesmo que por vezes de difícil percepção. Matadores são portadores de psicopatias assustadoras, não somente porque são capazes de determinar, efetivamente, a vida de outros, mas também porque tendem a ser sacralizados, pois agem como Deus. Tenho muita resistência a admitir pitada, se quer, de humanidades em figuras assim; então, estou sempre disposto a rejeitá-las de plano, não foi diferente com esse...

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Ana Ivanova 0 0

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Andrade Júnior 0 0

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