Uma ginasta ucraniana de 15 anos exilada na Suíça, que trabalha para garantir uma vaga no Centro Esportivo Nacional do país. Quando a revolta Euromaiden irrompe no país, a ansiedade aumenta à medida que sua família se envolve.
Não é ruim, não é sobre esporte, também não é necessariamente sobre o conflito político ucraniano, é sobre uma história real de alguém muito jovem em meio a dilemas pessoais.
Mas o grande problema, pra mim é não haver um clímax ou algo grandioso aqui
Elie Grape, um cineasta com menos de 30 anos, conseguiu algo fantástico aqui: com um domínio absurdo dos seus (não) atores, filma o cotididiano de Olga, uma ginasta Ucraniana, com ares superrealistas, em vários momentos pensei se tratar de um documentário mesmo, e da relação do esporte consegue dialogar com os regimes do leste europeu. A mãe de Olga é uma jornalista, e o filme começa em 2013, no meio do que muitos historiadores consideram como a maior manifestação europeia da história (a favor da União Europeia e do livre comércio, no caso), e sofre um atentado no carro com sua filha, o que pode pôr em risco o futuro da ginasta. Por este motivo, Olga é levada para o país do pai dela (que morrera a esta altura), a Suíça, em cenas que marcam a força de vontade de Olga em vencer pelo esporte. O filme, portanto, não é sobre superação individual ou qualquer coisa ligada ao individualismo e meritocracia de filmes de esporte. Ao manter contato com sua amiga ou nas videochamadas que faz com a mãe, fica clara a tensão que há na Ucrânica, transbordado por pequenas microtensões (Olga deve se naturalizar? Olga consegue se adaptar?). A dificuldade dela em fazer amigos é notória, bem como o conflito interno que há entre deixar a mãe no meio da tensão política para seguir sua carreira. A atuação contida de Anastasia Budiashkina é um prato cheio para captar o drama, com seu olhar perdido quando no meio das suas colegas de treino, ela nunca consegue fazer-se pertencer, mesmo sendo uma ginasta acima da média e que consegue altos pontos para a equipe, ela acaba se fechando em si, mas por dentro sabemos a explosão de sentimentos. Uma cena em particular me marcou muito.
Olga conversa com sua única amiga, ucraniana, também ginasta, por meio de um celular, diversas vezes ao longo do filme, e se encontram durante uma competição, na qual a amiga faz um protesto, a favor das reformas liberalizantes na Ucrânia ("Ucrânia livre"), e claro, é logo contida e levada pelas forças repressivas (polícia). Olga, já naturalizada suíça, fica em silêncio. Seria ela uma traidora? Uma conformista? O filme não faz julgamento, mas acompanha o drama de quem tem o coração e a nacionalidade dividida. Em tempos onde se compreende melhor a influência da Ucrânia no mundo ocidental, e onde o maisntream opta por valorizar as reformas liberais dos países europeus, Olga tem no seu retorno à Ucrânia seu projeto redentor: ensinar novos jovens, ser professora de ginasta.
É um filme que merece ser visto pelo trabalho sensacional com os atores, por não apelar para maiores esclarecimentos fáceis e enviesados, por fazer de Olga um personagem universal, ao atravessá-la de dilemas que questionam seu futuro e a democracia dos países do leste. Com ar documental muito mais do que melodramático, este filme se tornou ainda mais relevante após os acontecimentos da guerra entre Rússia e Ucrânia, que em pleno 2022, ainda arrastam e ceifam muitas vidas inocentes. No meio disso tudo, quantos sonhos, quantos projetos e quantas histórias de vida não estão sendo contadas ou deixadas de contar?
Ótimo!!! Em 85 minutos acontece muita coisa, vc não dispersa em nenhum momento, pois o filme é redondinho e com uma protagonista que nos cativa por demais. Curtir muito, drama excelente e reflexivo.
Nota 8,3. Novamente Gratoooo Telecine Cult. 05 de setembro/22.
Eis o que definem como "cinema de fluxo": a trama é apenas um ponto de partida para que experimentemos os mesmos sentimentos de desorientação da protagonista. De fato, a direção é excelente: treinamos com ela, sofremos com ela, esperançamo-nos com ela... O desfecho em aberto é magistral, bem como a entrega actancial da personagem-título. E o filme ganha muito em impacto e relevância com os contornos atuais da guerra envolvendo a Ucrânia. Começa de maneira sutil e, de repente, estamos "contaminados" com a perspectiva da garota, que tem acesso limitado ao que ocorre ao seu redor, seja pelas dificuldades comunicações mais gerais, seja pelas questões idiomáticas e pela intromissão ativa ou passiva da inveja. Muito, muito bom! (WPC>)
E os problemas da Ucrânia estavam apenas começando...
