Dirigido por
Data de lançamento
6 Dez. 1977A novela começa em 1962, ano da conquista do bicampeonato mundial de futebol pelo Brasil, quando, na cidade de Guariba, Herculano Quintanilha é traído pelo companheiro de trapaças, Neco da Silva, que foge com o dinheiro angariado para a reforma da igreja do lugarejo com a conversa dos "arquitetos". Herculano é humilhado em praça pública e foge para o Rio de Janeiro, deixando a mulher, Doralice, e o filho pequeno Alan, prometendo vir buscá-los um dia. A história, então, começa a se passar no ano de 1974, doze anos depois, quando Herculano trabalha numa churrascaria, fazendo apresentações na pele de um tarólogo, astrólogo, cartomante, quiromante e assemelhados. Numa de suas apresentações, reconhece entre os clientes o amigo traidor, Neco, de quem novamente se aproxima, porém cheio de mágoa e à espera de uma oportunidade para se vingar. No capítulo 42, dá-se a notícia:Salomão Hayalla está morto, seu carro fora encontrado em destroços no Alto da Boa Vista. Depois, descobre-se que, na verdade, ele havia morrido antes, misteriosamente assassinado, e o criminoso planejou tudo para que parecesse um acidente. Márcio então cumpre os desejos do pai, com remorso:assume a direção das empresas, tendo Herculano como braço direito, e se casa com Jose, com Lili sendo afastada dele por uma trama de Clô, a qual acaba fazendo a moça passar algum tempo na cadeia. Enquanto Herculano galga cada vez mais rápido postos na hierarquia das empresas dos Hayalla, corre a investigação em torno da morte do patriarca.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Novelão envolvente no estilo que não se faz mais hoje em dia, daqueles que paravam o Brasil inteiro para acompanhar. Repleto de músicas marcantes, belas locações, puro suco do fim dos anos 70, recursos folhetinescos irresistíveis típicos do universo janetiano (inspirada até por Hamlet de Shakesperare) e atuações formidáveis: destaco Cuoco com seu Herculano Quintanilha multifacetado, Edwin Luisi como o problemático Felipe e Tereza Rachel com sua histriônica Clô Hayalla. Foi uma delícia ver a astrologia e o esoterismo retratados em uma novela, temas que muitos ainda consideram bobagem ou coisa do demônio.
Gostaria de lembrar que O Profeta, de Ivani Ribeiro na Tupi na mesma época, também tinha um protagonista com poderes paranormais, mas seguiu um viés diferente e igualmente fascinante. Esta, infelizmente, sobrevive incompleta e com apenas alguns capítulos disponíveis na internet.
Talvez O Astro não seja das mais emblemáticas da Janete Clair, como Selva de Pedra e Pecado Capital, mas ainda acho superior a Pai Herói que veio depois (pelo menos envelheceu melhor). Achei o par Tony Ramos e Elizabeth Savalla mais gostável aqui do que na novela seguinte. Dina Sfat, que é uma das minhas deusas e estava bonita como nunca, me pareceu entediada e eu compreendo, já que sua Amanda parece caminhar sem direção ao longo do enredo. Outros destaques do elenco: Eloísa Mafalda em mais uma composição de mãe batalhadora e sofrida (porém sempre trazendo algo novo e único para cada personagem); Ângela Leal fazendo uma mulher cheia de aspirações mas enjaulada pelo marido e pelas cobranças domésticas; a Tia Magda de Ida Gomes que era a voz da razão muitas vezes naquela caótica família Hayalla, sacrificando-se e dando amor a todos mas pouco (ou nada) recebendo em troca; Dolabella provando sua versatilidade ao fazer um tipo rústico e popular, o Natal... Enfim, a lista é longa e o elenco inteiro é show, uma reunião de estrelas de gabarito que hoje seria impossível.
Mas tenho que concordar que as revelações finais são bem decepcionantes e não empolgam. Reta final bem morninha. Ainda assim, um clássico incontestável!