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Elevado ao estado inatingível dos seres subrenaturais, Zé do Caixão desfia sua filosofia e apresenta três contos em O Fabricante de Bonecas, marginais invadem a casa de um velhinho e decobrem o segredo da confeccção de suas bonecas em Tara, um vendedor de balões fantasia uma paixão doentia por uma garota que ele segue obsessivamente pelas ruas. Em Ideologia, o excêntrico Professor Oãxiac Odez tenta provar a um rival que o instinto prevalece sobre a razão, usando métodos nada ortodoxos.
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Curiosa trilogia de curtas que revelam não só a mente perturbada por trás, mas também uma sensibilidade estética para além do seu tempo.
José Mojica é o grande mestre do cinema nacional que todos devem respeitar. esse filme é bom e depara se tirar inúmeras lições dele. a pobreza, o desejo, a triste condição humana e a condição brasileiro são aqui retratadas. são contos sujos que desafiam o intelecto e o status quo. nada é jogado, zé do caixão choca e sempre chocou por ser o mais humano possível. as pessoas não aguentam ver tanta coisa de uma vez só.
Comentando por partes:
Primeira: A cena inicial é um exemplo magnífico de antecipar uma história sem dizer nada. Apenas com os quatro rapazes conversando e olhando, podemos entender que estão tramando algo contra o fabricante de bonecas. Pobres.
O filme nos faz pensar que trará apenas alguma violência gratuita, o que não se concretiza. Pelo contrário, foi uma bela enrascada, macabra.
Segunda: O que uma história dessa tem a agregar? A ideia de que uma mulher não tem paz nem depois de morrer?
A história é muito bem contada, mesmo sem falas, porém um caso de necrofilia, mostrando que a tara do homem se concretizou mesmo após a morte, não me apetece, sinto muito, desnecessário.
Terceira: Zé do Caixão, disfarçado, faz um experimento antropológico e sádico. É debochado acerca do quão animalescos nos tornamos em situações extremas e jura que está com a razão. Termina num banquete canibal, como que usando os experimentos com famintos de desculpa, espetáculo.
São contos bem irregulares, mas que nos dão uma amostra do cinema bizarro e criativo de José Mojica.
"O Estranho Mundo de Zé do Caixão 1968" não é o tipo de coisa que atrai fãs casuais de terror, mas aqueles que curtem o estranho, filme cult, devem achar isso divertido.
O formato de antologia me agradou.
Uma coisa é certa: o mundo de J.M.Marins é realmente estranho.
13.10.2023