Em uma noite de 1957, Albertine pula o muro da prisão onde cumpre uma pena por roubo. Na queda, ela quebra um osso do pé: o astrágalo. Ela rasteja até a estrada e é resgatada por Julien. Eles se escondem na casa de um amigo em Paris, até que Julien é preso. Sozinha e procurada pela polícia, a dor física que Albertine perdura é nada comparada com o que a ausência de Julien provoca na carne dela...
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‘Astrágalo’ é a segunda adaptação do romance autobiográfico ‘O astrágalo’, de Albertine Sarrazin (1937-1967), autora nascida na Argélia antes da independência, quando o país norte-africano era de domínio da França. Albertine teve uma vida trágica – com dois anos foi largada na rua pela mãe, adotada em seguida por um médico do Exército; foi estuprada aos 10 anos por um familiar, depois entrou para a prostituição. Presa aos 16 anos por roubo a mão armada a uma loja de roupas, recebeu sentença de sete anos; na cadeia escreveu poesia e romances. No reformatório de Doullens, fugiu, machucou-se e foi socorrida por um motorista de caminhão, Julien, mantendo, ambos, uma vida de crimes. Os dois foram presos diversas vezes, chegaram a se casar na cadeia, até que tiveram de ser afastados um do outro. Albertine trabalhou um rápido período como jornalista, teve relacionamento amoroso com uma amiga e publicou seu primeiro romance, ‘Astrágalo’, em 1964, que virou bestseller, obra que retrata sua vida. O livro originou uma primeira versão, de sucesso, em 1968, dirigido por Guy Casaril, com Horst Buchholz e Marlène Jobert (também argelina e mãe da atriz Eva Green) nos papeis principais. Albertine morreu aos 29 anos após complicações de uma cirurgia às pressas.
Parte dessa trajetória da controversa Albertine é relatada no filme – o longa-metragem já abre com Albertine, à noite, escapando do reformatório feminino de Doullens, onde cai, fere o pé – ela quebra o osso chamado ‘astrágalo’, e se rasteja até a estrada onde será socorrida pelo futuro amor de sua vida, um motorista que também é criminoso. Sem focar nos crimes que cometeram ao longo da vida, é mais um drama romântico de um casal marcado pelo passado, que tem de viver fugindo de lá pra cá. Com muitos closes e enquadramentos íntimos, tem uma belíssima fotografia PB, uma clara homenagem a Nouvelle Vague – o clima de tragédia, com aspectos de cinema noir, é uma constante no filme.
O elenco é bom, com Leïla Bekhti interpretando a protagonista Albertine - atriz de ‘O profeta’ (2009), onde conheceria o futuro marido, o ator Tahar Rahim, com quem é casada, e Reda Kateb como Julien – o ator também fez ‘O profeta’ e aparece hoje em muitos filmes franceses e americanos.
O roteiro adaptado do livro é de Brigitte Sy, uma atriz veterana que também dirige o filme – Brigitte dirigiu apenas dois longas com esse e atuou em mais de 35 longas, como ‘A guerra está declarada’ (2011) e ‘Vida selvagem’ (2014). Disponível em DVD pela Imovision, também pode ser assistido na Apple TV e na plataforma em streaming Reserva Imovision, uma parceria do cinema Reserva Cultural com a Imovision, que reúne todo o catálogo da distribuidora.
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB
Chato pra caramba...
Uma homenagem digna à Nouvelle Vague. Uma excelente estória, com linda poesia e uma personagem fascinante. O cinema francês sempre charmoso!
nunca tinha visto um Filme Francês em P&B... que grata surpresa!!!!!
belo filme.