Pra mim, um filme mediano.
Não é ruim, não é sobre esporte, também não é necessariamente sobre o conflito político ucraniano, é sobre uma história real de alguém muito jovem em meio a dilemas pessoais.
Mas o grande problema, pra mim é não haver um clímax ou algo grandioso aqui
Elie Grape, um cineasta com menos de 30 anos, conseguiu algo fantástico aqui: com um domínio absurdo dos seus (não) atores, filma o cotididiano de Olga, uma ginasta Ucraniana, com ares superrealistas, em vários momentos pensei se tratar de um documentário mesmo, e da relação do esporte consegue dialogar com os regimes do leste europeu.
A mãe de Olga é uma jornalista, e o filme começa em 2013, no meio do que muitos historiadores consideram como a maior manifestação europeia da história (a favor da União Europeia e do livre comércio, no caso), e sofre um atentado no carro com sua filha, o que pode pôr em risco o futuro da ginasta. Por este motivo, Olga é levada para o país do pai dela (que morrera a esta altura), a Suíça, em cenas que marcam a força de vontade de Olga em vencer pelo esporte.
O filme, portanto, não é sobre superação individual ou qualquer coisa ligada ao individualismo e meritocracia de filmes de esporte. Ao manter contato com sua amiga ou nas videochamadas que faz com a mãe, fica clara a tensão que há na Ucrânica, transbordado por pequenas microtensões (Olga deve se naturalizar? Olga consegue se adaptar?). A dificuldade dela em fazer amigos é notória, bem como o conflito interno que há entre deixar a mãe no meio da tensão política para seguir sua carreira. A atuação contida de Anastasia Budiashkina é um prato cheio para captar o drama, com seu olhar perdido quando no meio das suas colegas de treino, ela nunca consegue fazer-se pertencer, mesmo sendo uma ginasta acima da média e que consegue altos pontos para a equipe, ela acaba se fechando em si, mas por dentro sabemos a explosão de sentimentos.
Uma cena em particular me marcou muito.
Olga conversa com sua única amiga, ucraniana, também ginasta, por meio de um celular, diversas vezes ao longo do filme, e se encontram durante uma competição, na qual a amiga faz um protesto, a favor das reformas liberalizantes na Ucrânia ("Ucrânia livre"), e claro, é logo contida e levada pelas forças repressivas (polícia). Olga, já naturalizada suíça, fica em silêncio. Seria ela uma traidora? Uma conformista? O filme não faz julgamento, mas acompanha o drama de quem tem o coração e a nacionalidade dividida.
Em tempos onde se compreende melhor a influência da Ucrânia no mundo ocidental, e onde o maisntream opta por valorizar as reformas liberais dos países europeus, Olga tem no seu retorno à Ucrânia seu projeto redentor: ensinar novos jovens, ser professora de ginasta.
É um filme que merece ser visto pelo trabalho sensacional com os atores, por não apelar para maiores esclarecimentos fáceis e enviesados, por fazer de Olga um personagem universal, ao atravessá-la de dilemas que questionam seu futuro e a democracia dos países do leste. Com ar documental muito mais do que melodramático, este filme se tornou ainda mais relevante após os acontecimentos da guerra entre Rússia e Ucrânia, que em pleno 2022, ainda arrastam e ceifam muitas vidas inocentes. No meio disso tudo, quantos sonhos, quantos projetos e quantas histórias de vida não estão sendo contadas ou deixadas de contar?
Ótimo!!! Em 85 minutos acontece muita coisa, vc não dispersa em nenhum momento, pois o filme é redondinho e com uma protagonista que nos cativa por demais. Curtir muito, drama excelente e reflexivo.
Nota 8,3. Novamente Gratoooo Telecine Cult. 05 de setembro/22.
Eis o que definem como "cinema de fluxo": a trama é apenas um ponto de partida para que experimentemos os mesmos sentimentos de desorientação da protagonista. De fato, a direção é excelente: treinamos com ela, sofremos com ela, esperançamo-nos com ela... O desfecho em aberto é magistral, bem como a entrega actancial da personagem-título. E o filme ganha muito em impacto e relevância com os contornos atuais da guerra envolvendo a Ucrânia. Começa de maneira sutil e, de repente, estamos "contaminados" com a perspectiva da garota, que tem acesso limitado ao que ocorre ao seu redor, seja pelas dificuldades comunicações mais gerais, seja pelas questões idiomáticas e pela intromissão ativa ou passiva da inveja. Muito, muito bom! (WPC>)