Rene Clair praticamente criou uma escola para os anos 30, a Comédia de erros com números musicais, que consistem na mesma fórmula: o sujeito fracassado, o submundo, os problemas com a polícia (verdadeira obsessão de Clair), a mocinha e a redenção.
Clair consegue fazer uma boa mistura de gêneros aqui.Impressiona quando o musical é explorado,segue alguns elementos da época e tudo se ajeita na reta final quando o drama começa a falar mais alto.
Filme absolutamente encantador. Meu primeiro filme do René Clair, e deixou uma ótima primeira impressão.
O filme é uma farsa que depende de um Macguffin na forma de um bilhete de loteria para desencadear sua comédia de erros.
Eu não havia assistido nenhum filme com René Lefèvre, mas eu sei que ele trabalhou com Renoir em Monsieur Lange (um filme que eu ainda não assisti), mas definitivamente ele me pareceu galã marcante, engraçado e carismático no papel de Michel, o artista um tanto cafajeste que deve para todas as pessoas de sua vizinhança. Annabelle é uma fofura completa no papel da bailarina Beatrice.
O filme vai para lugares inesperados e divertidos de uma Paris fantasiosa e glamourosa. (é verdade, muitos personagens não tem um centavo, mas glamour não é (só) dinheiro) Nós visitamos o covil subterrâneo do vovô Tulipa (um Robin-Hood moderno, me parece), e também passamos uma noite na ópera. Justamente na ópera, durante um número musical, com pétalas de rosas caindo, temos a cena mais bonita do filme. Trata-se, inclusive, de um momento desprovido de palavras, assim como várias outras partes do filme. Le Million é um filme cujo DNA tem muitos traços do cinema mudo. (é quase um filme híbrido, eu diria) Alguns críticos franceses achavam que isso era uma fraqueza do cinema de Clair: sua insistência em utilizar elementos do cinema mudo na era do som. Mas para mim (cada vez mais me interesso pela vivacidade dos melhores filmes mudos) isso parece mais uma virtude. O slapstick silencioso de certas cenas com certeza vai arrancar um sorriso de quem estiver assistindo.
Obviamente se tornou um exemplar ingênuo e um bocado datado , mas é inegável seu valor para a história dos musicais afinal de contas o filme de Rene Clair quebra todos os padrões dos musicais produzidos em hollywood no início dos "talkies". Não seria equivocado afirmar que este é o primeiro musical da história do cinema, ou ao menos aquele em que as músicas fazem parte da trama.
Rene Clair praticamente criou uma escola para os anos 30, a Comédia de erros com números musicais, que consistem na mesma fórmula: o sujeito fracassado, o submundo, os problemas com a polícia (verdadeira obsessão de Clair), a mocinha e a redenção.
Clair consegue fazer uma boa mistura de gêneros aqui.Impressiona quando o musical é explorado,segue alguns elementos da época e tudo se ajeita na reta final quando o drama começa a falar mais alto.
>Assistido em 04 de Junho de 2023
Filme muito divertido e agradável com uma direção segura de René Clair
Filme absolutamente encantador. Meu primeiro filme do René Clair, e deixou uma ótima primeira impressão.
O filme é uma farsa que depende de um Macguffin na forma de um bilhete de loteria para desencadear sua comédia de erros.
Eu não havia assistido nenhum filme com René Lefèvre, mas eu sei que ele trabalhou com Renoir em Monsieur Lange (um filme que eu ainda não assisti), mas definitivamente ele me pareceu galã marcante, engraçado e carismático no papel de Michel, o artista um tanto cafajeste que deve para todas as pessoas de sua vizinhança. Annabelle é uma fofura completa no papel da bailarina Beatrice.
O filme vai para lugares inesperados e divertidos de uma Paris fantasiosa e glamourosa. (é verdade, muitos personagens não tem um centavo, mas glamour não é (só) dinheiro) Nós visitamos o covil subterrâneo do vovô Tulipa (um Robin-Hood moderno, me parece), e também passamos uma noite na ópera. Justamente na ópera, durante um número musical, com pétalas de rosas caindo, temos a cena mais bonita do filme. Trata-se, inclusive, de um momento desprovido de palavras, assim como várias outras partes do filme. Le Million é um filme cujo DNA tem muitos traços do cinema mudo. (é quase um filme híbrido, eu diria) Alguns críticos franceses achavam que isso era uma fraqueza do cinema de Clair: sua insistência em utilizar elementos do cinema mudo na era do som. Mas para mim (cada vez mais me interesso pela vivacidade dos melhores filmes mudos) isso parece mais uma virtude. O slapstick silencioso de certas cenas com certeza vai arrancar um sorriso de quem estiver assistindo.
Obviamente se tornou um exemplar ingênuo e um bocado datado , mas é inegável seu valor para a história dos musicais afinal de contas o filme de Rene Clair quebra todos os padrões dos musicais produzidos em hollywood no início dos "talkies". Não seria equivocado afirmar que este é o primeiro musical da história do cinema, ou ao menos aquele em que as músicas fazem parte da trama.