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Com essa pequena fábula que nos conta a história de um pobre carroceiro que, por ter ousado circular nos bairros ricos de Dakar, tem sua carroça confiscada, Sembene tece o retrato dessa cidade, uma cidade pós-colonial, dividida por fronteiras de classe. O filme tornou-se um acontecimento para o cinema africano. Realmente, pela primeira vez, uma imagem da África vista de dentro nos é proposta. Borom Sarret é o primeiro filme rodado na África, e é também o primeiro filme deste que seria o primeiro cineasta de envergadura do cinema negro-africano.
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É o começo do cinema africano e um marco que reflete as diferenças de classes sociais tão evidentes em qualquer país que sofreu com o colonialismo europeu. Nem um pouco diferente de países latinoamericanos, as cenas no bairro rico da cidade em pleno final da década de 50 mostra uma África que muitos europeus ou estadunidenses não imaginam que existisse, já que insistem em acreditar que é tudo selva e pouco desenvolvido nos países do sul global. A história é muito simples, mas funciona, escancara esse reflexo indigesto da pobreza que só piora quase setenta anos depois. Impressionante como esse tipo de denúncia já existia desde então e nada foi feito, e tudo piorou, em um mundo onde a concentração de renda tornou esse tipo de vida que vemos no filme ainda mais comum por todo o mundo. Crises humanitárias e genocídios por toda a parte. Até quando?
BLOG: ORÁCULO ALCOÓLICO
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Que difícil de assistir!
Atemporal!
Obra com sessenta anos de existência e que continua muito atual.
Em termos de desenvolvimento de personagens, o filme "O Carroceiro" é criticado por não aprofundar suficientemente os personagens, deixando-os com pouca complexidade e motivação. Por exemplo, a personagem principal, Ibrahima Dieng, é retratado como um trabalhador rural que busca uma vida melhor na cidade, mas suas ambições e desejos não são totalmente explorados, tornando-o uma figura unidimensional. Além disso, o filme não explora as relações entre os personagens de forma significativa, deixando as conexões entre eles pouco desenvolvidas.
Outra crítica é a falta de desafios na trama. Embora o filme pretenda retratar a luta de Ibrahima contra a pobreza e a desigualdade, a trama é previsível e sem muitas reviravoltas ou momentos surpreendentes, o que pode levar o espectador a se sentir desinteressado ou desconectado da história.
Finalmente, a abordagem estereotipada das personagens femininas é um problema. As mulheres são retratadas principalmente como objetos sexuais ou como figuras de apoio sem voz própria, o que perpetua a opressão e a desigualdade social que o filme pretende criticar. Essa abordagem pode ser particularmente preocupante em um contexto em que o empoderamento feminino e a igualdade de gênero são tópicos importantes de discussão em todo o mundo.
No YT
https://youtu.be/dFCxyrSW6RA