Em algum universo alternativo, alguém assistiu King Kong e pensou: “isso aqui tá bom, mas podia ter mais caos, mais violência, mais sensualidade, menos lógica e muito mais exagero”. Esse universo existe — e ele se chama The Mighty Peking Man.
Ele não quer ser levado a sério — e, curiosamente, quanto mais eu ignorava a falta de lógica, mais eu me divertia. Aqui, a lógica pegou o caminho errado e não chegou ao set. Mas quem liga? Esse filme nasceu com uma única vocação — e sabe exercê-la muito bem: colocar um gorila gigante destruindo tudo que vê pela frente.
A coisa mais interessante é que quem manda é o espetáculo. Os personagens são caricaturas ambulantes, as decisões não fazem sentido e tudo é aceito com uma naturalidade impressionante. “Vamos capturar um monstro gigante?” vamos. “Levar pra cidade?” claro. “Vai dar errado?” ninguém quer saber.
Quem manda é o espetáculo.
Prédios caem, fogo se espalha, gente corre — e o roteiro assiste de camarote, sem a menor pressa de explicar qualquer coisa. Porque não precisa. Tem uma honestidade quase admirável nisso: o filme não finge ser profundo, não ensaia crítica social como os outros, não problematiza nada. Ele só quer entregar o show — e entrega.
Eu gosto muito da parte da selva. No King Kong original, a ilha era habitada por dinossauros prontos pra esmagar a tripulação. Aqui, eles percebem que não precisa de nada pré-histórico — tigres e elefantes já dão conta do recado. Eu lembrei de Chang: A Drama of the Wilderness, um filme de 1927 — ironicamente dos mesmos diretores de King Kong — que tem uma debandada de elefantes simplesmente absurda. E eu lembro de pensar: “isso aqui é impossível de repetir hoje”. Porque, bem… o jeito que eles filmavam animais naquela época era, no mínimo, eticamente duvidoso. E aí vem The Mighty Peking Man e encosta nesse tipo de energia. Tem elefante avançando, tigre atacando, uma violência mais seca, mais direta. Não sei se é homenagem, coincidência ou só instinto — mas funciona.
E no meio disso tem a “Bela”. E aqui o filme perde completamente qualquer vergonha. Ela não é só bonita — é exageradamente bonita. Não é só sensual — é o filme inteiro insistindo nisso. Roupas mínimas, enquadramentos insistentes, aquela coisa meio “continua olhando aqui”. Tem até uma cena que cruza uma linha bem desconfortável, usada basicamente pra justificar a fúria do gorila depois. E o filme não pensa muito sobre isso — só usa e segue em frente. É estranho, meio problemático, meio cafona… e, ao mesmo tempo, coerente com esse universo onde tudo é elevado ao máximo. Nada aqui é sutil. O gorila, inclusive, é a forma mais honesta do filme existir. Ele resolve tudo na base do braço, reage com a delicadeza de um caminhão sem freio e, depois de um tempo, é difícil não torcer por ele.
E aí entram os efeitos.
São datados? Muito. São toscos? Também. Estragam o filme? Nem um pouco. Na verdade, ajudam.
Tem um charme específico em ver um gorila claramente artificial sendo tratado com toda a seriedade do mundo. Você vê o truque — e ainda assim compra a ideia. Ou melhor: aceita brincar junto. E talvez seja isso que o filme pede: que você entre na brincadeira. Porque se você entrar esperando lógica, profundidade, uma crítica bem construída… vai sair frustrado. Mas se entrar na onda, ele entrega exatamente o que promete — mesmo sem nunca dizer em voz alta o que promete.
No fim das contas, The Mighty Peking Man não quer ser King Kong. Ele quer brincar de King Kong. E nisso, ele acerta. O filme beira a autoparódia — mas nunca perde o entusiasmo.
E talvez seja isso que mais importa.
Porque, no fim, existe uma verdade simples que o filme entende perfeitamente:
Às vezes, tudo que a gente quer… é ver um gorila gigante destruindo uma cidade.
King Kong do Paraguai mas ainda sim uma trasheira divertida, como fã de tokusatsu sou suspeito a comentar, adorei o uso de maquetes, os (d)efeitos práticos, tem vários erros de continuidade, o tipo de filme que de tão ruim dá a volta e fica bom.
Divertido esse filme do irmão pobre do King Kong. Repleto de coisas toscas, ataque de elefantes, nativo saindo na porrada com um tigre, mortes engraçadas, efeitos duvidosos, maquetes, miniaturas, atuações caricatas e claro, o macacão com cara de oriental e sua amiga gostosa.
