Dirigido por
Data de lançamento
29 Ago. 1965Duração
Casado com uma italiana e entediado com sua vida na alta sociedade, o professor espanhol Ferdinand foge em direção ao sul com Marianne, após um cadáver ser encontrado na casa dela. Eles caem na estrada e deixam um rastro de roubos por onde passam.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Ainda que sua narrativa seja confusa, principalmente em sua parte inicial, deixando o espectador com dúvida se o que está ocorrendo seria ou não um flashback (questão esta que é resolvido logo depois), ainda assim é um filme agradável de se assistir, com toda a busca pela liberdade, independente de qual forma seja, e suas consequências, desde o tédio, a paz ou a insanidade. Peca um pouco na sua metade final, em que torna a ficar confuso, com a impressão de que o final foi criado de qualquer modo unicamente para encerrar a história mas, ainda assim, vale a pena.
Mais do que uma história de fuga e crime, o filme parece uma experiência sobre liberdade, caos e a impossibilidade de viver fora da sociedade.
Pra mim que valoriso mt estética, isso aqui foi um prato cheio, gostei dms do uso das cores, o vermelho, azul e amarelo aparecem o tempo todo quase como emoções visuais. A música também é usada de forma muito marcante: às vezes surge de forma abrupta ou quase teatral, reforçando o tom estranho e poético de certas cenas.
A narrativa às vezes parece fragmentada, mas isso parece intencional. Godard mistura romance, violência, literatura e comentários sobre cultura e política, e quebra o ritmo tradicional do cinema.
Em vários momentos parece menos interessado em contar uma história linear e mais em capturar um estado de espírito, amor, tédio, consumo e a busca desesperada por algo que dê sentido à vida.
Belmondo e Anna Karina sem dúvidas foram as escolhas perfeitas para esse trabalho, que na minha opinião é um dos melhores da Nouvelle Vague.
- amei todo o caos que é a narrativa do filme, cenas se repetem, trilha sonora corta do nada e volta, quebra de quarta parede e sem falar nos momentos exagerados e sem sentido
- ótimos diálogos, falas memoráveis, lindas cores e ainda critica várias coisas que aconteciam no mundo na época
- só senti um pouco que não segura o ritmo quando chega na reta final, mas é excelente mesmo assim
Eu fiquei o tempo todo me questionando o porquê de "O Demónio das Onze Horas". Aí no filme fazer referência à Pepe Le Moko. Ou seja, o nome original, Pierrot Le Fou é um trocadilho com Pepe Le Moko que, no Brasil, saiu como "O Demônio da Argélia". Ou seja, no Brasil, de forma genial, mantiveram o trocadilho do título. Agora, a pergunta que não consegui responder é por que raios "onze horas".
Bem, não sou muito fã do cinema francês. Esse daqui não foge muito à regra. Pomposo, metido, quer se mostrar mais inteligente do que realmente é e, claro, vai criticar o cinema dominante, no caso, o dos Estado Unidos sem, no final, trazer algo muito mais inteligente ou complexo que Hollywood normalmente trás. Mas, se acha superior.
"Você me fala com palavras e eu o vejo com sentimento". Sério, quem fala assim? A menina nem lê, não gosta de livros, mas sabe compor frases bonitas e filosoficas aaafff.
Certo, o cinema não precisa necessariamente ser realista. As pessoas da tela podem ser personagens inverossímeis, mas não creio que seja esse o caso.
Lado outro, as técnicas cinematográficas são ótimas. Bem, são inventividades jogadas na tela a torto e a direito, mas acho que devem ter algum significado. O uso das cores é excelente, por exemplo, inclusive o contraponto do vermelho e do azul em relação das personalidades. Mas, Hitchcock fez algum tão bom quanto (talvez até melhor) em Vertigo anos antes. A verdade é que essas inventividades e brincadeiras do cinema francês, principalmente da Nouvelle Vague francesa, não são tão superiores às técnicas cinematográficas das outras escolas de cinema. Se acham superior apenas por não contar a história de forma óbvia, e sim de forma sutil, quebrada, não linear, não expostiva. Mas, no fim, até mesmo as histórias são semelhantes.
Agora, o filme realmente teve influência em diretores de Hollywood. Temos muita coisa daqui em Pulp Fiction, principalmente em cortes e continuidade. Mas, aqui, o filme não me soou convincente. Digo, em nenhum momento o casal de protagonistas me soou convincente como um casal de criminosos. Para falar a verdade, esse estilo do Godard, que só tive contato aqui e em Uma Mulher É Uma Mulher funciona, para mim, muito melhor nesse útlimo. O estilo dele é muito colorido, divertidinho, engraçado nas inventividades e na forma como retrata o romance e as mulheres, não funciona em uma proposta de filme de crime, para mim funcionou muito melhor no Uma Mulher É Uma Mulher, com sua trama de triângulo amoroso. Mas, por algum motivo, esse é considerado um dos filmes do Godard mais assitíveis para o grande público. Não vi nada disso, mas enfim... talvez eu esteja sobrecarregado com meu ranço com o cinema francês. Acredito que, revendo daqui a alguns anos, devo gostar mais.
Mas, de primeira, continuo achando pretencioso.
Nota: 8.5.
Tenho uma certa preguiça para assistir aos filmes da nouvelle vague porque eles parecem ser mais longos do que realmente são, mas Pierrot le Fou tem um ritmo bem interessante e não é cansativo.
Apesar de todo o caos, surrealismo e excentricidade, a história é sobre a busca de encontrar um sentido na vida, achar que o encontrou junto a outra pessoa e no fim descobrir que estava enganado. É legal que Pierrot (na verdade seu nome é Ferdinand) passa por tudo isso sem parecer mudar sua feição.