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Data de lançamento
22 Out. 2015Duração
Diego (Willem Dafoe) é um cineasta diagnosticado com câncer terminal, cuja única chance de sobrevivência é se submeter a um transplante de medula óssea experimental, que apenas é realizado nos Estados Unidos. Assim, ele parte para Washington mas antes decide se casar e se despedir dos amigos. Já no hospital, ele conhece um menino hindu de apenas oito anos, que também está internado. Logo Diego passa a vivenciar com ele aventuras fantasiosas, inspiradas no cinema, que ajudam a suportar a dura realidade que os cerca.
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Vale só por Willem Dafoe.
Apesar de Babenco, à época, falar que este filme não era autobiográfico, é impossível não corresponder com a sua vida e, tendo isto em mente (e assistindo em conjunto a obra de Bárbara Paz), você compreende ainda mais a história: a luta contra uma doença terrível, a necessidade de tratamento no exterior, o filme que a Morte assistiu com uma criança no colo (Clara menção à Pixote), a paixão pelo cinema (que já fora tratada em O Beijo da Mulher Aranha, Coração Iluminado e O passado) com direito à referências à O Sétimo Selo, e até mesmo gravar em sua própria residência dão um valor muito maior a este filme após a morte do diretor. Delicioso de assistir o homem mordaz em sua dualidade com a criança. Ao fim, acaba sendo uma bela declaração de amor.
Um filme não digerível a todos, bastante diferente, cansa em muitos momentos admito, é mais uma autobiografia, eu esperava mais admito, mas é bom de se ver em se tratando do diretor que é. Um adendo é a última cena, Bárbara Paz brilha e escancara uma performance linda no fim.
Mais um lixo brasileiro
"Meu Amigo Hindu" foi o último filme de Héctor Babenco. Depois de terminá-lo, o cineasta viveria apenas mais um ano. Assim, o enredo traz muito de sua história, como ele afirma logo na primeira cena.
Willem Dafoe (sempre perfeito) é seu alterego. No filme, ele é Diego Fairman, um cineasta que tem câncer linfático e necessita fazer um transplante como última alternativa em sua batalha contra a doença. O tom do filme é um tanto depressivo, principalmente durante a primeira metade, quando a maioria das cenas se passa em quartos e leitos hospitalares. Ali o destino e as escolhas passam para mãos alheias.
Internado e sob efeito de forte medicação, Diego entra num estado de semiconsciência. Ele então começa a ver um desconhecido (Selton Mello) que o visita em seu quarto no hospital. Numa das visitas, o homem lhe conta o motivo de estar ali, mas Diego pede-lhe um pouco mais de tempo. O estranho então o aconselha a vir logo, pois envelhecer é ridículo e indigno. Numa referência ao filme 'O Sétimo Selo' (de Ingmar Bergman), Diego joga uma partida de xadrez com aquele homem.
Babenco sempre soube filmar a realidade, sempre optou por mostrá-la em sua nudez, sem artifícios. Neste filme não foi diferente. Diego parece-se com ele, questiona-se o que fez para merecer aquilo, tem apego à vida e não quer morrer. Ele extravasa sua raiva por meio de um humor cáustico, rude e desconcertante. Em certo momento, a enfermidade passa a ser personagem central, determinando os limites de Diego como os trilhos de um trem. Por sinal, Babenco gosta muito de usar a imagem da caminhada sobre trilhos, numa alusão ao destino, quase como se não pudéssemos escapar deles e ir por outros caminhos.
Talvez Babenco não pretendesse que esta fosse sua obra de despedida - ele sempre preferia pensar que o momento ainda não havia chegado - mas é possível encontrar no final do filme, a calmaria e a tranquilidade da aceitação.