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Data de lançamento
12 Junho 1987Duração
O major Dutch lidera uma equipe de resgate em selva da América Central. Após uma ação bem-sucedida contra um pelotão de guerrilheiros, eles descobrem que a missão era uma farsa e eles foram usados pela CIA. Para piorar, a floresta esconde uma ameaça mortal: um ser de outro planeta, fortemente armado, que sente enorme prazer em matar.
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O Predador (1987) — Um dos grandes clássicos do cinema de ação dos anos 80
Revi O Predador depois de bastante tempo e a impressão continua sendo a mesma: esse filme é bom demais.
É impressionante como uma premissa tão simples funciona tão bem. Um grupo de soldados altamente treinados entra na selva, resolve uma missão sem grandes dificuldades e, de repente, percebe que existe alguma coisa caçando cada um deles. A partir daí, o filme muda completamente de tom.
E acho que esse é o grande mérito de John McTiernan. Nos primeiros minutos, parece que estamos diante de um típico filme de ação militar dos anos 80: Arnold Schwarzenegger, Carl Weathers, Jesse Ventura, Bill Duke, armas enormes, músculos, explosões e aquela quantidade absurda de testosterona. É praticamente uma caricatura do gênero.
Só que, quando o Predador começa a aparecer, tudo muda.
Aqueles caras que pareciam invencíveis passam a não saber nem onde está o inimigo. A selva vira uma ameaça por si só. Qualquer árvore, sombra ou movimento pode esconder a criatura. O filme consegue criar tensão simplesmente mostrando personagens olhando para o mato.
E isso continua funcionando muito bem.
O Predador também é um excelente vilão porque não é apenas uma criatura forte. Ele possui tecnologia muito superior à dos humanos, camuflagem, visão térmica e uma inteligência que permite estudar e escolher suas vítimas. O mais interessante é que ele não parece simplesmente interessado em destruir tudo. Existe uma espécie de ritual naquela caçada.
O design da criatura continua fantástico. Kevin Peter Hall fazia um trabalho impressionante dentro daquele traje, e os efeitos práticos dão ao personagem uma presença que ainda hoje funciona melhor do que muita criatura criada exclusivamente por computador.
A camuflagem entrega um pouco a idade dos efeitos, obviamente, mas sinceramente? Não incomoda.
E o filme tem algumas das melhores cenas de ação dos anos 80.
A sequência em que o grupo descarrega praticamente todo o arsenal contra a floresta é maravilhosa. É tiro para todo lado, explosão, fumaça, árvore sendo destruída e... praticamente nenhum resultado. É engraçado porque a cena ao mesmo tempo celebra e satiriza aquela obsessão do cinema de ação por armas gigantescas.
E existem frases que simplesmente ficaram eternizadas.
**"Não tenho tempo para sangrar."**
Isso é cinema de ação dos anos 80 em estado puro.
E, claro: **"Se ele sangra, podemos matá-lo."**
Impossível não gostar.
Arnold também está perfeitamente escalado como Dutch. Não é necessário exigir dele uma atuação extremamente sofisticada. O filme utiliza justamente sua imagem de máquina humana para depois desmontá-la aos poucos.
No começo, Dutch parece estar completamente no controle. No final, está coberto de lama, sem armas e tentando sobreviver contra uma criatura fisicamente muito superior.
E é aí que o personagem funciona melhor.
O confronto final é provavelmente o ponto alto do filme. Dutch percebe que não conseguirá vencer o Predador simplesmente na força e precisa usar inteligência, estratégia e o próprio ambiente.
É quase como se o caçador se transformasse em presa e precisasse aprender a caçar.
O elenco também é muito bom. Carl Weathers tem ótima presença, Bill Duke talvez seja o ator que mais chama atenção depois de Arnold, Jesse Ventura é praticamente uma entidade dentro do filme e Elpidia Carrillo faz uma Ana que poderia ter sido muito mais aproveitada pelo roteiro.
Aliás, esse é um dos poucos problemas que vejo no filme.
Alguns personagens são pouco desenvolvidos. Poncho praticamente não tem espaço, Hawkins é basicamente o alívio cômico e Billy acaba preso a um estereótipo que hoje chama bastante atenção. Ana também merecia uma participação maior, principalmente porque demonstra ser uma das personagens mais observadoras do grupo.
O roteiro também começa apresentando uma questão política envolvendo a CIA e a falsa missão de resgate, mas abandona isso completamente quando a caçada começa. Não chega a ser um problema grave, porque o filme claramente quer chegar à perseguição, mas é um elemento que poderia ter sido melhor trabalhado.
Outro detalhe que sempre achei curioso é como o filme consegue ser simultaneamente muito sério e completamente absurdo.
É um grupo de homens musculosos andando pela selva com metralhadoras gigantes enquanto um alienígena invisível começa a arrancar suas cabeças.
E funciona.
Talvez justamente porque o filme não tenha vergonha de ser o que é.
Não tenta transformar uma história simples em algo artificialmente complexo. Não precisa de dezenas de explicações sobre o universo do Predador. Basta colocar os personagens na selva e deixar a criatura fazer o trabalho.
John McTiernan entende isso muito bem.
