A adaptação da obra de Denis Diderot mantém-se fiel ao aspecto crítico e polêmico do original — o filme foi proibido em muitos lugares e mesmo na França teve inúmeros problemas com censura —, ao mesmo tempo em que o diretor adiciona um certo frescor que impede a simples rotulação como um filme baseado em um livro famoso.
A história acontece no século XVIII, onde Suzanne, uma jovem francesa, é forçada pelos pais a entrar para um convento e tornar-se freira. Durante este período, convive com três madres superioras, cada uma tratando-a de maneira completamente diferente, indo do afeto maternal, passando pelo sadismo e chegando ao lesbianismo. Em suas desventuras, a virtude de Suzanne sempre lhe causa problemas.
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Quando o amor morre na espiritualidade, só resta solidão, martírio, subjugação e opressão, frutos de uma religião dogmática.
Vindo de Rivette, que é um diretor ao qual desprezo e muito, é um filmaço. Mas numa avaliação geral me pareceu que toda a primeira parte é bastante comum com todo aquele papo mole das agruras e maus tratos recebidos nestas instituições católicas no passado que já retratadas no cinema diversas vezes . Todavia no segundo convento o filme cresce ao passo que cresce o sentido de imoralidade daquele ambiente. Sinceramente o desfecho me pareceu incabível, toda a luta pela liberdade não valia a pena? Então qual o sentido da existência do filme, critica o que afinal de contas?
A história de Suzanne é desesperadora e soa o inacreditável, porém sendo ela escrita no século XVIII, é totalmente crível que Diderot tenha se inspirado pela história de sua irmã.
A sucessão de tragédias que acontecem com Suzanne são muito bem defendidas por Anna Karina, que arrasa no papel trágico da protagonista.
Apesar de ser uma adaptação de uma historia do século XVIII, o roteiro tem todo o clima da nouvelle vague, os aspectos psicológicos dos personagens, muito imperfeitos e reais, mostrando um outro lado da vida nos conventos, os jump cuts e closes no rosto sofrido de Anna Karina. Rivette só errou em estender demais, 135 minutos de puro sofrimento deixou algumas passagens cansativas.
Dividido em três momentos, temos uma protagonista refém de seu tempo ingressando em um convento para tornar-se freira, mesmo declarando não ter vocação para essa vida. Nesse meio, depara-se com três madres superioras que serão figuras centrais em sua jornada; uma lhe oferece acolhimento materno, outra é totalmente sádica e a última ameaça sua inocência a partir de uma tensão sexual lésbica.
O filme é opressivo, forte e causa indignação, afinal de contas, estamos à mercê da crueldade de uma comunidade que discursa em prol do amor de maneira hipócrita.
Filme repleto de mistério e assuntos subtendidos.Anna Karina em outra fenomenal apresentação.O drama que a atriz vive move o filme.Uma crítica funcional.
>Assistido em 02 de Dezembro de 2022