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Produção da era silenciosa que adapta o clássico de Victor Hugo. Chaney está no papel de Quasimodo, o tocador de sino da Catedral de Notre Dame, desafortunadamente deformado. Ele se apaixona por Esmeralda, uma jovem e bela dançarina cigana, logo depois que ela lhe deu água quando ele estava apanhando em praça pública. Mas o gesto fora apenas por comiseração. Ainda assim, Esmeralda mais tarde é acusada de trair e esfaquear seu amado. Por isso ela é torturada e sentenciada à morte. Quasimodo é quem vai resgata-la nas escadarias de Notre Dame.
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Tudo muito bem produzido, bem atuado pra época com bons figurinos e cenários. Simplesmente o conto do corcundo não me empolga muito mas o filme é competente.
Talvez um pouco cansativo - quase duas horas de cinema mudo - mas excelente nas atuações e na fotografia, com certeza.
Outra boa versão e novamente temos um trabalho de maquiagem genial e que envelheceu muito bem.Todas as categorias técnicas chamam atenção e a grandiosidade dos cenários completam bem a atração.
>Assistido em 20 de Julho de 2023
O famoso romance de Victor Hugo, Notre Dame de Paris, foi encenado e filmado inúmeras vezes. Cada leitor e espectador nomeará a adaptação para a tela que gostou e atraiu sua atenção. Alguém do teatro e alguém do mundo do cinema. Um grande número de filmes, desenhos animados, produções de cinema e TV baseados no livro. Você não pode listar todos eles, você pode citar os mais significativos, famosos e amados pelo público. Claro, não será possível ignorar a versão "mimada" e "final feliz" da Disney, que se tornou um dos sucessos de 1996, depois superada com uma sequência e transformada em uma série animada inteira. Também vale a pena mencionar o clássico filme francês de 1956, estrelado por Gina Lollobrigida e um jovem Anthony Quinn. Essa produção pomposa de figurino em grande escala, com cenários caros e grandes extras, foi um dos peplums de tela larga tão populares em meados do século passado. Você não pode passar do conhecido filme em preto e branco O Corcunda da Catedral de Notre Dame (1939) com Charles Laughton como Quasimodo. Mas acho que o mais importante para o cinema é a primeira adaptação cinematográfica significativa (em termos de tempo e releitura do enredo do livro) - "O Corcunda de Notre Dame" com o "homem de mil faces" Lon Chaney em a imagem aterrorizante da campainha surda da Catedral de Paris. Este filme, lançado em 1923, é hoje considerado um dos melhores representantes da era do cinema mudo. E também um dos mais caros para Hollywood da época (orçamento de US$ 1.250.000). Ainda hoje, há mais de 90 anos, impressiona com seu alcance e pathos. É difícil imaginar como o filme foi percebido no ano de seu lançamento! É esta produção que será discutida nesta revisão.
O filme foi dirigido por um diretor pouco conhecido Wallace Worsley, e o roteiro - uma adaptação foi preparada por Perley Poor Sheehan e Edward Tee Low Jr. Esses autores conseguiram, em tempo razoável, recontar ao público o enredo do grosso romance de Victor Hugo, preservando os personagens dos protagonistas. Esse é um detalhe muito importante na minha opinião, já que em adaptações cinematográficas posteriores, os roteiristas o suavizam para determinados personagens, ou dividem todos em “bons” e “maus”. Já no romance, o grande escritor retratou personagens humanos complexos e ambíguos, conectando o drama dos heróis que inventou com eventos históricos, contra os quais ocorrem suas intrincadas relações. Nesse sentido, o filme de 1923 pode ser considerado uma adaptação cinematográfica quase exemplar. Afinal, o principal é transmitir a essência do livro, e os roteiristas conseguiram. No entanto, grande parte do enredo desapareceu, por exemplo, a história de Pierre Gringoire, que na verdade é culpado do trágico assalto à catedral, ou a linha romântica do Capitão Fabo e Fleur-de-Lys. Reconhecendo a visão do autor sobre o projeto, bem como o Talmud de várias páginas de Hugo, cuja adaptação cinematográfica não pode evitar cortes, cabe ainda notar que a presença desses dois pontos aumentaria muito a dramaturgia da fita. Mas seja como for, essas falas foram abandonadas, reduzindo a presença dos personagens mencionados a apenas aparições episódicas e raras. Mas a história da beleza - a cigana é contada sem mudanças. Até sua cabra Djali foi preservada. Embora o final tenha sido feliz, salvando a vida da garota e conectando-a com Phoebe - apenas o corcunda e o voluptuoso arquidiácono morrem ...
Devo admitir que, sem saber inglês, assisti a um filme mudo sem títulos russos. Mas, conhecendo a fonte literária, acompanhei com interesse a trama, notando que ela era apresentada de maneira correta e consistente, dando mesmo a uma pessoa "ignorante" (que não leu o romance de Hugo na escola) o que se chama de "imbuída de história". Claro, mudar o final afeta muito o "gosto" do filme, bem como sua percepção como um todo. Se o livro forçou a admitir que o amor é uma força terrível que não obedece à lógica comum (quase o mesmo que a paixão), então no cinema é muito mais fácil a esse respeito.
Por mais que tenhamos uma grande atuação do Lon Chaney, o filme infelizmente cai num eletismo de ricos limpinhos e honrosos contra pobres sujos, mal educados e de índole questionável para baixo, e outras questões problemáticas, e se esquece do verdadeiro cerne da obra de Victor Hugo. Além do próprio Quasimodo ser bastante animalesco, o que faz com que o personagem perca em muito a sua força e vire apenas um "monstro" apaixonado
Esse filme ajuda a entender porque o subplot da Esmeralda ter sido sequestrada por ciganos e sendo afastada de sua mãe é algo tão desnecessário e problemático nos dias atuais. Além de não ser necessário ter outro personagem preconceituoso já tendoo Frollo, o fato de ciganos sem nome terem sequestrado Esmeralda ainda bebê (e do filme torna-la uma mulher que pertence mais ao nobres), acaba indo para uma interpretação de que ciganos são perigosos e maus, algo extremamente problemático para os dias de hoje em que o racismo e a xenofobia ainda são muito presentes. E a morte do Quasimodo aqui já é bem ruim porque é como se fosse uma punição por esse monstro ousar se apaixonar por uma verdadeira europeia branca cujo o coração é do almofadinha nobre branco europeio, Quasimodo feio, feio.