A história se passa em um hospital de caridade, na cidade de Edo (atualmente Tóquio), no Japão do século XIX.
Um médico jovem e arrogante e um piedoso professor têm um tumultuado relacionamento na clínica em que trabalham. O professor, que é diretor da clínica, tenta ensinar a seu amargurado médico residente a respeitar e apreciar as vidas de seus pacientes desamparados.
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O Barba Ruiva é, talvez, o testamento definitivo do humanismo de Akira Kurosawa. Embora ambientado no Japão feudal, o filme respira a alma da literatura russa, especialmente a de Dostoievski. A jornada do jovem Dr. Yasumoto é uma clássica trajetória de "conversão" moral: o abandono da arrogância em favor de uma compaixão profunda e sacrificial.
É fascinante notar como a obra tangencia a moral cristã sem nunca professar a religião. O Dr. Niide atua como uma figura quase crística, mergulhando na miséria e na degradação humana para oferecer não apenas cura física, mas dignidade. Kurosawa utiliza o hospital como um microcosmo do mundo, onde a caridade não é um conceito abstrato, mas uma ação "agressiva" e necessária contra a injustiça social.
A influência de Dostoievski transparece na ideia de que "somos todos culpados por tudo" e que o sofrimento alheio é uma responsabilidade compartilhada. No fim, o que Kurosawa nos entrega não é um dogma religioso, mas uma espiritualidade humanista universal. Um filme sobre a beleza que reside no ato de servir ao próximo.
- pelo poster e título eu jurava que seria algo na pegada de ran ou kagemusha, ainda bem que me enganei
- ainda sim é um épico, mas no lugar de grandes batalhas, a essência do ser humano é o cerne, filme completamente humanista, com ótima crítica a desigualdade social
- o mais ozu dos filmes do kurosawa, acompanhado por ikiru, talvez
- a fotografia é um show a parte, belíssima em vários momentos, as composições de cena são de cair o queixo
- as 3 horas são essenciais e magistralmente utilizadas para a apresentação e construção da história e dos personagens
- toda a última hora é de estraçalhar o coração
Drama médico interessante, espécie de "Dr. Kildare" do Japão feudal, conduzido de forma tão sensível e cativante por Kurosawa, que nem sentimos as três horas de projeção. Mifune, como sempre, dispensa comentários, com destaque para a briga no pátio do bordel, onde hilariamente se repreende por ter quebrado braços e pernas dos capangas da cafetina!
Mais um filme extraordinário da parceria Mifune/Kurosawa, Obra prima!
Último filme preto e branco de Akira Kurosawa e tbm o último da parceria com Toshiro Mifune que como de costume tem uma atuação monstruosa como o Dr. Niide que administra o hospital que faz o tratamento dos pobres, ele recebe um novo médico vindo de Nagasaki muito arrogante que se recusa a atender os pobres querendo ser um médico de Shoguns para ganhar dinheiro, a medida que o tempo passa ele acaba se envolvendo com os pacientes, seja com uma assassina louca, um homem no fim do seu tempo de vida, outro homem que pensara perder seu amor num terremoto, uma garotinha com febre e um menino cuja a fámilia era muito pobre, todos esses e várias outras desigualdades fazem ele respeitar mais ainda o ''barba ruiva'' e dedicar sua vida a medicina como o experiente professor. Alguns podem achar o filme longo demais, porém os diálogos e reflexões que ele traz são muito pertinentes e vc nem sente a hora passar apreciando a mais um filmaço do mestre Kurosawa.