Nas montanhas do Líbano, uma família muito pobre tenta sobreviver, fazendo o possível para suportar a condição de pobreza e miséria extremas na qual se encontram. Certo dia, o patriarca da família, farto da vida que leva, decide fugir e se mudar para o Brasil.
Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. O filme tem um forte tom nacionalista e segue uma certa linha ideológica contra a emigração para fora do país que o Líbano sempre sofre em tempos de crise, porém, não vi nada exagerado sendo contado. Eu mesmo vivendo como imigrante fora do meu país vejo muitas das coisas que o pai se refere em certo ponto, sair de seu próprio país está longe de ser uma solução fácil, infelizmente é um risco que temos que correr. O diretor consegue exaltar pontos culturais e contar uma história simples e interessante de uma forma bem direta, e de quebra ainda nos envolver com os personagens. Acho que o mais interessante aqui é vermos referências ao Brasil, para nós, brasileiros. É sabido que muitos libaneses enriqueceram por aqui, mas será que eram camponeses sem nada ou esses "Maluf's" da vida que já chegaram abastados? Um filme muito bom, que não envelheceu mal e ainda é muito relevante ao debate que propõe.
BLOG: ORÁCULO ALCOÓLICO
INSTAGRAM: @filmestrangeiros
Uma preciosidade do cinema libanês. O filme se constrói em uma abordagem humanista da relação do homem à sua comunidade, família e terra. Discute, ainda que somente superficialmente, a modernidade ocidental e sua fábrica de ilusões de prosperidade. É bom contextualizar que o Líbano no pós-guerra (Segunda Grande Guerra) passava por uma grande crise ecônomica que foi abrandada por um boom de capital estrangeiro, que mal aplicado, criou um caos social nas áreas rurais e nas populações muçulmanas. Emigrar era o sonho de boa dessa população, e o filme se alia ao discurso do movimento nacionalista arábe para reconstruir os ânimos daqueles que desejavam abandonar sua terra. Brasil era um destino natural devido devido a uma maior facilidade e a comunidade libanesesa que já havia no país. Muitos trabalhando como mascates ou na indústria prosperam, outros faliram. Mas ninguém quer propagar histórias de fracasso. O próprio Nasser estudou cinema nos E.U.A. e tinha propriedade para discutir o tema. Ele coloca aqui e ali sinais da influência do capitalismo ocidental na sociedade libanesa da época, sempre como algo deslocado do ambiente geral ou mesmo ameaçador (o automóvel). Não fosse o final, que sucumbe a maneirismos e soluções anti-naturais, seria uma obra prima. Além desse filme, Nasser, hoje considerado o pai do cinema libanês, só conseguiu filmar mais um filme antes de falecer em 2019.
Obs.: Tem um documentário de 2017 sobre o diretor chamado "Un Certain Nasser". Espero que o MUBI também o disponibilize algum dia.
Filme simples, porém com várias mensagens importantes à sua época. História sobre família, sonho de mudança, relações típicas. Lembra muito o neorrealismo italiano. Eu adorei a valorização e cenas da vila cotidiana e das danças típicas, um bálsamo cultural. Algumas pequenas simplificações de roteiro, mas em meio ao contexto, época e objetivos é uma ótima e diversa experiência. Vale assistir.