Um golpe de estado num país imaginário da America Latina. O poder. A repressão. O filme que levou seu realizador aos porões da ditadura.
"Manhã cinzenta é o grande filmexplosão de 1968 e supera incontestavelmente os delírios pequeno-burgueses dos histéricos udigrudistas. Montagem caleidoscópia, desintegra signos da luta contra o sistema - panfleto bárbaro e sofisticado, revolucionário a ponto de provocar prisão, tortura e iniciativa mortal no corpo de Artysta. O Cinema Nordestino, Cinema Pupular metaforizado em Olney e Miguel Torres, vítimas dos invasores - Heroys do Brazyl!"
Glauber Rocha.
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a coragem de lançar uma obra assim logo após a promulgação do AI-5.. é a verdadeira força do cinema. pode ser entretenimento, arte, alavanca para o sucesso, mas também é instrumento de denuncia, é aquilo que dá voz aos silenciados, mostra histórias que tentam ser ocultadas e assim se torna parte da própria história. essa seria apenas a primeira parte de uma trilogia do olney, mas a propria ditadura e as torturas que ele denunciou o impediram ter contar o restante, mas foi o suficiente para entendermos a mensagem e talvez até por isso, de forma ainda mais contundente.
Já entrou pra minha lista de filmes favoritos da vida!
Que loucura pensar que esse filme foi feito em plena ditadura, um filme profético, pois pouco tempo depois Olney foi preso e torturado, morrendo poucos anos depois.
Filme necessário para quem ama cinema nacional.
Pena que as cópias disponíveis estejam tão maltratadas e trêmulas, mas... O filme é bem maior que isso: emulando ALPHAVILLE e adicionando toques bastante nacionais de autocrítica processual revolucionária, o filme concilia a extrema amargura da perda anunciada (estávamos ainda em choque com a promulgação do AI-5) e a esperança utópica que transfere para os netos imaginários o gozo das benesses pretendidas pela luta que beira o suicídio e é inevitavelmente atrelada à tortura. Magnífico curta-metragem que merece ser melhor conhecido! (WPC>)
Filme ousado e revolucionário, em todos os sentidos
O filme Manhã Cinzenta expressa o lugar-comum dos comunistas do período da Ditadura Militar – protesto, agitação de massas, organização armada e etc. A câmera na mão e a narrativa fora dos padrões hollywoodiano, típica do Cinema Novo, logra a película o estilo peculiar da época em que fora produzido. Época de angústia para a movimentação artística de protesto, pois, é datada de 1969, um ano após a decretação do famigerado AI-5. É um tanto mais simbólica a apreensão do filme pela Censura, fato que ocorreu após a fita ser projetada em um avião seqüestrado pela guerrilha MR-8, sendo liberada a sua exibição somente no ano de 1972.