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O Rei da Vela" junta imagens alegóricas e trechos de filmes com a remontagem feita da peça em 1971. No longa, o ator Renato Borghi reproduz para a câmera sua interpretação de Abelardo 1º e José Wilker faz Abelardo 2º --a personagem representa a elite brasileira. A montagem de "O Rei da Vela", que marcou a reabertura do Oficina após ter sido incendiado em 1966, rodou o Brasil e marcou a carreira de Zé Celso e de Renato Borghi.
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Assisti no FESTIVAL CAVÍDEO 24 ANOS que ocorreu online entre julho e agosto de 2021. Mais um lixo sem sentido com o selo do Cinema Marginal. Aqui extrapolando qualquer razoabilidade e produzindo uma obra irritante de quase 3 horas de duração. Se pelo menos tivessem se limitado a filmar a peça de teatro - que já seria um cinema ruim, porque filmar peça de teatro não é cinema -, fazem uma montagem ridícula, inserindo um monte de cenas aleatórias, sem sentido e sem propósito. Inclusive até mesmo a seleção das cenas da peça parecem ser aleatória, já que nada ali parece ter uma continuidade. Acaba que não se assiste a uma peça de teatro, não se assiste a um filme, não se assiste a um documentário, porque isso aqui é um grandessíssimo nada. É só perda de tempo. Tem até um momento bunda doída, com um personagem aleatório ironizando as justas críticas que se faz ao cinema nacional - pasmem - até hoje. Por sorte o player permitia assistir com velocidade acelerada e já nos primeiros minutos não tive dúvidas em colocar numa reprodução acelerada em x2. Pena que não dava pra acelerar mais. É constrangedor ver gente pagando pau pra esse tipo de lixo cinematográfico produzido naquela época. Pode-se reconhecer a importância desse "cinema" no enfrentamento à censura imposta na época, sem precisar fingir que isso era bom, porque não era. E a intenção era não ser bom mesmo. Por outro lado faz todo sentido que essa porcaria seja exibida num festival em homenagem à Cavídeo, já que eles se dedicam basicamente a dois tipos de produções: filmar teatrinho e punhetar o cinema marginal. Pois bem, O REI DA VELA é o suprassumo disso aí. E é uma pena, porque a peça de teatro em questão parecia ser bem interessante, trazendo alguns questionamentos assustadoramente atuais, como um socialista que se coaliza ao capital, extremismo de centro. Enfim... A melhor parte do fim da pandemia vai ser nunca mais ter contato com esse tipo de câncer. Eu preferia ter permanecido na ignorância da existência de produções tão ruim, e mais ainda da existência dos advogados desse tipo de "cinema". Infelizmente esse período só serviu pra reforçar todos os meus preconceitos ao cinema nacional e aos seus idealizadores e entusiastas. Nota 1 de 10.
Final excepcional! Essa união do teatro com o cinema documental funciona bastante, e a montagem é muito boa. Minha única ressalva diz respeito a questão de que poderia ter sido mais objetivo. As quase 3 horas não são necessárias.
Acredito que a cena em que o Abelardo paquera a coroa dizendo que respeita-a porque "a senhora é o passado, o cerne", a origem; seja uma analogia a própria antropofagia que busca, literal e figurativamente, acasalar o mais primitivo ao mais moderno daquilo que nos faz brasileiros.
Um filme realmente incrível. Montagem excepcional. Talvez seja um pouco confuso para quem não viu a peça ou leu o livro, mas ainda assim continua sendo uma experiência bastante interessante.
Todos as estreias no campo da arte podem ser consideradas "um parto", pois as obras são sempre fruto de uma longa elaboração. As vezes a gestação é demasiada longa, por diversos fatores. É triste quando o prolongamento se dá por razões políticas, e gratificante ver obras e artistas que persistem e continuam a existir e produzir mesmo em condições inóspitas.
O filme foi rodado em 1971 e só foi montado em 1982 após o fim do exílio do Zé Celso. Mas isso não é tão impactante se levarmos em conta que as imagens registram montagens de uma peça escrita em 1933 (por Oswald de Andrade) que só veio a ser encenada a partir de 1967 (pelo próprio Teatro Oficina). O que também não é tão impactante se levarmos em conta o quanto todas essas obras (o texto, a peça e o filme) continuam atuais e revelantes no Brasil de 2017.
80 anos se passaram e o Brasil continua o mesmo.
Eu tive a honra de ver hoje na Mostra "Cinema de Invenção" do Cine Sesc Augusta em São Paulo, ao lado do próprio Zé Celso. Uma experiência dignificante e bastante significativa que vou levar pra vida, principalmente por saber que o grupo ficou no exílio durante a ditadura. E o Zé é uma figura lúcida e muito gentil. Emocionante, maluco, experimental e necessário. Um registro que valoriza do mero iluminador ao mais esperto dos atores.