A direção, a fotografia, a trilha de Alan Silvestri e a montagem trabalham juntas para transformar a selva em um enorme campo de caça. E a trilha sonora é outro espetáculo à parte. Os metais e a percussão praticamente empurram os personagens durante boa parte da história.
No fim das contas, O Predador tem algumas falhas, mas são facilmente compensadas pelo conjunto.
É um filme de ação, ficção científica, suspense e terror que envelheceu muito melhor do que poderia parecer.
É exagerado? Com certeza.
É brucutu? Absolutamente.
É cheio de frases de efeito, músculos, armas e explosões? Sim.
Mas também é muito bem dirigido, possui um excelente vilão, ótimas cenas de ação e sabe construir tensão de verdade.
E talvez o mais importante: continua divertido.
É aquele tipo de filme que você coloca para assistir e, quando percebe, já está completamente envolvido pela caçada.
Para mim, continua sendo um dos melhores filmes da carreira do Arnold e um dos grandes clássicos do cinema de ação dos anos 80.
Nota: 8,2/10.
Se ele sangra, podemos matá-lo.
CURIOSIDADE:
É incrível como Predador, mesmo quase 40 anos depois de seu lançamento, ainda consegue nos fazer pensar sobre cenas que pareciam simples. Enquanto eu revia o filme para fazer um comentário sobre a cena do escorpião, acabei tendo uma nova perspectiva sobre aquele momento e sobre a relação dele com o que acontece mais adiante na história.
Revisitando a cena com mais atenção, percebemos que ela representa muito mais do que parece à primeira vista e que existe uma ligação interessante entre aquele momento e o destino dos personagens.
No começo,
Mac esmaga um escorpião com a bota. É um gesto simples, praticamente automático. Para ele, aquilo é apenas um pequeno animal no caminho. Não existe esforço, medo ou preocupação. Ele simplesmente pisa e segue em frente.
E isso também mostra como aqueles soldados se enxergam naquele momento. São homens armados, treinados e acostumados a enfrentar situações extremas. Eles acreditam ter controle sobre aquele ambiente. Estão no topo da cadeia alimentar.
O escorpião representa justamente o contrário: algo pequeno, frágil e insignificante diante da força humana. Mac não precisa sequer pensar para destruí-lo.
Só que, quando o Predador começa a agir, os papéis mudam completamente.
A criatura passa a observar aqueles homens, escolher suas vítimas e eliminá-las com uma facilidade assustadora. Isso fica ainda mais claro no destino
de Mac. O mesmo personagem que, no início, esmagava um ser muito menor do que ele acaba sendo morto pelo Predador com extrema facilidade. Sua cabeça é perfurada e seu crânio é levado como troféu.
Para o Predador,
Mac ocupa uma posição muito parecida com aquela que o escorpião ocupava diante dele.
Agora é o homem que está sendo observado, perseguido e eliminado por uma criatura que o considera inferior.
É uma inversão muito simples: no início, o homem demonstra seu domínio sobre algo menor e mais fraco. Depois, descobre que também pode ser tratado da mesma maneira por um ser que está acima dele naquela cadeia de poder.
O caçador vira caça.
O que antes parecia apenas um detalhe ganha outro significado.
No fundo, Predador mostra que poder é relativo. Tudo depende de quem está em vantagem naquele momento.
Para o escorpião, o homem é uma força impossível de enfrentar.
Para o homem, o Predador é exatamente isso.
Foi menos divertido do que eu imaginava, infelizmente.
O Predador (1987) funciona — na maior parte do tempo — nas cenas de ação, assim como no quesito suspense, mantendo a identidade do predador velada até os minutos finais da obra. Se eu não o conhecesse, ficaria surpresa com o visual, que é puro efeito prático, com a cabeça animatrônica. O Predador (alien) em si é imponente e marcante, funcionando bem até hoje.
Entretanto, como já comentaram, tem mais ação do que história. Se fosse apenas isso, não seria um problema. Porém, a trama é bastante rasa, os personagens não são envolventes e o protagonista (interpretado pelo meu ator favorito de filmes brucutu) é tragicamente apagado. As mortes são um tanto rápidas, e temos um dos clichês mais bundas do cinema:
o vilão que mata todos no primeiro hit, mas, quando chega ao protagonista, só brinca de jogá-lo de um lado para o outro. Enquanto um teve seu braço decepado após um tiro, Dutch ganhou apenas um ínfimo arranhão.
Eu não sei vocês, mas acho esse recurso bem broxante.
Eu estava pronta para me divertir muito, porém, o resultado não foi muito positivo. Não é ruim, mas há melhores, tanto no quesito ação quanto no quesito lutas contra aliens. Ainda assim, vale a assistida.
P.S.: Eu não sei de onde o Dutch tirou que o alien não atacava a mulher por estar desarmada. Quando ele também estava, o Predador não se fez de rogado.
Um dos meus filmes favoritos!
IMPRIMATUR - visto pela primeira vez em 1994:
Não cheguei a vê-lo na sua estreia televisiva, só dois anos depois... ainda é um filme interessante e que funciona muito graças ao trabalho do John McTiernan.
Avaliação em nota: 7.8
Esse é um daqueles filmes que não importa o tempo que passe, continua sendo bom da mesma maneira <3
Perdi a conta de quantas vezes assisti. Vale a pena cada segundo! Arnold maravilhoso no filme <3