O filme se passa na China maoísta, convulsionada entre os anos 50 e 60 e, conta a história de uma família de Pequim, de seus amigos e vizinhos, tudo sob o olhar de uma criança, o pequeno Tietou.
Cinematograficamente essa produção deixa a desejar pelo fato da direção entregar um trabalho um tanto convencional. Historicamente ela é imprescindível por retratar um importante período da China em que comunismo se instaurou no país trazendo opressão e grandes perdas para a sua população. Uma obra importante para entender que a China se tornou a grande potência mundial que é hoje ao custo de grande sofrimento para o seu próprio povo.
A experiência acaba por ser maçante e monocromática, de forma que parece que há somente tristezas e agruras na vida da família de Tietou. A história da China serve como pano de fundo, e o filme segue uma estruturação que busca ampliar os sofrimentos daquela família, mas baseada na visão do garoto. Nesse sentido, algumas cenas sem sua presença fogem dessa construção, o que deixam a sensação de incompletude, já que não se é unicamente a história de Tietou, mas também não é a de sua família ou da China. Preferia que o filme se mantivesse somente sob o olhar da criança, pois garantiria uma força da experiência política não consciente e o entendimento do mundo ao seu redor. Algo no filme (talvez as atuações, talvez o roteiro) não consegue passar a carga dramática de forma eficiente, a não ser nas cenas finais, e a alegoria com a pipa azul é tão escancarada que perde forças quando chega o último frame.
Uma fita da China sobre a China que aborda, politicamente, a construção da identidade mordaz que esse país possui. À primeira vista, parece uma obra direitista (e deveras o é quando visto pelo ângulo mais cômodo), mas as manobras subliminares da câmera do diretor denunciam a intolerância cega e realçam uma parte da edificação que se transformou numa potência mundial. Ademais, é um afago especial às mães que impuseram moralidade, resistência e esperança na criação de seus filhos numa época efervescente e revolucionária. E, talvez, essa humanidade singela (ou o verdadeiro retrato da maternidade) seja o poder maior de uma obra já grande, apesar da edição lenta e, casualmente, cansativa. Aos realistas depressivos de plantão, eis uma obra sensivelmente triste. Mas especial.
A parte que a galera leva os bolinhos e a mulher fala: ''É assim que se educa as massas, ninguém vai comer, vai para o lixo'' eu cheguei a pensar que tava assistindo um filme americano...No final, então...
Veja bem, o problema não é ser crítico ao período histórico retratado, isso é na verdade bem interessante...O problema é cair em maniqueísmo, tratar de forma simplista um processo complexo. Quem não estudou o período sai do filme sem entender nada e com uma visão enviesada, e a prova disso é que aqui mesmo tem reaça falando bosta nos comentários.
Ainda assim, um diretor técnicamente muito competente. E meia estrela a mais pq os atores mirins são muito fofinhos :3
Revolução cultural chinesa é um assunto que me desperta reações mistas, mais que, or exemplo, o Grande Salto Adiante. Com todos os inegáveis exageros, não dá pra deixar de notar que há sim um caráter louvável, arrojado e progressista na ideia em si dos alunos tomarem as rédeas dos professores.
Infelizmente, essas nuances acabam não sendo contempladas neste e em vários outros longas noventistas dos chineses que acabam por condenar de modo unidimensional esses acontecimentos.
O SONHO AZUL acaba sendo apenas razoável no todo. Narrativa agradável (diferente do tedioso longa anterior do mesmo cineasta, LADRÃO DE CAVALOS), elenco atuando no piloto automático e um roteiro que exagera no partidarismo. Dessa safra revisionista histórica da revolução maoísta, o melhor filme sem dúvidas é TEMPO DE VIVER, do Zhang Yimou.
Cinematograficamente essa produção deixa a desejar pelo fato da direção entregar um trabalho um tanto convencional. Historicamente ela é imprescindível por retratar um importante período da China em que comunismo se instaurou no país trazendo opressão e grandes perdas para a sua população. Uma obra importante para entender que a China se tornou a grande potência mundial que é hoje ao custo de grande sofrimento para o seu próprio povo.
A experiência acaba por ser maçante e monocromática, de forma que parece que há somente tristezas e agruras na vida da família de Tietou. A história da China serve como pano de fundo, e o filme segue uma estruturação que busca ampliar os sofrimentos daquela família, mas baseada na visão do garoto. Nesse sentido, algumas cenas sem sua presença fogem dessa construção, o que deixam a sensação de incompletude, já que não se é unicamente a história de Tietou, mas também não é a de sua família ou da China. Preferia que o filme se mantivesse somente sob o olhar da criança, pois garantiria uma força da experiência política não consciente e o entendimento do mundo ao seu redor. Algo no filme (talvez as atuações, talvez o roteiro) não consegue passar a carga dramática de forma eficiente, a não ser nas cenas finais, e a alegoria com a pipa azul é tão escancarada que perde forças quando chega o último frame.
Uma fita da China sobre a China que aborda, politicamente, a construção da identidade mordaz que esse país possui. À primeira vista, parece uma obra direitista (e deveras o é quando visto pelo ângulo mais cômodo), mas as manobras subliminares da câmera do diretor denunciam a intolerância cega e realçam uma parte da edificação que se transformou numa potência mundial. Ademais, é um afago especial às mães que impuseram moralidade, resistência e esperança na criação de seus filhos numa época efervescente e revolucionária. E, talvez, essa humanidade singela (ou o verdadeiro retrato da maternidade) seja o poder maior de uma obra já grande, apesar da edição lenta e, casualmente, cansativa. Aos realistas depressivos de plantão, eis uma obra sensivelmente triste. Mas especial.
A parte que a galera leva os bolinhos e a mulher fala: ''É assim que se educa as massas, ninguém vai comer, vai para o lixo'' eu cheguei a pensar que tava assistindo um filme americano...No final, então...
Veja bem, o problema não é ser crítico ao período histórico retratado, isso é na verdade bem interessante...O problema é cair em maniqueísmo, tratar de forma simplista um processo complexo. Quem não estudou o período sai do filme sem entender nada e com uma visão enviesada, e a prova disso é que aqui mesmo tem reaça falando bosta nos comentários.
Ainda assim, um diretor técnicamente muito competente. E meia estrela a mais pq os atores mirins são muito fofinhos :3
REVISIONISMO HISTÓRICO MANIQUEÍSTA
Revolução cultural chinesa é um assunto que me desperta reações mistas, mais que, or exemplo, o Grande Salto Adiante. Com todos os inegáveis exageros, não dá pra deixar de notar que há sim um caráter louvável, arrojado e progressista na ideia em si dos alunos tomarem as rédeas dos professores.
Infelizmente, essas nuances acabam não sendo contempladas neste e em vários outros longas noventistas dos chineses que acabam por condenar de modo unidimensional esses acontecimentos.
O SONHO AZUL acaba sendo apenas razoável no todo. Narrativa agradável (diferente do tedioso longa anterior do mesmo cineasta, LADRÃO DE CAVALOS), elenco atuando no piloto automático e um roteiro que exagera no partidarismo. Dessa safra revisionista histórica da revolução maoísta, o melhor filme sem dúvidas é TEMPO DE VIVER, do Zhang Yimou.