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Outros títulos
A Era das Trevas. - Brasil
Blood Surf 2 - Filipinas
Sinopse
Na Austrália, crocodilo superdesenvolvido ataca e causa a morte de muitas pessoas. Mas é defendido com unhas e dentes por um guarda-florestal, porque o animal é considerado sagrado pelos aborígenes da região.
Há filmes que nascem à sombra de outros. Dark Age é um deles — um Jaws australiano, trocando o tubarão pelo crocodilo e o Atlântico pelos estuários quentes da Austrália. Mas reduzi-lo a mera imitação seria injusto: há aqui um olhar próprio, curioso, quase espiritual, sobre a relação entre o homem e a natureza.
O crocodilo gigante, chamado Numunwari, é para os aborígenes uma criatura sagrada — guardião dos rios, força ancestral. Para o resto do mundo, é só um monstro faminto. Essa divisão simbólica dá ao filme sua centelha de originalidade: o horror e a reverência convivem na mesma água turva. Pena que o título, Dark Age, não carregue nada desse peso mítico. Talvez o público da época tivesse medo de um nome aborígene no cartaz, mas “Numunwari” teria sido mais justo — e, francamente, muito mais bonito.
Visualmente, o filme é um deslumbre. Os planos largos das paisagens australianas, os rios densos, as aldeias em meio ao mangue — tudo parece pintado à mão. É o tipo de beleza que o estúdio não simula. E o crocodilo — real, animatrônico ou os dois — convence o bastante para fazer qualquer um recuar do sofá. Há uma cena, inclusive, que rivaliza com o impacto de Tubarão: um grupo de crianças nada inocentemente no rio, e a câmera desliza lenta pela superfície até que uma delas — pequena demais para entender o perigo — é devorada. É cruel, seca e precisa. Um golpe rápido, como um reflexo na água.
Mas Dark Age não é apenas sobre caçar o predador. O protagonista, Steve Harris, guarda florestal e mediador involuntário entre ciência e crença, tenta encontrar equilíbrio entre matar e preservar. Quando o crocodilo é capturado, o filme muda de rumo. Não há um grande clímax de arpões e explosões; há, sim, uma travessia. Harris e os aborígenes tentam levar o animal a uma reserva, enquanto um caçador obcecado — o vilão de ocasião — insiste em destruí-lo. A ideia é boa, mas a execução tropeça. O vilão é raso, sua obsessão nunca amadurece, e o terceiro ato, embora filmado com energia (caminhões, tiros, correria), parece apressado — incapaz de entregar a catarse que o filme vinha prometendo.
A comparação com Jaws é inevitável. Spielberg deu à sua fera personagens inesquecíveis — Brody, Hooper, Quint — enquanto aqui o crocodilo engole todos os coadjuvantes. Há algo de tocante na relação entre Steve e os aborígenes, mas é pouco: Dark Age brilha quando olha para a água e se apaga quando olha para as pessoas. Ainda assim, há um mérito claro — o de subverter o modelo. É o “e se o tubarão fosse capturado e levado para uma reserva, e o verdadeiro monstro fosse o homem?”. Essa inversão moral é o que mantém o filme vivo, mesmo com suas falhas.
No fim, Dark Age é um belo exemplar do terror ecológico dos anos 80: irregular, mas hipnótico. Falta-lhe o carisma humano de Tubarão, mas sobra respeito pela natureza — e um fascínio genuíno pelo que há de mítico nas águas. É um filme sobre uma era escura, sim, mas não por causa da criatura. O breu vem do homem, que insiste em dominar o que deveria apenas compreender. Dark Age é o Tubarão que olhou para dentro do rio e viu, refletido ali, um pedido de reconciliação. O crocodilo sonha. A gente, talvez, ainda não aprendeu a sonhar junto.
Bom filme que realmente está com uma nota injusta, principalmente levando em consideração o ano de produção, e ainda assim é melhor que a maioria dos exemplares lançados nos últimos anos. John Jarratt, o lendário Mick Taylor bem jovem aqui.
