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Data de lançamento
11 Set. 2004Duração
Perseguido incessantemente por seus colegas e forçado a suportar uma vida familiar dolorosa, um sensível menino macedônio procura uma maneira de lidar com a sua miséria. Depois de uma professora gentilmente incentivá-lo a participar de um concurso de poesia, ele começa a ter esperança no futuro. Mas quando seus sonhos são destruídos, ele busca a orientação de um mercenário que o ajuda a endurecer.
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Grande drama, repleto de desesperança e injustiça. Também apresenta cor local interessante, com referências à política e nacionalismo.
Quando alguém de um país como a Macedônia, quase três vezes menor do que Osasco, faz um filme tão correto em termos técnicos, precisa ser muito enaltecido. Roteiro brilhante e com uma narrativa muito bem executada, tratando como base a questão de que o entorno molda o caráter de uma pessoa, acima de qualquer coisa. Tanto filme mediano que já foi pra Oscar e deixam escapar uma obra dessa. Infelizmente é pouco conhecido.
De monumentos a humanos, nada escapa de nossas caóticas falhas.
forte demais
A história gira em torno da violência (física e psicológica), desesperança, opressão, solidão e negligência que afetam a vida do garoto Marko (e também funciona sob esse prisma), mas é utilizada como uma metáfora incisiva e pano de fundo de uma narrativa absolutamente crítica sobre a sociedade e o contexto político e econômico em que se encontravam os países dos Balcãs, como a Macedônia, mesmo depois dos conflitos que culminaram na Guerra da Bósnia.
Esse filme é puro pessimismo. Todos os personagens personificam as mazelas sociais e a forma com que as pessoas reagem ao inexorável destino de sobreviver em uma sociedade partida, decadente e a beira de um colapso, onde os jovens permanecem sem esperanças. Marko é a personificação dos jovens macedônios da época. Um pai que se aliena através da bebida, uma mãe que deveria protege-lo mas é apenas uma sombra sem voz, uma irmã egoísta, inconformada e gananciosa, um professor submisso e oprimido (bósnio) que antes de tudo precisa “ser aceito” e que traz esperanças nas quais nem mesmo ele acredita, um amigo que ensina a atacar para se defender e impor suas vontades através da violência e lhe dá um choque de realidade, mas que o abandona à própria sorte, a crueldade da xenofobia, impunidade e preconceito através do moleque filho do policial, o policial corrupto e opressor, o diretor da escola hipócrita, o exército americano omisso e distante se aproveitando da ganância de alguns, além da sua própria tentativa fracassada de se encaixar dentro desse contexto, fadada ao fracasso pela traição. Tudo leva ao ato desesperador da revolta derradeira que simplesmente explode com uma gota d’água. A cena da “poesia à pátria” declamada e a plateia entediada e incrédula é emblemática.
Uma cacetada de realidade, cru, honesto e doloroso. Muito bom e recomendo. Como eu escrevi, o filme pode ser interpretado apenas como um drama pessoal do personagem e mesmo assim funciona muito bem. Vale a pena e deveria ser mais conhecido, mas exige dedicação, pois a narrativa é propositalmente lenta, para uma digestão vagarosa.