"O assunto de 'Mulher' pode ser definido como uma página da vida impressa no celulóide, contando os dias tristes e amargurados de uma mulher. Perseguições, lutas, sofrimentos, vexames, agonias e depois a felicidade." Retirado do site da Cinédia
Como a versão disponível possui várias lacunas, que se perderam com o tempo, tive dificuldades para compreender a trama. Gosto de como o enredo se inicia, com ecos sudestinos de "Gabriela, Cravo e Canela", em que a protagonista é estranhamente objetificada, em termos sexuais, depois de ser mostrada sendo abusada pelo padrasto. A despeito do título, o filme revela-se cada vez mais machista, de um modo que nem mesmo as condições de época foram suficientes para justificar, o que só piora quanto mais o filme avança, visto que a pretensa protagonista Carmen torna-se cada vez mais coadjuvante em sua própria estória: interessa muito mais ao diretor apresentar os dilemas amorosos de seu "protetor", a ciranda de amores que me pareceu pouco inteligível, em determinado ponto - principalmente, porque os homens eram todos muitos parecidos (e ressentidos). Achei a fotografia extraordinária e também gostei da breve participação actancial de Humberto Mauro (bonitão, ele, na juventude, visse?), mas a toada aburguesada sobre os costumes refinados da juventude fluminense não me desceu tão bem, não, por mais que eu tenha apreciado os cenários e descrições urbanas. Admito que o filme é ousado ao expor defensivamente as "vinganças" da esposa traída, mas o apagamento progressivo da personagem que deveria ser a principal soou-me como uma negação da proposta titular - ao menos, do que eu tinha entendido enquanto proposta. Reverei, a posteriori: participei de um ótimo debate sobre o filme, em que quase todo mundo gostou bastante. Será que o problema foi comigo? Fica a reflexão... e a recomendação, claro! (WPC>)
Ok.
Como a versão disponível possui várias lacunas, que se perderam com o tempo, tive dificuldades para compreender a trama. Gosto de como o enredo se inicia, com ecos sudestinos de "Gabriela, Cravo e Canela", em que a protagonista é estranhamente objetificada, em termos sexuais, depois de ser mostrada sendo abusada pelo padrasto. A despeito do título, o filme revela-se cada vez mais machista, de um modo que nem mesmo as condições de época foram suficientes para justificar, o que só piora quanto mais o filme avança, visto que a pretensa protagonista Carmen torna-se cada vez mais coadjuvante em sua própria estória: interessa muito mais ao diretor apresentar os dilemas amorosos de seu "protetor", a ciranda de amores que me pareceu pouco inteligível, em determinado ponto - principalmente, porque os homens eram todos muitos parecidos (e ressentidos). Achei a fotografia extraordinária e também gostei da breve participação actancial de Humberto Mauro (bonitão, ele, na juventude, visse?), mas a toada aburguesada sobre os costumes refinados da juventude fluminense não me desceu tão bem, não, por mais que eu tenha apreciado os cenários e descrições urbanas. Admito que o filme é ousado ao expor defensivamente as "vinganças" da esposa traída, mas o apagamento progressivo da personagem que deveria ser a principal soou-me como uma negação da proposta titular - ao menos, do que eu tinha entendido enquanto proposta. Reverei, a posteriori: participei de um ótimo debate sobre o filme, em que quase todo mundo gostou bastante. Será que o problema foi comigo? Fica a reflexão... e a recomendação, claro! (WPC>)
Gostei.