Dirigido por
Data de lançamento
31 Ago. 1977Duração
Keith Carradine e Harvey Keitel estrelam este filme dirigido por Ridley Scott (Gladiador), sobre dois oficiais do exército de Napoleão, que se enfrentam violentamente numa série de duelos. Os duelos começam por causa de um incidente insignificante e se tornaram ferozmente compulsivos, passando a reger a vida dos dois homens, durante 15 anos. Baseado na história de Joseph Conrad, Os Duelistas explora os temas de obsessão, honra e violência. Este filme visualmente deslumbrante desenrola uma trama instigante até seu inesperado final. Foi premiado com Melhor Filme de Estréia em 1977, no Festival de Cannes.
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“The Duellists” retrata a passagem do tempo sob duas óticas distintas: D’Hubert está aberto às transformações sociais, atento às possibilidades que os novos tempos carregam e, por isso, considerado oportunista por alguns; Feraud é um obstinado general bonapartista, irascível e inconformado com a queda do imperador, absorto num passado idealizado. Estas duas perspectivas incompatíveis digladiam-se anos a fio, e refletem a polarização política em que a França esteve afogada durante e após as guerras napoleônicas. E como toda obra é fruto de seu tempo, a estreia de Ridley Scott também ecoa as posturas irreconciliáveis de conservadores e liberais no século XX, bem como a dicotomia ideológica que persiste na atualidade.
Feraud é um sujeito deveras amargo, com quase nenhuma qualidade redimível, mas sua insistência em duelos reflete um indivíduo trágico, cuja obsessão em matar ou morrer nas mãos do inimigo é o único meio que conhece para dar significado à sua própria existência. Sem saber, a luta pela honra dá lugar ao desespero silencioso de quem se vê alheio ao mundo.
A fotografia naturalista, tão semelhante a “Barry Lyndon” - filme histórico lançado poucos anos antes -, potencializa o final melancólico e anuncia a inevitável passagem do tempo.
Descobri esse filme por acaso, em um podcast sobre as guerras napoleônicas, e pra mim que estava interessado no tema (ainda que o filme não seja especificamente sobre isso), foi um prato cheio.
Podemos acompanhar os desdobramentos do período, com o filme se passando em vários lugares durante os anos, traz debates e conversas daquele contexto (questões de honra, dos duelos, a razão, etc), de maneira sutil, mas imersiva. As paisagens são lindas também e a história da rivalidade dos duelistas que conduz o filme é muito boa.
Um grande filme, o primeiro de um grande diretor
Joia esquecida de um Ridley Scott antes do reconhecimento colossal pela direção de "Alien, O 8° Passageiro" e "Blade Runner".
O roteiro adapta quase que integralmente o conto de Joseph Conrad, resultando numa narrativa bem fluída, ainda que episódica em sua estrutura. É uma história simples que foi filmada como um épico gigantesco. Visualmente acaba sendo um primo de Barry Lyndon, lançado dois anos antes.
Adorei o Feraud de Harvey Keitel. Sujeito esquentado e com um senso de honra bem distorcido, mas que curiosamente, se digna a esperar seu adversário espirrar antes de iniciar o duelo. E Carradine muito carismático em seu desespero silencioso.
Chega a ser cômico como a "honra" é um vício para esses dois personagens, e Scott explora esse temperamento para conduzir a trama. Grande cena aquela em que o Feraud caminha pela floresta como um Napoleão Bonaparte derrotado.
Filme insosso, com personagens zero carismáticos. Só tem um duelo legalzinho (o com os cavalos), a passagem da Rússia achei muito bem feita, e o final é, vá lá, bem bolado. O comentário sobre honra e autoestima é raso.
Brilhante estreia de Scott (e meu favorito dele) contornando o orçamento reduzido com um ótimo trabalho de direção e bonita fotografia. Carradine está bem como o herói mas Keitel acaba sendo a presença mais forte como o antagonista obcecado e com problemas aparentes de autoestima. Programão.