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Data de lançamento
17 Dez. 2011O filme é baseado em uma livre adaptação do conto homônimo publicado no livro "Fragmentos de um Olhar" lançado em 2002 de autoria do próprio Taciano.
A trama se passa através dos olhos de um singelo hamster (Borges). Os personagens interagem a partir de suas particularidades e problemáticas numa atmosfera cotidiana usando locais próprios de Campina Grande, como a Rua Maciel Pinheiro e zona rural de Lagoa de Roça, o filme em seu todo é legitimamente paraibano, tanto no elenco como na equipe de produção e locações filmadas.
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Um manifesto visual de beleza acachapante mas que oscila em torno da mediocridade humana tanto na atuação de alguns atores, quanto na apropriação desta atuação para uma espécie de pretensão narrativa que funciona como amostra da irregularidade do comportamento banal e lacunar do elenco restante em detrimento de uma aterradora grandiosidade presente na atuação de Everaldo Pontes e sua interpretação do velho cego.
A grandiosidade desta interpretação e o seu destaque na mise-en-scène, mediante uma elaborada construção visual e espacial, tanto no uso da fotografia em P&B, quanto numa coreografia visual concebida para a interação do velho com a gaiola do hamster Borges, que demonstra um filtro das grades e uma clausura metafórica para a perda da visão. Tal complexidade ambiental do personagem, além da pretensão da direção, se ilustra pela própria atuação destruidora de Everaldo Pontes, que mostra um velho cego, louco e lúcido que se comporta como um deus consciente de tudo e que joga com os outros personagens, como se fossem seus títeres.
O uso de Jorge Luís Borges como elemento condutor da narrativa ou do absurdo kafkiano enquanto referência para mobilizar a ação dos personagens revela a própria alegoria do contraste do papel do escritor enquanto deus de uma mise-en-scene de controle do destino dos outros sujeitos da trama e que estão dissolvidos na mediocridade banal. O que me incomoda no filme é justamente as atuações pífias do restante do elenco que parecem propositalmente desencaixadas do contexto da narrativa ou como libelo do vazio existencial das personagens; em alguns momentos os diálogos entre Romão e Yara se demonstram grandes equívocos do roteiro ou falas propositadamente reveladoras de uma mediocridade dos sujeitos perante o universo grandioso do velho cego e como demonstração de suas existências débeis. Quando o personagem do colega de quarto de Romão tenta influencia-lo para furtar o suposto livro de Borges e se apropriar do universo do velho, o personagem de Romão recusa ser mais um participante da manobra literária dos escritores e intelectuais, resultando aí o único momento forte deste personagem no filme e uma insurgência da banalidade pelo direito de existir por si mesma.
Um filme noir ambientado no nordeste brasileiro, com fotografia em preto e branco e personagens de caráter ambíguo (como também indica uma tatuagem de Era Uma Vez no Oeste). O diretor Taciano Valério parece se inspirar também no cinema romeno contemporâneo (4 meses 3 semanas e 2 dias) em seus longos planos estáticos.
Achei que a atuação deixou muuuuuuuuito a desejar! Por mais que o roteiro seja bom, a fotografia lindíssima, se não tem atores de verdade, fode todo o material.
Tive pena do diretor de arte também... A conversão em PB do filme fez todo o trabalho dele NÃO valer a pena!
Ridículo. Tive uma conversa com o diretor do filme depois da exibição e ele disse que o Diretor de arte chorou por ele ter mandado converter pra preto e branco. Isso é coisa que se faça? O cara tem todo cuidado de criar os cenários/figurinos e o diretor faz isso....
Alguém tem o link torrent dele?