Em tese, não é um filme fácil. Pois é a confirmação extremamente idiossincrática do estilo austero de um gênio iconoclasta. Porém, é incrivelmente gostoso de ser visto, desde que se supere os preconceitos iniciais e não haja alergias espectatoriais em relação ao "cinema estrutural", francamente emulado aqui. De minha parte, só não o considerei uma obra-prima porque incomodei-me com a demorada exposição de um filme de Howard Hawks no quinto plano. Inclusive, a enumeração precisa do plano em pauta demonstra o quão reduzido é o filme, em termos espaciais de confinamento (risos): diferentemente das elegias florestais ao ar livre, temos aqui um retrato do tédio pandêmico, na residência do próprio cineasta, que aparece lendo no plano 4. Mais uma vez, utilizei o número para enfatizar a exigüidade do mesmo: sem contar os créditos de abertura e encerramento (sobremaneira breves), são seis planos que compõem o filme, de maneira que o primeiro e o último exibem relógios. Acompanhamos o lento passar dos minutos, sem que isso seja tedioso. Como exclamou minha mãe, que estava ao meu lado: "até que passa rápido, não é?". Em verdade, não. Não passa. Mas o diretor é tão inteligente na exposição dessa passagem que gozamos com a lentidão proposital do filme, meu segundo contato com o diretor, e, desde já, um dos melhores filmes do ano. No plano 2, até parece que o quadro em foco está se mexendo ao som da música, de tão estendido que é o plano. Incrível: é um filme genial! (WPC>)
Em tese, não é um filme fácil. Pois é a confirmação extremamente idiossincrática do estilo austero de um gênio iconoclasta. Porém, é incrivelmente gostoso de ser visto, desde que se supere os preconceitos iniciais e não haja alergias espectatoriais em relação ao "cinema estrutural", francamente emulado aqui. De minha parte, só não o considerei uma obra-prima porque incomodei-me com a demorada exposição de um filme de Howard Hawks no quinto plano. Inclusive, a enumeração precisa do plano em pauta demonstra o quão reduzido é o filme, em termos espaciais de confinamento (risos): diferentemente das elegias florestais ao ar livre, temos aqui um retrato do tédio pandêmico, na residência do próprio cineasta, que aparece lendo no plano 4. Mais uma vez, utilizei o número para enfatizar a exigüidade do mesmo: sem contar os créditos de abertura e encerramento (sobremaneira breves), são seis planos que compõem o filme, de maneira que o primeiro e o último exibem relógios. Acompanhamos o lento passar dos minutos, sem que isso seja tedioso. Como exclamou minha mãe, que estava ao meu lado: "até que passa rápido, não é?". Em verdade, não. Não passa. Mas o diretor é tão inteligente na exposição dessa passagem que gozamos com a lentidão proposital do filme, meu segundo contato com o diretor, e, desde já, um dos melhores filmes do ano. No plano 2, até parece que o quadro em foco está se mexendo ao som da música, de tão estendido que é o plano. Incrível: é um filme genial! (WPC>)