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O relato de uma família, atingida pela miséria, que vive em Teerã, nos dias que antecedem o casamento de Somayeh, uma linda e afável jovem, com um afegão supostamente rico. Enquanto os membros deliberam sobre o casamento, ela está preocupada com o restante da família, que inclui a mãe doente e tola, um irmão usuário de drogas, uma irmã compulsiva, uma, que não sabe o que quer da vida, um irmãozinho com o QI incrivelmente elevado e o irmão mais velho e astuto, que precisa muito de dinheiro.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Em um momento do filme, Parinaz Izadyar (Somayeh) sugere ao irmão, Payman Maadi (Morteza), que dê um presente ao caçula da família Mehdi Ghorbani (Navid), devido ao desempenho muito acima da média que comprova o boletim escolar do garoto, que ela lhe mostra. Morteza chama o menino para lhe dar um dinheiro, mas só o faz se ele dançar; este o faz, mas sem jeito, desengonçado. Não importa, a essa altura todos os irmãos já entraram na dança e essa cena comovente parece mostrar uma luz no final do túnel para essa tumultuada família iraniana.
A cena é uma ilusão ou talvez remeta a um desejo muito profundo que todos eles têm ali. Afinal, ninguém gosta de estar chafurdando em conflitos familiares, especialmente aqueles que são provocados pela falta de dinheiro, que, no fim das contas, representa também completa falta de autonomia. Eles agem de acordo com necessidades vitais e não com o desejo moral ou vontade própria, é o que vemos ao longo das discussões que todos eles travam em torno casamento de Somayeh.
Há uma seiva karamazoviana nesse filme, que se dá especialmente pela interpretação de Navid Mohammadzadeh (Mohsen), o irmão que é desajustado, vende drogas, é viciado, mas tem um senso moral que vemos em alguns personagens de Dostoiévski. Apesar das dificuldades financeiras da família, ele não aceita que a irmã se case por dinheiro, contrapondo-se à Morteza nesse assunto. Cabe a ele, o melhor ator em ação nesse filme, alguns dos momentos dramáticos que produzem a força emocional e revelam o quão distante essa família está da quase idílica cena da dança, já descrita.
O filme não promete nenhuma libertação ou solução para o problema da família. Isso não existe. Amanhã será um outro dia. Há esperança em Mohsen, não tanto por seu significativo desempenho escolar, mas porque não o vemos contaminado pela ruína em seu entorno. Saímos do filme acreditando que nele e na irmã, Somayeh, é possível que essa família aspire a uma felicidade que julgamos merecedora.
Atuação fantástica de Navid
Que beleza de roteiro. Todas os problemas enfrentados pela família retratada é brilhantemente escrito e o texto ganha mais força nas atuações de todo o elenco. Imperdível!
Um amargo drama com vernáculo imaculado
Estava achando tudo interessante, reconheci o bom ator Peyman Moadi (dos filmes de Asghar Farhadi), mas quando voltaram aquelas intermináveis discussões familiares por volta de 1h20min mais ou menos, o entusiasmo diminuiu. Além disso, exceto por uns poucos detalhes que caracterizam o filme como persa, ele poderia se passar na China, na Itália ou no Brasil que não faria muita diferença.