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Duração
As estradas de uma grande cidade estão repletas de cadáveres, mas as pessoas fingem não conhecê-los e passam indiferentes por sobre eles. A razão para isso é um decreto autoritário, que determina que não se toque em quem morreu por desacatar ordens governamentais. Desobedecendo a esta lei, a jovem Antígona deseja enterrar o seu irmão falecido, encontrando apoio num estrangeiro chamado Tirésia, por quem se apaixona.
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Assisti sem saber nada e me surpreendi com a atualidade do roteiro. Antifascista, crítico com a falta de empatia das pessoas com os desamparados. E tem uma música tema marcante do Morricone.
Bem interessante, vou pensar sobre por um tempo
Que filme, que descoberta, uma pérola perdida nas entranhas do catálogo da Amazon Prime. Um filme que me surpreendeu e me deixou boquiaberto como há tempos não acontecia, a diretora falava do fascismo que oprimia os italianos ou ela previu o futuro e está falando diretamente conosco, agora, no Brasil de 2020? Corpos espalhados pelas ruas e o governo "e daí?", Atualidade ou spoiler do filme? Provavelmente quem viu antes desses tempos loucos de um governo de idiotas talvez pensasse que o filme exagerou um pouco. Me sinto um tanto como o personagem do Tomás Millian, que antes não achava que era tudo tão alarmante assim, mas que aos poucos foi abrindo os olhos.
Poderia discorrer por horas, mas só deixo minha recomendação a todos, que mexam com vocês como mexeu comigo.
Filme surrealista repleto de críticas sociais com o passar tempo caiu no esquecimento,conta com uma trilha sonora parceria Ennio Morricone e Bruno Nicolai q é fundamental para o desenvolvimento do filme.
A Antigona de Os Canibais é voluntariamente inspirada na obra de Anouilh e de Brecht, ambas releituras de tragédia grega de Sófocles. Sem entrar no aspecto comparativo entre os três textos e o filme em si, é útil recordar como a Antigona de Cavani é em parte próxima da de Brecht. A convergência mais evidente entre Os Canibais e o texto do dramaturgo alemão está no fato deste último inspirar o contraste ente o indivíduo e o Estado, entre a lei moral e a lei do Estado, entre o espaço privado e espaço público, assim como na falta de qualquer espécie de dialética entre os dois hemisférios. Sem contar a caracterização das personagens, tão extrema a ponto de suas posições fixas parecem romper a divisão entre o bem e o mal, de modo que as protagonistas tornam-se personagens de exceção, fazendo com que o espectador não perceba o distanciamento.