Quem gosta de pesquisar sobre serial killers com toda certeza já se deparou com a história do Unabomber. Ele é, sem sombra de dúvidas, um dos maníacos mais interessantes (se é que podemos usar essa palavra aplicada a essa situação), que já se abateu sobre os Estados Unidos. E olha que a terra do Tio Sam é um campo muito prolífero quando o assunto é assassino em série. Seja por sua motivação nada convencional ou pela forma que matava, ainda mais inusitada, Kaczynski foi uma figura muito sombria da história americana e que até hoje desperta muitas dúvidas. Por isso, estava ansioso para assistir a este filme, mas o problema é que o personagem, a figura real, era complexa demais para talentos tão pouco aptos a trabalhá-la.
Ted Kaczynski, um jovem prodígio da matemática em Harvard, é submetido a controversos experimentos psicológicos conduzidos pelo professor Henry Murray. Anos depois, enquanto Kaczynski se transforma no terrorista conhecido como Unabomber e inicia uma campanha de atentados com bombas enviadas pelo correio, a agente do FBI Joanne Miller participa da longa investigação para descobrir sua identidade. Entre passado e presente, a caçada revela como o isolamento, as experiências vividas em Harvard e as convicções extremistas de Kaczynski contribuíram para sua transformação.
O Kaczynski real foi uma figura avessa ao desenvolvimento tecnológico, mas não era só isso. Ele era uma pessoa com distúrbios mentais muito sérios e muito complexos, como esquizofrenia e paranoia. Ele não é aquele serial killer "tradicional" que teve problemas de rejeição paterna ou sexual, que serviu de gatilho para despertar seu interesse pela matança. Não, nada disso. Ele foi uma figura extremamente inteligente, que tinha uma visão muito peculiar do mundo, que não conseguia enxergar um papel natural no processo evolutivo da humanidade e que acabou desenvolvendo uma misantropia fundamentalista, ocasionando diversas vítimas. E, conhecendo Hollywood, a gente sabe que jamais conseguiriam retratar com a profundidade adequada e esperada uma história como essa.
Eu não acho que serial killer tenha que ser enaltecido, nã é isso. Mas, a partir do momoento que você se propõe a retratar uma história como essa, é preciso ser fiel aos acontecimentos. Não por conta do matador, mas por conta das vítimas. Elas, infelizmente, fazem parte dessa história e precisam ter suas jornadas respeitadas. Então, quando você começa a bagunçar todo o meio de campo, está mais uma vez prejudicando a memória daqueles que se foram.
O roteiro é dividido em duas linhas temporais: a primeira com Ted adolescente, na fase em que ele participou dos experimentos com a CIA, e a segunda durante a busca e a investigação nos anos 90. E o filme consegue ir mal nas duas. Na primeira, nós temos Russell Crowe e Jacob Tremblay, que são excelentes atores e entregam muito, mas aqui o texto deles é tão panfletário, tão simplório, que não funciona. Enquanto isso, no futuro, Shailene Woodley é uma amálgama de diversas pessoas que tentaram esclarecer este caso. E eu tive uma sensação tremenda de anacronismo, porque isso deveria se situar em mais ou menos por volta de 1996, só que, às vezes, os diálogos, os cenários, tudo me soa como algo do Século XXI em diante, 2010, 2020. E isso só ajuda na fuga mental que esse filme me causou.
Unabomber é um serial killer complexo e não é simples analisar as ideias dele. E fazer um trabalho qualquer, de qualquer jeito, não é a escolha adequada para tentar explicar um pouquinho dessa mente perturbada, se é que alguém chegou perto de conseguir esse feito. Este filme não é nem de perto indicado para quem quiser conhecer mais sobre este fato tão sombrio do final do século XX, porque ele só pincela tantos detalhes sobre a vida de Kaczynski e não explora nada das vítimas ou da investigação de décadas. É como se a produção fizesse parecer que tudo foi uma coisa simples, rápida. No fim, é só mais um dentre tantos títulos de true crime feitos apenas para movimentar a máquina que esse gênero acabou se tornando. Porque, se você quer conhecer precisamente o que aconteceu, ele não serve para isso.
O filme é muito bem atuado, principalmente por Jacob Tremblay na fase de Harvard. Por mais que traga elementos de ficção e adapte alguns dos fatos reais, funciona muito bem como uma espécie de “história de origem do vilão”, lembrando bastante a proposta de Coringa (2019).
A narrativa consegue chegar ao ponto de nos fazer sentir certa empatia pelo personagem — não necessariamente justificando seus atos, mas permitindo compreender melhor o caminho que o levou até eles. Acho que esse é justamente um dos aspectos mais interessantes do filme: mostrar como alguém pode ser moldado por suas experiências sem tentar inocentá-lo pelo que ele viria a fazer.