Em algum universo alternativo, alguém assistiu King Kong e pensou: “isso aqui tá bom, mas podia ter mais caos, mais violência, mais sensualidade, menos lógica e muito mais exagero”. Esse universo existe — e ele se chama The Mighty Peking Man.
Ele não quer ser levado a sério — e, curiosamente, quanto mais eu ignorava a falta de lógica, mais eu me divertia. Aqui, a lógica pegou o caminho errado e não chegou ao set. Mas quem liga? Esse filme nasceu com uma única vocação — e sabe exercê-la muito bem: colocar um gorila gigante destruindo tudo que vê pela frente.
A coisa mais interessante é que quem manda é o espetáculo. Os personagens são caricaturas ambulantes, as decisões não fazem sentido e tudo é aceito com uma naturalidade impressionante. “Vamos capturar um monstro gigante?” vamos. “Levar pra cidade?” claro. “Vai dar errado?” ninguém quer saber.
Quem manda é o espetáculo.
Prédios caem, fogo se espalha, gente corre — e o roteiro assiste de camarote, sem a menor pressa de explicar qualquer coisa. Porque não precisa. Tem uma honestidade quase admirável nisso: o filme não finge ser profundo, não ensaia crítica social como os outros, não problematiza nada. Ele só quer entregar o show — e entrega.
Eu gosto muito da parte da selva. No King Kong original, a ilha era habitada por dinossauros prontos pra esmagar a tripulação. Aqui, eles percebem que não precisa de nada pré-histórico — tigres e elefantes já dão conta do recado. Eu lembrei de Chang: A Drama of the Wilderness, um filme de 1927 — ironicamente dos mesmos diretores de King Kong — que tem uma debandada de elefantes simplesmente absurda. E eu lembro de pensar: “isso aqui é impossível de repetir hoje”. Porque, bem… o jeito que eles filmavam animais naquela época era, no mínimo, eticamente duvidoso. E aí vem The Mighty Peking Man e encosta nesse tipo de energia. Tem elefante avançando, tigre atacando, uma violência mais seca, mais direta. Não sei se é homenagem, coincidência ou só instinto — mas funciona.
E no meio disso tem a “Bela”. E aqui o filme perde completamente qualquer vergonha. Ela não é só bonita — é exageradamente bonita. Não é só sensual — é o filme inteiro insistindo nisso. Roupas mínimas, enquadramentos insistentes, aquela coisa meio “continua olhando aqui”. Tem até uma cena que cruza uma linha bem desconfortável, usada basicamente pra justificar a fúria do gorila depois. E o filme não pensa muito sobre isso — só usa e segue em frente. É estranho, meio problemático, meio cafona… e, ao mesmo tempo, coerente com esse universo onde tudo é elevado ao máximo. Nada aqui é sutil. O gorila, inclusive, é a forma mais honesta do filme existir. Ele resolve tudo na base do braço, reage com a delicadeza de um caminhão sem freio e, depois de um tempo, é difícil não torcer por ele.
E aí entram os efeitos.
São datados? Muito. São toscos? Também. Estragam o filme? Nem um pouco. Na verdade, ajudam.
Tem um charme específico em ver um gorila claramente artificial sendo tratado com toda a seriedade do mundo. Você vê o truque — e ainda assim compra a ideia. Ou melhor: aceita brincar junto. E talvez seja isso que o filme pede: que você entre na brincadeira. Porque se você entrar esperando lógica, profundidade, uma crítica bem construída… vai sair frustrado. Mas se entrar na onda, ele entrega exatamente o que promete — mesmo sem nunca dizer em voz alta o que promete.
No fim das contas, The Mighty Peking Man não quer ser King Kong. Ele quer brincar de King Kong. E nisso, ele acerta. O filme beira a autoparódia — mas nunca perde o entusiasmo.
E talvez seja isso que mais importa.
Porque, no fim, existe uma verdade simples que o filme entende perfeitamente:
Às vezes, tudo que a gente quer… é ver um gorila gigante destruindo uma cidade.
King Kong do Paraguai mas ainda sim uma trasheira divertida, como fã de tokusatsu sou suspeito a comentar, adorei o uso de maquetes, os (d)efeitos práticos, tem vários erros de continuidade, o tipo de filme que de tão ruim dá a volta e fica bom.
O filme é super tosco, mas muito divertido. O visual do King Kong fake é muito bizarro. Passatempo despretensioso, mas legal de assistir.
Divertido esse filme do irmão pobre do King Kong.
Repleto de coisas toscas, ataque de elefantes, nativo saindo na porrada com um tigre, mortes engraçadas, efeitos duvidosos, maquetes, miniaturas, atuações caricatas e claro, o macacão com cara de oriental e sua amiga gostosa.
01-03-2021
É tão ruim que é bom :)