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Data de lançamento
18 Março 2004Duração
Um registro da histórica revolta dos argentinos em 2001. O filme faz a genealogia da pior crise da história argentina e aponta os principais responsáveis por essa situação dramática.
O ápice da crise ocorreu em 19 de dezembro de 2001, quando os argentinos saíram às ruas para protestar contra o governo de Fernando de la Rúa e a situação de penúria em que se encontrava a maior parte da população. Durante as manifestações, que foram reprimidas pelas forças policiais, 34 pessoas morreram e o presidente De la Rúa acabou renunciando.
Explica didaticamente como se deu o “saque” dos bens públicos ocorrido durante o período neoliberal nos países em desenvolvimento, realizado pelas instituições finaceiras em uma obscura rede de corrupção e cumplicidade
com os governos.
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Existe uma combinação curiosa em "Memoria del saqueo". De um lado, as imagens em vídeo digital, os letreiros em fonte Impact acompanhados de efeitos de zoom, a divisão em capítulos, a incorporação de imagens televisivas e uma montagem tributária da linguagem videográfica dos anos 1990 e 2000. De outro, os longos travellings pelos palácios, bancos e edifícios públicos de Buenos Aires, a narração em primeira pessoa, uma fotografia e uma trilha sonora magistrais e de grande força atmosférica.
Os travellings, em particular, parecem remeter ao clássico "O ano passado em Marienbad", de Alain Resnais. Ao recapitular a história da dívida externa argentina e procurar as raízes da crise de 2001, Solanas percorre os espaços monumentais em que se concentrou o poder econômico e político em seu país, fazendo emergir em corredores vazios a presença fantasmagórica dos grandes traidores.
Essa construção narrativa, sofisticadíssima, contudo, não se distancia do propósito de intervenção política que atravessa toda a obra de Solanas. Ao contrário, existe uma tensão entre o cinema de autor e o cinema de intervenção. O filme coloca em contato duas figuras que Solanas, em momentos distintos, procurou manter separadas: o cineasta autoral, para quem a forma constitui uma dimensão decisiva da reflexão política, e o militante, para quem o cinema é também instrumento de disputa no presente. Daí resulta um filme simultaneamente datado e atemporal. Mas, sem dúvida, a obra de um gênio.
Ganhei um DVD pirata deste filme há mais de dez anos, mas, como estava sem legendas e achei a duração longa, nunca arrisquei... Erro meu: por conta do falecimento recente deste grande gênio, enfrentei a sessão e foi uma recompensa magnífica. Apesar de, obviamente, ter seqüências que dependam de certo "economiquês", é tudo muito didático e conclamador: o diretor não apenas mostra, convoca-nos para a ação. Seu cinema documental é de pura práxis, de modo que ele aparece em cena de maneira combativa, inclusive relembrando quando sofreu um atentado a balas por denunciar a mafiocracia do governo Menem. Do meio para o final, o excesso de informações cansa um pouco (bem pouquinho), mas isso é necessário diante da exposição do quanto a nação argentina foi vilipendiada pelo neoliberalismo, numa situação que antecipou o que estamos vivenciando agora no Brasil, infelizmente. Após tanta miséria, o desfecho é puro gozo, revolução em curso. Magnífico: Solanas é imortal! <3 (WPC>)
Importantes registros sobre a "memória" e o "saqueio" cotidiano que sofremos... Ajuda a entender os rumos do Brasil atual...
Produção que mostra as razões da crise econômica enfrentada pela Argentina no início dos anos 2000. O diretor volta ao período ditatorial que assolou o país para contar as origens do projeto neoliberal que foi continuado por Carlos Menem e Fernando de La Rua e levou nossos hermanos ao colapso financeiro. As informações são preciosas e mostram bem como os anos 1990 foram o período de crescimento do neoliberalismo na América Latina (basta ver a tara por privatizações que também ocorreu no Brasil). Para os defensores desse modelo econômico, é só analisar o modo como ele foi escorraçado do continente sul americano: se tivesse sido um ótimo período como os saudosistas pregam, com certeza os governos de esquerda não teriam ascendido em praticamente todos os países latinos.
É um documentário longo, mas muito informativo.
No Brasil temos livros 2 ótimos livros escritos sobre o tema de que trata este monumental e corajoso documentário ("A Privataria Tucana" e "O Príncipe da Privataria"), mas onde se meteram nossos excelentes documentaristas que ainda não dedicaram suas capacidades para realizar um documentário a respeito??? Um VIVA! aos corajosos Hermanos. Nota 5 ao documentário