Na aldeia costeira de Iyi, a reverenciada Mama Efe atua como intermediária entre o povo e a toda-poderosa divindade da água, Mami Wata. Mas quando um menino morre devido a um vírus, a devotada mas rebelde filha de Efe, Zinwe, e a cética protegida, Prisca, alertam Efe sobre a agitação entre os aldeões. Com a chegada repentina de um misterioso desertor rebelde chamado Jasper, um conflito irrompe, levando a um violento choque de ideologias e a uma crise de fé para o povo de Iyi.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
De se admirar o trabalho da fotografia em preto e branco (linda demais) ressaltada pela maquiagem dos personagens, bem como a tentativa de representatividade da sociedade africana. Contudo, paira no ar um movimento teatral, sem saber aproveitar os espaços, com câmeras em close sempre, personagens meio maniqueístas, o que tira a tensão de tudo. Sem contar que essa história já vimos várias vezes. Pelo menos aqui a ganância pelo poder vem misturada com um machismo estrutural interessante, bem como um empoderamento feminino como contraponto a tal tentativa de poder absoluto, que perpassa gerações.
Este filme só confirma a exuberância e a autenticidade do cinema africano contemporâneo, Mami Wata é necessário não apenas pela sua fotografia baseada em uma estética afro diasporica, mas também pela narrativa anti colonial, às mitologias e fabulas africanas entrelaçando as problemáticas que narram a áfrica tradicional e a africa de hoje. Genialidade e reinvenção, ação política e imagem. Importante filme para se pensar a construção dos nossos olhares sobre o que seria a Africa e seus dilemas atuais. Enfim, Lilis Soares (diretora de fotografia) deu um show de beleza. Resumindo, é um filme de muita beleza, para quem sabe apreciar...
A fotografia mais importante do cinema recente em uma obra africana, e digo isso sem exageros.
Submissão da Nigéria ao Oscar 2024.