Anos 20, Beldover, cidade mineira da Inglaterra. Ao se retratar dois interessantes casos de amor também é mostrado os relacionamentos, personalidades e modo de pensar de duas mulheres e dois homens. Gudrun Brangwen (Glenda Jackson) encara relacionamentos como algo de praxe, enquanto que sua irmã, Ursula Brangwen (Jennie Linden), vê o amor como algo puro e simples, uma ligação permanente. Gudrun se envolve com Gerald Crich (Oliver Reed), que é um proprietário de mina e encara um relacionamento como uma posse. Já Ursula se relaciona com Rupert Birkin (Alan Bates), um inspetor escolar que é o melhor amigo de Gerald e tenta definir o amor entre homem e mulher e entre homem e homem. Enquanto Rupert e Ursula têm um terno caso de amor, Gerald e Gudrun tem uma relação tempestuosa. Mas Rupert precisa de outro tipo de afeto.
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Achei interessante que enquanto esse filme tem como a sua critica principal a instituição do casamento, a heterossexualidade compulsória e o amor romântico em si, ao mesmo tempo na segunda camada ele põe isso em uma perspectiva de classe social ao ter como cenário a Inglaterra durante a segunda revolução industrial com massas de trabalhadores explorados sujos de carvão, o que faz parecer isso tudo uma grande futilidade filosófica de burgueses que tem muito tempo livre pra procurarem algo com o que se torturarem nas suas vidas confortáveis e despreocupadas.
Mas aí chega o terceiro ato e é apresentado o personagem do artista gay alemão de passado extremamente pobre que também está viajando junto do seu amante com o qual aparenta ter uma relação livre de amarras sociais, e isso põe novamente as coisas em uma perspectiva de classe social pois eles são o total oposto dos casais héteros ricos, nos quais as mulheres estão em busca de um idealismo ilusório do amor romântico e os homens se amam mas não conseguem fazer nada com isso, pois no fim o mesmo sistema que os proporciona tanta liberdade e luxos também é o qual os prende e exige a perpetuação da família burguesa.
((E meu deus do céu, como o Oliver Reed era um putão bigodudo e gostoso, torci horrores pra ele e o amigo se pegarem kkkk))
O filme chama Women In Love, mas quem se destaca mesmo são os personagens masculinos, o que pra mim foi uma surpresa (positiva). Mulheres Apaixonadas aborda tantas camadas do amor, não só no sentimento, mas também na vivência, na ação. O amor e o desejo são opostos, complementares, ou depende? Aqui não falta espaço para abordagem do sentimento mais celebrado pelo ser humano. Uma frase de Grundun, personagem da Glenda Jackson, me chama atenção.
"Tente me amar um pouco mais e me querer um pouco menos"
O filme brilha também nos aspectos técnicos. A decupagem é tão incrível quanto a fotografia e a direção de arte, me chama atenção as cenas alternadas, os closes nos rostos, ao mesmo tempo que há espaço para apreciar as paisagens em planos ora médios, ora mais afastados. Vale a pena ser revisto.
tão dual que me apaixonei por 2 cafajestes ao mesmo tempo
Os britânicos deviam pensar dez vezes antes de fazer um filme. Eles têm um dom impressionante pra produzir coisa chata.
Belíssimo, difícil e intenso filme que se aprofunda nas complexidades dos relacionamentos e amores. Amor pela vida, pelo outro, por si mesmo, amor pelo material, enfim, amores. Gosto da tensão sexual entre os rapazes. Acho que mais do que a bissexualidade claramente envolvida, há ali a questão da necessidade de gostar e ser gostado por alguém, não importa o gênero. Precisamos disso de alguma forma para suprir necessidades, rombos ou o que queriam classificar, no sentido existencial. Algumas pessoas lidam bem com isso outras não. E não sei se está tudo bem por motivos de repressão ao próprio sentimento (e por sentimento não falo somente de amor romântico) por conta das convenções sociais que reprimem sentimentos, desejos, corpos. Eu prefiro acreditar que eles tinham um tórrido romance e as mulheres como convenção social para reprimir mais os desejos.
Grandiosa performance de todos os envolvidos, especialmente Glenda Jackson em seu primeiro e peculiar Oscar de melhor atriz.
No fim, tudo é sobre amor, poder, sexo, cobiça, crise existencial e certa dose de cinismo.