Há filmes que nascem à sombra de outros. Dark Age é um deles — um Jaws australiano, trocando o tubarão pelo crocodilo e o Atlântico pelos estuários quentes da Austrália. Mas reduzi-lo a mera imitação seria injusto: há aqui um olhar próprio, curioso, quase espiritual, sobre a relação entre o homem e a natureza.
O crocodilo gigante, chamado Numunwari, é para os aborígenes uma criatura sagrada — guardião dos rios, força ancestral. Para o resto do mundo, é só um monstro faminto. Essa divisão simbólica dá ao filme sua centelha de originalidade: o horror e a reverência convivem na mesma água turva. Pena que o título, Dark Age, não carregue nada desse peso mítico. Talvez o público da época tivesse medo de um nome aborígene no cartaz, mas “Numunwari” teria sido mais justo — e, francamente, muito mais bonito.
Visualmente, o filme é um deslumbre. Os planos largos das paisagens australianas, os rios densos, as aldeias em meio ao mangue — tudo parece pintado à mão. É o tipo de beleza que o estúdio não simula. E o crocodilo — real, animatrônico ou os dois — convence o bastante para fazer qualquer um recuar do sofá. Há uma cena, inclusive, que rivaliza com o impacto de Tubarão: um grupo de crianças nada inocentemente no rio, e a câmera desliza lenta pela superfície até que uma delas — pequena demais para entender o perigo — é devorada. É cruel, seca e precisa. Um golpe rápido, como um reflexo na água.
Mas Dark Age não é apenas sobre caçar o predador. O protagonista, Steve Harris, guarda florestal e mediador involuntário entre ciência e crença, tenta encontrar equilíbrio entre matar e preservar. Quando o crocodilo é capturado, o filme muda de rumo. Não há um grande clímax de arpões e explosões; há, sim, uma travessia. Harris e os aborígenes tentam levar o animal a uma reserva, enquanto um caçador obcecado — o vilão de ocasião — insiste em destruí-lo. A ideia é boa, mas a execução tropeça. O vilão é raso, sua obsessão nunca amadurece, e o terceiro ato, embora filmado com energia (caminhões, tiros, correria), parece apressado — incapaz de entregar a catarse que o filme vinha prometendo.
A comparação com Jaws é inevitável. Spielberg deu à sua fera personagens inesquecíveis — Brody, Hooper, Quint — enquanto aqui o crocodilo engole todos os coadjuvantes. Há algo de tocante na relação entre Steve e os aborígenes, mas é pouco: Dark Age brilha quando olha para a água e se apaga quando olha para as pessoas. Ainda assim, há um mérito claro — o de subverter o modelo. É o “e se o tubarão fosse capturado e levado para uma reserva, e o verdadeiro monstro fosse o homem?”. Essa inversão moral é o que mantém o filme vivo, mesmo com suas falhas.
No fim, Dark Age é um belo exemplar do terror ecológico dos anos 80: irregular, mas hipnótico. Falta-lhe o carisma humano de Tubarão, mas sobra respeito pela natureza — e um fascínio genuíno pelo que há de mítico nas águas. É um filme sobre uma era escura, sim, mas não por causa da criatura. O breu vem do homem, que insiste em dominar o que deveria apenas compreender. Dark Age é o Tubarão que olhou para dentro do rio e viu, refletido ali, um pedido de reconciliação. O crocodilo sonha. A gente, talvez, ainda não aprendeu a sonhar junto.
Bom filme que realmente está com uma nota injusta, principalmente levando em consideração o ano de produção, e ainda assim é melhor que a maioria dos exemplares lançados nos últimos anos.
John Jarratt, o lendário Mick Taylor bem jovem aqui.
27-08-2023
Até em filme de jacaré os australianos dão um jeito de fazer uma perseguição em meio a poeira.
A pessoa cadastra o elenco e esquece de colocar a atriz principal do filme. Lamentável!
Estreou na Darkflix como A Era das Trevas.