UNABOMBER
Direção: Janus Metz
Ano: 2026
Assistido em: 04/10/2026
Quem gosta de pesquisar sobre serial killers com toda certeza já se deparou com a história do Unabomber. Ele é, sem sombra de dúvidas, um dos maníacos mais interessantes (se é que podemos usar essa palavra aplicada a essa situação), que já se abateu sobre os Estados Unidos. E olha que a terra do Tio Sam é um campo muito prolífero quando o assunto é assassino em série. Seja por sua motivação nada convencional ou pela forma que matava, ainda mais inusitada, Kaczynski foi uma figura muito sombria da história americana e que até hoje desperta muitas dúvidas. Por isso, estava ansioso para assistir a este filme, mas o problema é que o personagem, a figura real, era complexa demais para talentos tão pouco aptos a trabalhá-la.
Ted Kaczynski, um jovem prodígio da matemática em Harvard, é submetido a controversos experimentos psicológicos conduzidos pelo professor Henry Murray. Anos depois, enquanto Kaczynski se transforma no terrorista conhecido como Unabomber e inicia uma campanha de atentados com bombas enviadas pelo correio, a agente do FBI Joanne Miller participa da longa investigação para descobrir sua identidade. Entre passado e presente, a caçada revela como o isolamento, as experiências vividas em Harvard e as convicções extremistas de Kaczynski contribuíram para sua transformação.
O Kaczynski real foi uma figura avessa ao desenvolvimento tecnológico, mas não era só isso. Ele era uma pessoa com distúrbios mentais muito sérios e muito complexos, como esquizofrenia e paranoia. Ele não é aquele serial killer "tradicional" que teve problemas de rejeição paterna ou sexual, que serviu de gatilho para despertar seu interesse pela matança. Não, nada disso. Ele foi uma figura extremamente inteligente, que tinha uma visão muito peculiar do mundo, que não conseguia enxergar um papel natural no processo evolutivo da humanidade e que acabou desenvolvendo uma misantropia fundamentalista, ocasionando diversas vítimas. E, conhecendo Hollywood, a gente sabe que jamais conseguiriam retratar com a profundidade adequada e esperada uma história como essa.
Eu não acho que serial killer tenha que ser enaltecido, nã é isso. Mas, a partir do momoento que você se propõe a retratar uma história como essa, é preciso ser fiel aos acontecimentos. Não por conta do matador, mas por conta das vítimas. Elas, infelizmente, fazem parte dessa história e precisam ter suas jornadas respeitadas. Então, quando você começa a bagunçar todo o meio de campo, está mais uma vez prejudicando a memória daqueles que se foram.
O roteiro é dividido em duas linhas temporais: a primeira com Ted adolescente, na fase em que ele participou dos experimentos com a CIA, e a segunda durante a busca e a investigação nos anos 90. E o filme consegue ir mal nas duas. Na primeira, nós temos Russell Crowe e Jacob Tremblay, que são excelentes atores e entregam muito, mas aqui o texto deles é tão panfletário, tão simplório, que não funciona. Enquanto isso, no futuro, Shailene Woodley é uma amálgama de diversas pessoas que tentaram esclarecer este caso. E eu tive uma sensação tremenda de anacronismo, porque isso deveria se situar em mais ou menos por volta de 1996, só que, às vezes, os diálogos, os cenários, tudo me soa como algo do Século XXI em diante, 2010, 2020. E isso só ajuda na fuga mental que esse filme me causou.
Unabomber é um serial killer complexo e não é simples analisar as ideias dele. E fazer um trabalho qualquer, de qualquer jeito, não é a escolha adequada para tentar explicar um pouquinho dessa mente perturbada, se é que alguém chegou perto de conseguir esse feito. Este filme não é nem de perto indicado para quem quiser conhecer mais sobre este fato tão sombrio do final do século XX, porque ele só pincela tantos detalhes sobre a vida de Kaczynski e não explora nada das vítimas ou da investigação de décadas. É como se a produção fizesse parecer que tudo foi uma coisa simples, rápida. No fim, é só mais um dentre tantos títulos de true crime feitos apenas para movimentar a máquina que esse gênero acabou se tornando. Porque, se você quer conhecer precisamente o que aconteceu, ele não serve para isso.
Uma bomba de filme, muito ruim.
O filme é muito bem atuado, principalmente por Jacob Tremblay na fase de Harvard. Por mais que traga elementos de ficção e adapte alguns dos fatos reais, funciona muito bem como uma espécie de “história de origem do vilão”, lembrando bastante a proposta de Coringa (2019).
A narrativa consegue chegar ao ponto de nos fazer sentir certa empatia pelo personagem — não necessariamente justificando seus atos, mas permitindo compreender melhor o caminho que o levou até eles. Acho que esse é justamente um dos aspectos mais interessantes do filme: mostrar como alguém pode ser moldado por suas experiências sem tentar inocentá-lo pelo que ele viria a fazer.
O menino cresceu e entrega como sempre uma grande atuação.
Muito bom filme.