O maestro Alfred De Carter suspeita da fidelidade da esposa. Enquanto rege uma orquestra sinfônica, ele imagina diferentes maneiras de lidar com a situação.
Comédia romântica musical em preto e branco da 20th Century Fox escrita, produzida e dirigida por Preston Sturges (1898-1959). Este filme teve uma refilmagem: Infielmente tua (84). O remake, no entanto, eliminou o tema de 3 peças musicais diferentes, inspirando 3 cenários diferentes de resposta ou vingança.
A câmera faz um grande close do olho esquerdo de Sir Rex Harrison (1908-1990) pouco antes de desaparecer em cada uma das fantasias de infidelidade de Sir Alfred De Carter. Aconteceu que Harrison era cego desse olho, resultado do sarampo infantil. O lançamento do filme foi adiado porque os funcionários do estúdio temiam uma reação negativa da publicidade negativa em torno do suicídio por overdose de drogas em julho de 1948 de Carole Landis, que havia rumores de estar tendo um caso com Harrison, e cujo corpo foi encontrado por Harrison em sua casa.
Barbara Lawrence (1930-2013) e Linda Darnell (1923-1965) interpretaram irmãs mais tarde em Quem é o infiel? (49). Sir Rex Harrison e Linda Darnell já interpretaram marido e mulher em Anna e o Rei do Sião (46). Sempre inteligente e original, é facilmente a mais sombria das clássicas comédias malucas e uma das melhores. Considerado um fracasso de crítica e de bilheteria para o genial escritor e diretor Sturges, mas também seu último grande filme.
Exemplo de que se o cinema usar bem seus recursos de fotografia, som e montagem, o que poderia ser apenas um filme básico, supercial e fabricado em regime de estúdio, pode se transformar numa obra de relevância. O que Martin Scorcesse chamou de "fratura de autoralidade no cinema comercial americano" pode ser visto em Odeio-te Meu Amor, péssimo título em portugues para Unfaithfull Yours - algo que soaria melhor na tradução literal 'Infielmente Sua'. Preston Sturges (dirigiu o imperdível A Viagem dos Sullivan) tem domínio total da construção narrativa desta comédia com toques de humor negro, cinismo e sofisticação realizada já no fim da era de ouro de Hollywood. Construído sob o mote da mente criativa (ou não) de uma sugestiva possível infidelidade em um casamento aparentemente em total harmonia, qual seria a reação diante de uma circunstancia antes impensada ? As opções são esboçadas a medida que a câmera invade os pensamentos mais perturbadores do maestro e as possibilidades se expandem seguindo a trilha do concerto que está sendo apresentado sob sua regência. Em total colapso mental, vivendo a hipótese de estar sendo traído, o músico se tortura até que decide partir para a ação. Como se estivesse criando uma partitura musical, o personagem de Rex Harrison confabula sua vingança onde a teoria é muito mais fácil do que por em prática. O aspecto psicológico é refletido pela trilha sonora que vai moldando a oscilação de humor do protagonista, indicando ao público as variantes de animosidade. A fotografia também descreve com precisão cirúrgica a importância dos personagens em cada plano, conservando as características do glamour do cinema norte americano da época, principalmente nas cenas da sempre radiante Linda Darnel. Interpretações de ótimo nível coroam o filme com um resultado inquietante. 5 estrelas.
Em primeiro lugar o nome do filme no Brasil me despertou uma vontade incontrolável de assisti-lo, quando descobri o título original, fiquei ainda mais entusiasmado. Meu segundo motivo foi pela Linda Damell. Nenhum dos dois conseguiu fazer com que me arrependesse, o nome continua ótimo e a Linda continua linda.
Aquela primeira "maneira de lidar com a situação" me provocou uma crise de risos pelo choque. Quando compreendi o que estava havendo, fiquei mais chocado ainda. Rapaz, mas que narração é essa? Perfeita e ponto chave do filme.
O que incomoda é essa comédia forçada e todo aquele jeitão de filme do Chaplin que tentaram colocar quando o maestro queria pôr seus planos em prática, talvez tenha sido a atuação exagerada que fez da parte cômica um ridículo. Fora isso, o filme é um espetáculo, as apresentações da orquestra, mesmo no ensaio, são muito agradáveis.
No começo achei que seria bem lento, mas me surpreendi. Os devaneios dele são demais, e mais engraçados ainda quando "postos em prática". Adorei. Criativo e engraçado, vale a pena.
Preston Sturges é genial e, aqui, ele surpreende bastante ao inserir aqueles estratagemas delirantes durante um concerto, estendido enquanto os eventos onírico-vingativos se sucedem... Pena que a histeria do Rex Harrisson irrite (juro, fiquei incomodadíssimo!) e que as cenas de comédia pastelão soem forçadas (vide o incêndio e a destruição do quarto, que, pelo menos, tem bons momentos), mas, pelas inovações adotadas em sua narrativa que perigava ser trivial, bato palmas de pé para este filme. Adicionando, inclusive, que Linda Darnell está soberba: quem não queria uma daquela como esposa (mesmo que fosse remotamente infiel - risos)? - WPC>
Comédia romântica musical em preto e branco da 20th Century Fox escrita, produzida e dirigida por Preston Sturges (1898-1959). Este filme teve uma refilmagem: Infielmente tua (84). O remake, no entanto, eliminou o tema de 3 peças musicais diferentes, inspirando 3 cenários diferentes de resposta ou vingança.
