Ainara, uma jovem de 17 anos muito promissora, idealista e órfã de mãe, vive a expectativa de definir que carreira universitária seguirá. Entretanto, em vez de optar por uma carreira convencional, Ainara anuncia à sua família que sente cada vez mais próxima de Deus e que sua vocação é entrar para um convento de clausura, o que causa choque, dúvidas, conflitos e isolamento no seio familiar.
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Isso está longe de ser um filme Católico igual alguns estão dizendo, está mais para uma sátira pessimista do fim das relações humanas.
A diversão aqui é a crítica a sociedade conservadora chegar de modo inverso, com uma filha com vergonha e tentando revelar aos poucos que quer ser freira em uma família católica tradicional conservadora que quer que ela siga o caminho tradicional (se case, tenha filhos), essa visão é abraçada tanto pelo pai conservador (que reage com indignação quando descobre que a filha fez sexo), quanto pela tia progressista (que se sente a libertadora que vai salvar a menina de uma lavagem cerebral).
Todo mundo sabe que o catolicismo é o berço do conservadorismo na Espanha e está por trás da inquisição espanhola, da conveniência com a ditadura Franco, dos maiores escândalos de abusos engavetados, etc.., e por isso essa sátira funciona tanto, ao mostrar que a família que vai lutar contra a vocação religiosa da moça é justamente dos seguidores da religião (Destaque pra cena que dizem que quer que ela faça faculdade e por isso não siga pro convento, a freira não aguenta e dá risada dizendo que também está cursando faculdade).
Quando cada um vive apenas a sua verdade sem entender o outro não existe nenhum caminho pra seguir. A religião aqui é apresentada como fuga da realidade em um mundo onde todos fogem da realidade o tempo todo.
E a ironia maior do filme é a personagem menos conservadora e mais mente aberta da história ser justamente a menina freira