Um fotojornalista recebe a missão de ir até uma pequena vila na Índia atingida por um terremoto, para registrar imagens da tragédia. Ansioso por ser sua primeira grande cobertura, ele chega ao lugar antes dos outros jornalistas. Lá, porém, encontra apenas locais vazios e poucas pessoas, que não sabem ou fingem não saber sobre o terremoto. O fotógrafo passa a explorar a região das montanhas em busca do desastre, e, à medida em que o mistério aumenta, a neblina que ele enfrenta fica cada vez mais densa.
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Não sabia o que esperar, mas adorei... Achei o clima similar ao de alguns filmes de terror sul-coreanos (por causa dos cenários montanhosos, talvez), mas é um filme muito singular e peculiar. Não tem nada a ver com qualquer outra obra indiana com que deparei-me até hoje (risos): o arremedo de trama é um constante girar em círculos, com mergulhos intensos e simultâneos nas lógicas narrativas do documentário e do suspense paranormal. O protagonista possui algo de sedutor em seu aspecto cosmopolita - o que talvez o exponha como frágil em seu país natal (supondo que ele tenha sido criado na Índia - parece tão estrangeirizado). O jornalismo, ás vezes, é isso, não é? Sentir-se estranho, adentrar um terreno alheio e surrupiar dados, que, para quem vivencia as situações abordadas, são metonímias de tragédias, não apenas de notícias sensacionalistas. Imaginei diversas possibilidades de pós-interpretação ao que acontece no filme. A trilha musical é muito boa: em minha opinião, a semelhança com a melodia de "Peer Gynt" não é nada casual! (WPC>)
Em 1992, o iraniano Abbas Kiarostami dirigiu a segunda parte da trilogia Koker. No filme intitulado E a Vida Continua, um diretor e seu filho viajam à região de Koker, atingida por um terremoto, local no qual o cineasta havia feito um filme há alguns anos e volta em busca daqueles que atuaram em seu longa.
A dois países dali, na Índia, é possível identificar algumas similaridades em Tremor, filme do diretor estreante Balaji Vembu Chelli. O protagonista é um jornalista que viaja à região de Kookal para realizar uma reportagem sobre um terremoto que, aparentemente, arruinou todo um vilarejo.
Em sua jornada, o jornalista parece viver seus dias de Alice ao seguir por estradas sinuosas e adentrar em uma vila cada vez mais coberta por uma densa neblina. As poucas pessoas que lhe aparecem são estranhas, algumas lhe dão informações desconexas, outras lhe pregam peças e outras lhe ameaçam.
A sensação de estranheza vai tomando conta da narrativa e, diante de tantas voltas, a impressão de que um curta estruturaria melhor a jornada do jornalista começa a ficar evidente. Chelli se interessa tanto pelos sons da natureza quanto pela trilha sonora sempre presente, o silêncio do protagonista diante de tanto estranhamento meio que evoca essa sensação de não pertencimento.
Por alguns momentos, há uma tentativa intrigante de seguir pelo caminho do realismo fantástico e essa, talvez, seja melhor recebida pelo público indiano. É um filme bastante regional, de idas e vindas, desencontros, desinformações e voltas em círculo que parece não chegar a lugar algum. O final é abrupto e, se não corresponde às expectativas criadas durante a jornada, pelo menos, o sorriso do jornalista deixa a impressão de que para ele valeu de algo.