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Jorge Mautner viaja para Londres, onde se aproxima de Caetano Veloso e Gilberto Gil.
Dirige e participa do filme "O Demiurgo", que é filmado na casa de seu amigo Arthur de Mello Guimarães em Londres, com participação de Gil, Caetano, José Roberto Aguilar, Péricles Cavalcanti, Leilah Assunção, entre outros.
O filme é censurado para exibição pública, então Jorge passa a exibir a película para o público após seus shows.
É um longa-metragem colorido que mistura exílio com a figura do poeta Rimbaud e a revolução feminista. "É superintelectual", adianta Mautner. "... Uma fábula-musical-chanchada-filosófica." Mautner conta que a obra centra-se muito na saudade do Brasil, na vontade que os exilados tinham de voltar à pátria.
A idéia nasceu de conversas com o músico e seu velho pai, "falando sempre sobre os pré-socráticos", relembra.
Glauber Rocha declara que "O Demiurgo" é o melhor filme "do" e "sobre" o exílio.
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Um registro caseiro, berrado e improvisado de Mautner entupido de referências intelectuais. Vale apenas como documento do tropicalismo, para fãs.
Lembrar de assistir on acid.
A primeira metade é muito boa, mas, do meio para o final, o diretor abandona a trama filosofemática (para não dizer "filosófica", já que o que o roteiro faz com Sócrates é imperdoável!) para investir em experimentos tropicalistas documentais que nem sempre funcionam. Exemplo: as participações de Gilberto Gil como Pã estão descoladas, deslocadas, sem muita conexão tramática, apesar da suma relevância no desfecho. Uma pena! Mas tem momentos muito bons. E Jorge Mautner está muito funcional como intérprete de Satã (risos)! - WPC>
Acende os chackras... Mens sana in corpore sano
"...Com Caetano eu tocava (acompanhando fazendo ecos e fraseados) sambas antigos, de Noel e Caimmy, de Ismael Silva e Ary Barroso, todo aquele repertório popular de Caetano. Com Gil eu tocava acompanhando o seu novo som africano-rock-heavy-brazilliance-electricity. Às vezes predominava o jazz, às vezes rock & baião. Falava-se muito de tudo. Inumeráveis discussões sobre Nietzsche, Hegel, estruturalismo, discos voadores, Dionisius e Apolo. Quando eu voltava para a casa do Arthur que me hospedava lá em Londres, eu vinha pela madrugada (eu e Ruth) pensando naquelas maravilhosas criaturas que eu havia conhecido. Eu, um mitólogo massagista e lavador de pratos em New York, de repente na Bahia em plena Londres! Um dia o Caetano ao ouvir eu cantar uma canção minha chamada "O Vampiro", ficou entusiasmado e disse que ia gravar. Eu fingi que não havia escutado e só quando ele repetiu é que eu me manifestei em sorrisos chineses e cortesias que tais. Eu sou uma estranha mistura do século XIX e do XXI pulando o XX. Os baianos são o mel, a bondade, a ternura, o cristianismo, a generosidade, o amor de um Brasil que só agora descobri através deles. Então eu disse para Caetano e Gil: — "VOCÊS ME TIRARAM DA LAMA". ..
...
...Quanto ao filme, foi uma viagem de prazer e agonia. Numa das cenas em que eu, Cae e um jovem chamado Upsi Luli sacrificamos a Dionisius oferecendo a ele nosso sangue, o sangue saiu muito aguado, e eu para salvar a situação, tentei consertar e disse: — "Eis, eis o nosso sangue como água". Mas não deu certo porque Caetano caiu na gargalhada com todo mundo. Aliás Caetano tem um nome artístico no filme: chama-se Caetano Veloso. Acumular as funções de diretor e ator foi uma experiência incrível e eu me senti um pouco Charlie Chaplin. ..."
"Rimbaud foi o primeiro grande hipster!"
haha.
http://www.celsobarbieri.co.uk/index.php?option=com_conte...
e
http://psicodeliabrasileira.wordpress.com/category/jorge-...
http://www.youtube.com/watch?v=BoWwYkMVJYk