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Duração
Govert Miereveld (Senne Rouffaer) é um professor de meia-idade que sustenta uma obsessão por uma de suas alunas, Fran (Beata Tyszkiewicz). Sem ser correspondido, ele tenta fugir, mudando de casa e de emprego. Alguns anos depois, a serviço do Departamento de Justiça, acompanha o médico Professor Mato (Hector Camerlynck) e seu assistente Dr. Verbrugge (Paul S'Jongers) a uma autópsia para identificação de um corpo. A experiência, extremamente traumática para Miereveld, abala sua consciência e o leva a encontrar sua antiga aluna, agora uma atriz famosa, abrindo a possibilidade de não mais fugir de seu amor.
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achei um pouco injusto com o rapaz sendo preso se ela provocou isso, é nesses momentos que percebo o que a loucura do amor platônico pode causar...
Sub-Vertigo
Não lembro de ter visto no cinema dois corpos tão próximos, mas ao mesmo tempo tão distantes, como naquela cena em que Miereveld está deitado ao lado de Fran. A narrativa elíptica de "O Homem da Cabeça Raspada" parte do romance para o mistério e depois investiga as semelhanças entre normalidade e loucura. Em seu primeiro longa-metragem, André Delvaux realiza uma obra moderna que combina realidade com um certo tipo de fantasia ilusória – aquela sequência da autópsia ilustra bem isso. Momentos como esse são ofuscados pelo estilo melancólico e surreal que Delvaux imputa no cotidiano de seus filmes. Gosto da comparação entre o aparelho de vibromassagem e a pequena serra elétrica, que acaba concedendo um paralelo curioso entre beleza e feiura. Intrigou-me também a proximidade do cabeleireiro com os clientes e a distância dos corpos nos planos, sobretudo nos primeiros 30 minutos de vídeo. Sem mais delongas, acho muito bonita essa adoração do diretor pelo olhar perdido e delirante do protagonista.
A estética que bebe da fonte nítida do cinema de Bergman e Dreyer, ainda que a opção seja por um filme deliberadamente confuso numa mescla de realismo com clima onírico fantasmagórico, é o ponto positivo. A reviravolta do fim é interessante mas até pela questão de suas influências cinematográficas eu esperava algo mais complexo em termos existenciais.
Como não se identificar com este merencório e maravilhoso protagonista?! O título do filme é genial em sua proposital imputação de trivialidade aos eventos extraordinários que são eclipsados pelo cotidiano. O roteiro é magnífico em suas propositais supressões, suas elipses conseqüenciais, seu clima onírico e ultra-realista ao mesmo tempo. Um filme surpreendente, que deveria ser mais difundido nos ciclos 'cult'! (WPC>)