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Francisco recebe um telefonema inesperado na noite de 25 de agosto de 1988, data em que um histórico incêndio tomou o bairro do Chiado, em Lisboa. As chamas do passado começam, então, a invadir o seu quarto. Festival de Locarno 2012.
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Confesso que mexeu comigo. Não exatamente por lembranças de amores destruídos, queimados, mas sim por eu ter sido a fagulha dos incêndios que puseram abaixo meus relacionamentos. A minha falta de paciência para "chutar cachorro morto", ficar tentando e tentando e tentando fazer dar certo, me impediu de imergir mais na trama. Apesar disso, é linda a metáfora histórica que se funde com algo pessoal, particular. Nós faz pensar como todos nós temos nossas próprias tramas, nossos próprios livros, diante de horrores desse tipo.
A exposição recorrente de "La Voix Humaine" na mesa do arquiteto não é casual: nalguns momentos, o filme chega a parecer um plágio desta trama monológica angustiante e apaixonante (risos). Porém, o tom de homenagem aqui é nacional: além de reverenciar seu grande amigo cineasta, o diretor reconta um momento traumático da história portuguesa através do trauma progressivo que é o desgaste de uma relação amorosa. As sobreposições imagéticas são ótimas, bem como o reaproveitamento das imagens televisivas. Quem nunca viveu algo parecido? Dói... Por mais que estejamos acostumados, dói muito! Mas providencia o adubo que o protagonista menciona ao final, justificando o belo título do filme... (WPC>)
um dos melhores curtas que já vi na vida.