A câmera faz um grande close do olho esquerdo de Sir Rex Harrison (1908-1990) pouco antes de desaparecer em cada uma das fantasias de infidelidade de Sir Alfred De Carter. Aconteceu que Harrison era cego desse olho, resultado do sarampo infantil. O lançamento do filme foi adiado porque os funcionários do estúdio temiam uma reação negativa da publicidade negativa em torno do suicídio por overdose de drogas em julho de 1948 de Carole Landis, que havia rumores de estar tendo um caso com Harrison, e cujo corpo foi encontrado por Harrison em sua casa.
Barbara Lawrence (1930-2013) e Linda Darnell (1923-1965) interpretaram irmãs mais tarde em Quem é o infiel? (49). Sir Rex Harrison e Linda Darnell já interpretaram marido e mulher em Anna e o Rei do Sião (46). Sempre inteligente e original, é facilmente a mais sombria das clássicas comédias malucas e uma das melhores. Considerado um fracasso de crítica e de bilheteria para o genial escritor e diretor Sturges, mas também seu último grande filme.
Exemplo de que se o cinema usar bem seus recursos de fotografia, som e montagem, o que poderia ser apenas um filme básico, supercial e fabricado em regime de estúdio, pode se transformar numa obra de relevância. O que Martin Scorcesse chamou de "fratura de autoralidade no cinema comercial americano" pode ser visto em Odeio-te Meu Amor, péssimo título em portugues para Unfaithfull Yours - algo que soaria melhor na tradução literal 'Infielmente Sua'. Preston Sturges (dirigiu o imperdível A Viagem dos Sullivan) tem domínio total da construção narrativa desta comédia com toques de humor negro, cinismo e sofisticação realizada já no fim da era de ouro de Hollywood. Construído sob o mote da mente criativa (ou não) de uma sugestiva possível infidelidade em um casamento aparentemente em total harmonia, qual seria a reação diante de uma circunstancia antes impensada ? As opções são esboçadas a medida que a câmera invade os pensamentos mais perturbadores do maestro e as possibilidades se expandem seguindo a trilha do concerto que está sendo apresentado sob sua regência. Em total colapso mental, vivendo a hipótese de estar sendo traído, o músico se tortura até que decide partir para a ação. Como se estivesse criando uma partitura musical, o personagem de Rex Harrison confabula sua vingança onde a teoria é muito mais fácil do que por em prática. O aspecto psicológico é refletido pela trilha sonora que vai moldando a oscilação de humor do protagonista, indicando ao público as variantes de animosidade. A fotografia também descreve com precisão cirúrgica a importância dos personagens em cada plano, conservando as características do glamour do cinema norte americano da época, principalmente nas cenas da sempre radiante Linda Darnel. Interpretações de ótimo nível coroam o filme com um resultado inquietante. 5 estrelas.
Em primeiro lugar o nome do filme no Brasil me despertou uma vontade incontrolável de assisti-lo, quando descobri o título original, fiquei ainda mais entusiasmado. Meu segundo motivo foi pela Linda Damell. Nenhum dos dois conseguiu fazer com que me arrependesse, o nome continua ótimo e a Linda continua linda.
Aquela primeira "maneira de lidar com a situação" me provocou uma crise de risos pelo choque. Quando compreendi o que estava havendo, fiquei mais chocado ainda. Rapaz, mas que narração é essa? Perfeita e ponto chave do filme.
O que incomoda é essa comédia forçada e todo aquele jeitão de filme do Chaplin que tentaram colocar quando o maestro queria pôr seus planos em prática, talvez tenha sido a atuação exagerada que fez da parte cômica um ridículo. Fora isso, o filme é um espetáculo, as apresentações da orquestra, mesmo no ensaio, são muito agradáveis.
No começo achei que seria bem lento, mas me surpreendi. Os devaneios dele são demais, e mais engraçados ainda quando "postos em prática". Adorei. Criativo e engraçado, vale a pena.
Preston Sturges é genial e, aqui, ele surpreende bastante ao inserir aqueles estratagemas delirantes durante um concerto, estendido enquanto os eventos onírico-vingativos se sucedem... Pena que a histeria do Rex Harrisson irrite (juro, fiquei incomodadíssimo!) e que as cenas de comédia pastelão soem forçadas (vide o incêndio e a destruição do quarto, que, pelo menos, tem bons momentos), mas, pelas inovações adotadas em sua narrativa que perigava ser trivial, bato palmas de pé para este filme. Adicionando, inclusive, que Linda Darnell está soberba: quem não queria uma daquela como esposa (mesmo que fosse remotamente infiel - risos)? - WPC>